Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 281 - Mar/Abr 2006

2006 Ano de reforço do Partido

por José Ernesto Cartaxo

O Comité Central na sua reunião de 11 e 12 de Novembro aprovou a Resolução  «Sim, é possível! Um PCP mais forte», em que se definem prioridades e caminhos para a aplicação das orientações do XVII Congresso e se aponta 2006, ano do seu 85.º Aniversário, como ano de reforço do Partido a exigir concentração da atenção das organizações e quadros do Partido.

A concretização desta Resolução é decisiva para a capacidade de intervenção e para o futuro do Partido, de modo a que nas condições exigentes e difíceis em que vai actuar possa ter condições para resistir e avançar. Não se trata de linhas de trabalho paralelas, mas sim de um conjunto integrado de orientações cuja aplicação conduzirá a um patamar mais elevado de direcção, organização, estruturação, funcionamento, preparação política e ideológica, coesão, capacidade de intervenção e influência, a um Partido mais forte. O objectivo de alcançar esse patamar mais elevado de força e influência do PCP é um projecto necessário, urgente e possível de concretizar.

Necessário, porque o Partido tem uma enorme força mas tem também insuficiências e para cumprir o seu papel e concretizar os seus objectivos precisa de ser mais forte e mais influente.



Urgente, porque sendo o reforço do Partido uma tarefa de sempre, passado um ano e meio em que se travaram cinco batalhas eleitorais tem, neste ano de 2006, um momento decisivo de arranque, uma oportunidade de concentração de atenções que nem sempre há condições para assegurar. Urgente, ainda, porque as exigências de intervenção que nos são colocadas e os obstáculos que vamos encontrar implicam ultrapassar insuficiências com grande rapidez e dar mais solidez a todos os aspectos que fazem do PCP um partido invencível, como a sua heróica história comprova.

Possível, como em muitas outras fases da vida nacional, porque, para além das condições objectivas o exigirem e proporcionarem, ficou provado ao longo dos últimos anos, em particular depois do XVII Congresso, que é mesmo possível ter um PCP mais forte. Venceram-se ideias de impossibilidade, libertaram-se energias, criatividade, militância, que são essenciais para reforçar o Partido.



Tais são as exigências que se colocam ao Partido neste ano de 2006. Muitas organizações estão ainda na fase de discussão, planificação, programação e quantificação de objectivos, mas é necessário passar à sua concretização. Trata-se, em cada organização, de localizar os estrangulamentos e obstáculos, de determinar as prioridades, de identificar as áreas em que é necessário romper e progredir para elevar significativamente a força e a influência do Partido. É muito mais do que definir objectivos referentes a várias linhas de acção, mas implica a concretização em cada organização das nove linhas de orientação e medidas apontadas na Resolução do Comité Central, cuja importância destacamos.



Primeira: a associação das medidas de reforço da organização do Partido à avaliação do estilo de trabalho de cada organismo e à compreensão da ligação indissociável entre organização e intervenção, à dinamização da luta e ao fortalecimento das organizações e movimentos de massas, ao alargamento da difusão da imprensa e ao reforço da informação e propaganda partidárias.

Segunda: o avanço da acção geral de levantamento e responsabilização de quadros para vencer estrangulamentos e elevar a capacidade de direcção e acção do Partido aos vários níveis, que tem na responsabilização de pelo menos 500 jovens e na realização de cursos de formação que envolvam um mínimo de 600 quadros elementos de grande relevo. Uma responsabilização que implica fazer o levantamento de tarefas e responsabilidades necessárias à acção do Partido para as quais é necessários encontrar quadros, ao mesmo tempo que se procede ao levantamento dos quadros a responsabilizar e que exige, após a responsabilização de cada quadro, o seu acompanhamento e formação.



Terceira: o reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, que passa pela definição em cada DOR da estrutura da organização a partir das empresas e locais de trabalho e pelo destacamento de funcionários do Partido e outros quadros para se responsabilizarem por organismos e células, nomeadamente pelo trabalho com as empresas prioritárias (com mais de 1000 trabalhadores e/ou de importância estratégica). Ao mesmo tempo é preciso assegurar a integração prioritária dos novos membros do Partido a partir da sua empresa ou local de trabalho e proceder à transferência ou ligação dos membros do Partido com menos de 55 anos trabalhadores por conta de outrem.

Quarta: uma melhor integração dos membros do Partido com o alargamento do número de militantes em organismos e a criação de novos organismos, dando prioridade à integração dos membros do Partido activos, particularmente dos camaradas dirigentes sindicais, membros de CTs e de outros movimentos de massas. Impõe-se também reforçar as estruturas de ligação com os membros do Partido, aproveitar o contacto a estabelecer na entrega do novo cartão do Partido para a elevação da participação dos militantes na vida partidária e prosseguir o esclarecimento da situação dos membros do Partido.



Quinta: o reforço da estruturação partidária que envolve a criação de mais organismos, nomeadamente de direcção intermédia (comissões concelhias, comissões de freguesia, e organismos sectoriais e de empresas) e a definição nominal das organizações de base. Uma definição das organizações de base feita a partir do número de membros do Partido existentes, da avaliação das suas disponibilidades de participação procedendo aos agrupamentos que se justifiquem, de modo a que a organização de base definida funcione ou tenha condições para funcionar a curto prazo.



Sexta: a intensificação do recrutamento, concretizando a campanha de 2500 novos militantes até Março, definindo novos objectivos e dando mais atenção à sua inserção partidária, à participação num organismo e à atribuição de tarefas.

Sétima: o alargamento da base financeira, aumentando o número de camaradas a pagar quota, para o que é fundamental aumentar o número de camaradas com a tarefa de cobrança das quotizações, concretizando a contribuição dos eleitos em cargos públicos, promovendo iniciativas e a associação destas linhas de aumento das receitas ao controlo das despesas e ao equilíbrio financeiro.



Oitava: a realização de assembleias das organizações, tendo como objectivo principal que todas as organizações de base as realizem durante este ano.

Nona: a adopção de medidas de direcção aos vários níveis, nomeadamente no plano das áreas e estruturas de apoio à direcção central.

O reforço da organização partidária deve associar-se a uma linha de grande afirmação do Partido no plano político e ideológico e no estimulo à acção de massas, de afirmação da sua alternativa para Portugal, do seu programa de uma democracia avançada, do seu projecto de uma sociedade nova, livre da exploração: o socialismo e o comunismo.

É todo este exigente projecto de reforço do Partido que se coloca a cada organização e a cada militante, numa acção determinante para o presente e o futuro do PCP, mas acima de tudo pela natureza e identidade do Partido e pelo seu papel singular na sociedade portuguesa, determinante para os trabalhadores, o povo e o país.