Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 283 - Jul/Ago 2006

Também no Algarve o Partido se reforça

por Rosa Rabiais

Com redobrada confiança e consciência da realidade regional, e no quadro das orientações do XVII Congresso.
Sobretudo a partir da preparação e realização da 5.ª Assembleia da Organização Regional do Algarve, realizada em Dezembro de 2002, o Partido na região retomou o caminho – difícil e muito marcado por um largo período de desacerto e de derivas fraccionárias – de regresso às suas origens, sem preconceitos e vencendo preconceitos, ao seu projecto galvanizante de luta por um futuro melhor para Portugal e para a região, com os trabalhadores, e sem ocultar a sua natureza de classe, identidade comunista, e objectivos, nomeadamente da construção de uma sociedade nova, liberta de todas as formas de exploração.

Como se considera na Resolução Política então aprovada na 5.ª AORAL: «(...) No quadro da preparação do XVI Congresso e a partir da sua realização tem-se vivido, ao nível da Direcção Regional e dos seus organismos executivos, uma situação de profunda perturbação, em que uma parte dos membros destes organismos aberta e publicamente têm contestado as decisões do XVI Congresso, as orientações da Direcção do Partido, e o próprio trabalho normal do Partido na Região.» (...)



Hoje, e a partir das orientações e direcções de trabalho saídos do histórico XVII Congresso, o Partido na região tem mais presença pública e regular a partir dos problemas concretos dos trabalhadores e populações. Não há concelho ou organismo com funcionamento regular que não produza um comunicado ou nota. O Partido tem mais iniciativa política voltada para fora, iniciativa de debate e esclarecimento (e também de convívio), mais organização, mais estrutura, organizações e organismos, mais quadros a participar e mais responsabilizados. São marcas de hoje, profundamente distintivas de outros períodos da vida partidária na região. É consensual que o Partido está melhor, mais enraizado e interveniente e também, diga-se, mais visível.

Mas se é certo que tem havido alguns avanços no trabalho partidário na região do Algarve, também é verdade que há muitas lacunas para vencer, há um ainda longo percurso para fazer neste curto espaço de tempo útil para se estruturar, e assegurar, ainda que com dinâmicas diferentes de concelho para concelho, de organização para organização, uma ligação aos problemas dos trabalhadores e populações, animar as suas lutas, dinamizar acções concretas e de massas. Isto é, muito para além daquilo que era a intervenção em exclusivo na região do Algarve durante largos anos, de uma intervenção meramente institucional e eleitoral, e marcada de forma deliberada pela ocultação do Partido e do seu projecto emancipador, e do seu esforço militante, substituído por soluções e representações «unitaristas».



Sem que se possa dizer que tudo avançou e caminha sobre rodas, é hoje uma evidência a profunda e marcante diferença qualitativa e quantitativa da realidade do Partido no Algarve, aliás, como no todo nacional.



Debulhando as considerações anteriores, pode-se afirmar que, mesmo com um ainda grande número de inscritos para contactar, a Campanha de Contactos constituiu por si só um enorme êxito. Êxito, pelos caminhos que rasgou, pelas possibilidades que abriu, pelas potencialidades que gerou.

3061 militantes com a sua situação esclarecida, resultou, até agora, em 1188 com uma situação regular perante o Partido, entre os quais os 132 novos militantes inscritos de 2005 até agora na Organização Regional, revelam força e atracção pelo ideal e lutas dos comunistas também na região do Algarve, e justificadas razões para que hoje se possa registar trabalho regular do Partido nos 16 concelhos do distrito, e a existência de 14 Comissões Concelhias a  funcionar regularmente e a discutir e a empreender caminhos e medidas que tragam o Partido «mais abaixo», mais junto dos trabalhadores, mais junto das populações, dos seus problemas e anseios, dando voz ao Partido, dando voz aos que precisam da luta do Partido.



À escala da realidade do Partido e da região, o esforço – não todo seguramente – para estruturar, possibilitou que se passasse do «quase nada», para a criação de 13 Comissões de freguesia, quatro Células de empresa/Local de trabalho, reuniões embrionárias de sectores sócio-profissionais, com novos quadros, entre os quais muitos jovens. Possibilitou que fossem chamados aos organismos de direcção muitos quadros jovens, que assumem hoje tarefas e responsabilidades com um saldo muito positivo de trabalho realizado.



