Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 286 - Jan/Fev 2007

Não dar tréguas ao grande capital e ao governo que o serve

por Revista «O Militante»

2007 será seguramente um ano de duros confrontos de classe. A pausa da movimentação social na época de Natal e Ano Novo não significa qualquer trégua na luta, tanto mais que será no início do novo ano que os portugueses mais vão sentir as consequências das nefastas políticas económicas e sociais deste Governo e se anunciam já novos ataques ao bolso aos direitos dos trabalhadores, à soberania nacional e ao próprio regime democrático.

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O ano findo foi um ano em que, traindo promessas eleitorais e legítimas expectativas populares, o PS se colocou abertamente ao serviço do grande capital. Apoiando-se numa fortíssima máquina de propaganda, o Governo do PS fez aquilo que governos da direita jamais teriam tido condições para fazer, conduzindo uma ofensiva em todas as frentes contra os que menos podem e menos têm. Uma política determinada pelos grandes grupos económicos e financeiros - que só conseguem prosperar à custa do erário público, do protecionismo, da especulação e na dependência do capital estrangeiro - e que é responsável pela estagnação económica, o desemprego, a pobreza, a emigração e pelas gritantes injustiças e desigualdades sociais que não param de crescer. Uma política conduzida de concerto com o Presidente da República e os partidos da direita que está a minar os fundamentos do regime democrático constitucional e aponta já para uma reconfiguração anti-democrática do Estado.

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Mas 2006 foi também um ano de crescente resistência e de grandes acções dos trabalhadores e das populações contra a ofensiva do capital e as nefastas políticas do Governo do PS. Numerosas lutas sectoriais e locais ficam a assinalar o ano findo, no sector público e privado, dos trabalhadores da administração central e local, dos trabalhadores de inúmeras empresas em defesa dos postos de trabalho e por melhores salários, dos professores, dos camponeses, da juventude trabalhadora e estudantil, dos reformados, das forças de segurança e militares, em defesa do Serviço Público de Segurança Social, em defesa do Serviço Nacional de Saúde e muitas outras. O maior significado tiveram as acções  de convergência nacional como o Protesto Geral de 12 de Outubro, com mais de cem mil trabalhadores nas ruas de Lisboa, e a jornada de 25 de Novembro que incutiram renovada confiança na possibilidade de derrotar a ofensiva governamental. É neste caminho que temos de prosseguir. O novo ano de 2007 tem de ser o da vitória do «Sim» na batalha pela despenalização da IVG, mas tem sobretudo de ser, e será seguramente, um ano de novas e importantes lutas populares em todas as frentes.

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2006, ano do 85.º aniversário do PCP, foi declarado pelo Comité Central, ano de reforço do Partido. E de facto reforçamos o nosso grande colectivo partidário. Temos mais partido. Devido à campanha de esclarecimento da situação dos inscritos nos ficheiros do Partido, uma tarefa a que temos de dar continuidade, conhecemos melhor o partido que somos. E o Partido cresceu com numerosas adesões, na sua maioria de jovens. Estruturou-se melhor com a criação de muitos novos organismos na base do Partido. Aprofundou-se a sua democracia interna com o aumento significativo do número de sempre de assembleias de organização. Cuidou mais das suas raízes na classe operária e da sua organização nas empresas e locais de trabalho e na frente sindical. Renovou e rejuvenesceu a generalidade dos organismos, chamando muitas centenas de camaradas a novas responsabilidades e atribuindo-lhes tarefas. Avançou na formação de quadros. Deu mais atenção às suas finanças e em particular à recolha das cotizações e de contribuições de camaradas e amigos do Partido.

Atingiram-se todos os objectivos que nos propusemos? Certamente que não. Há atrasos e incompreensões que persistem. Mas avançamos. Temos um partido mais forte, mais coeso, mais interventivo. No ano que agora se inicia temos de trabalhar para consolidar as importantes aquisições do ano findo e dar passos ainda mais seguros em todas as direcções, mas particularmente no reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho, preocupação que tem de acompanhar necessariamente o desenvolvimento da luta de massas.

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No plano internacional, 2006 confirmou que grandes ameaças e perigos resultantes da ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo coexistem com fortes afirmações de resistência e com grandes potencialidades de desenvolvimento progressista e revolucionário e que o essencial para os revolucionários é manter sempre viva a confiança, estar lá onde estão as massas e trabalhar com persistência para a sua organização e mobilização para a luta. Revestem-se de particular significado o prosseguimento da viragem à esquerda anti-imperialista na América Latina - de que é expressão a nova vitória do processo revolucionário na Venezuela - e os mais recentes desenvolvimentos resultantes da resistência à ocupação imperialista no Médio Oriente e Ásia Central. Aquilo que os EUA viam como uma passeata no Iraque ou no Afeganistão transformou-se num atoleiro e numa humilhante derrota de Bush e seus acólitos, e num extraordinário estímulo ao desenvolvimento de uma ampla convergência de forças na luta contra a política de guerra e agressão imperialista e para desmascarar e derrotar as inquietantes concepções e práticas anticomunistas e fascizantes que a acompanham.

Neste quadro é justo valorizar o Encontro de Partidos Comunistas e Operários realizado em Lisboa e a contribuição do nosso Partido para o reforço da cooperação e da unidade na acção dos comunistas e de todas as forças anti-imperialistas. As reacções de surpresa, inquietação e ódio que este Encontro suscitou entre os nossos adversários e inimigos são inteiramente justificadas. Ainda que temporariamente enfraquecido, o movimento comunista está aí, não só desmentindo as teses da sua «morte» e do seu «declínio irreversível», como confirmando-se como uma necessidade para responder aos justos anseios dos trabalhadores e dos povos e libertar a humanidade do flagelo do capitalismo. O flagrante contraste com o conclave «socialista» europeu do Porto dá ainda maior visibilidade à necessidade dos partidos comunistas. Por mais que o procure disfarçar, a social democracia é cada vez mais uma componente estruturante do capitalismo.

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2007 será o ano do 90.º aniversário da Revolução Socialista de Outubro. Ao longo do ano as páginas de O Militante procurarão contribuir para situar historicamente este extraordinário acontecimento e dar a conhecer as suas realizações e a sua influência internacional, assim como as dificuldades do primeiro empreendimento de edificação de uma sociedade socialista, as circunstâncias da sua derrota, a falta que a URSS faz, não apenas aos revolucionários mas ao mundo.

 

Para O Militante o novo ano deverá ser de mais trabalho para procurar melhor corresponder às necessidades do Partido, melhorar o seu conteúdo e aumentar significativamente a sua leitura e divulgação. Neste sentido será lançada uma acção de promoção, envolvendo o mais possível a organização do Partido a todos os níveis, nomeadamente durante o mês de Maio. O papel dos actuais leitores de O Militante será de uma grande importância para o sucesso desta acção de promoção. Contamos convosco, camaradas. Bom trabalho e um Feliz Ano Novo!