Procurar cumprir o que está planeado em matéria de objectivos orgânicos em cada concelho, com a criação de novos organismos, sobretudo na área do trabalho que enraíze o Partido junto e onde estão os trabalhadores, que se traduza igualmente no reforço das suas estruturas sindicais e na luta concreta, quer realizando as Assembleias de Organização já marcadas, e que são em bom número de concelhias e de freguesias, alargar a rede de venda e leitura da Imprensa do Partido – para além do que já se avançou até agora, incluindo a sua venda militante de dezenas de exemplares, para além do número semanal, de que Vila Real de Santo António é um bom exemplo – são tarefas que, pelos exemplos recentes na Organização Regional, é possível realizar, é possível vencer «impossíveis», estão ao nosso alcance. E que, com muita confiança e determinação, concretizaremos.



Porque o resultado da concretização das orientações do XVII Congresso ainda que insuficiente, revela que se melhorou substancialmente a qualidade da discussão, o conhecimento dos problemas, e sobretudo das respostas e propostas do Partido em diversas áreas, como o trabalho, a saúde, o desenvolvimento regional. Há mais audácia na acção do Partido.

E é pela acção do Partido, com dinâmicas diferentes em cada organização, que as grandes e pequenas causas da região reganham espaço.



Hoje há uma crescente consciência nos quadros e organismos de que a intervenção e a acção do Partido revolucionário não se esgota nos processos eleitorais e nas representações institucionais, e muito menos essa intervenção, pode moldar a natureza e identidade, a ideologia, os seus objectivos, o seu funcionamento, a números e percentagens conjunturais.



São disso exemplo as lutas dos trabalhadores animadas e dirigidas pelos seus Sindicatos, onde os comunistas têm tido e continuam a ter na região um papel determinante pelo seu número e elevado grau de consciência e confiança dos trabalhadores, que também em resultado de uma melhor (mas ainda insuficiente ligação e organização no plano partidário), se traduzem em mais participação e envolvimento dos trabalhadores. O 1.º de Maio deste ano em Faro pelo seu enorme êxito, é disso bom exemplo. Mas também as pequenas e grandes lutas nas empresas e locais de trabalho, como se trava hoje na Alboz, na Thyssen, em defesa dos postos de trabalho, pelo Contrato da Hotelaria ainda bloqueado, na generalidade da Administração Pública, nas IPSS, em defesa da Pesca, em defesa dos CTT e dos direitos conquistados pelos trabalhadores. Os comunistas têm estado à frente.



Mas é também na acção das populações de Aljezur a Alcoutim, de Vila do Bispo a Vila Real de Santo António, que o Partido tem tido um papel determinante, de forma organizada para que tenham expressão as pequenas e grandes causas, de que são exemplos a luta contra o encerramento dos SAP’s com iniciativas muito expressivas em Silves e também a mexer em Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, e em Faro, Olhão e Tavira, o abaixo-assinado contra o aumento da Água dinamizado pelo Partido em Portimão e em Tavira, a iniciativa em defesa da Ria de Alvor, as acções em defesa da Ria Formosa em Olhão, o abaixo-assinado em acção de rua pela construção da Rotunda em Cacela na EN125 no concelho de Vila Real de Santo António, a acção pela Rotunda no Pobre-Rico em Altura e pela Rotunda no IC27 em Odeleite, que envolveu centenas de pessoas em diversas acções e iniciativas no concelho de Castro Marim, as acções diversas pela construção da Ponte Internacional de Alcoutim - San Lúcar del Guadiana, para além de uma qualificada intervenção nas Autarquias Locais e na AMAL em defesa de um outro rumo para a região. Também aqui, em resultado da sua organização, melhor conhecimento e melhor discussão, os comunistas estão na primeira linha de combate.



A maioria, a esmagadora maioria deste destacamento do grande colectivo partidário que somos, quer continuar a reforçar com militância, o projecto que há 85 anos anima sucessivas gerações de comunistas, e que nos dá a grande honra de pertencermos a este grande colectivo de homens, mulheres e jovens que não se rendem, nem se conformam. Por isso, também no Algarve, somos hoje mais respeitados, aqui, onde o Partido também se reforça.



Reforço que é essencial, para dar mais expressão à luta contra a criminosa política anti-social do governo PS e dos grandes interesses e em defesa de uma Região desenvolvida e produtiva, com mais e diversificado emprego e trabalho com direitos, mais rede de protecção social, mais saúde e ensino para todos.