Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 286 - Jan/Fev 2007

A VI Assembleia da O.R.L e o reforço do Partido nas empresas

por Rosa Rabiais

A concretização pelo Governo do PS, de forma bastante expedita, das políticas económicas e sociais reivindicadas pelo grande capital, comporta enormes perigos para o regime democrático e põe em causa as próprias liberdades democráticas. Trata-se de uma ofensiva global que é ainda mais perigosa pelo estímulo e apoio dado pelo Presidente da República, em perfeita sintonia com o Governo, na defesa dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.
  Traços essenciais desta ofensiva passam pela concretização do Código do Trabalho, pela chamada reforma da Administração Pública, visando a privatização das funções sociais do Estado, pelo ataque aos Serviços Públicos, pelo aumento da precarização e da exploração dos trabalhadores.

A organização da resistência e da luta contra esta política – de que o protesto geral de 12 de Outubro e as manifestações de 25 de Novembro, foram expressões vigorosas – tem que continuar, com força e determinação, em redor dos problemas concretos nas empresas e nos sectores, convergindo na exigência de uma ruptura com a política de direita e por uma alternativa de esquerda, para a qual é necessário atrair outras classes e camadas intermédias, alargando a base social de apoio a esta luta.

O papel determinante do Partido na dinamização e mobilização para a luta de massas e para o desenvolvimento do protesto, rompendo com o conformismo e o desânimo, coloca a imperiosa necessidade do seu permanente reforço orgânico, ligando-o cada vez mais à classe operária e aos trabalhadores.

Para tal é necessário tomar medidas de direcção, a todos os níveis da estrutura partidária, que mantenham e reforcem a organização.





A célula de empresa – a principal organização de base do Partido



As empresas e locais de trabalho são o primeiro patamar em que se trava a luta contra a exploração e a repressão e em que, a partir do confronto entre os interesses dos trabalhadores e do patronato, se agudiza a luta de classes, se eleva a consciência social e política dos trabalhadores, permitindo-lhes identificar as causas e os responsáveis pela degradação política, económica e social a que o país chegou e perceber o papel determinante da luta de massas por uma mudança política de esquerda.

A compreensão, em todo o Partido, de que os comunistas devem, prioritariamente, estar organizados ou ligados ao Partido a partir das suas empresas ou locais de trabalho tem que corresponder a uma profunda alteração no trabalho de direcção, no funcionamento e estilo de trabalho das organizações, a todos os níveis, no conteúdo das suas reuniões, na definição das suas prioridades, na afectação de meios humanos e materiais.

A importância da ligação ou transferência para as células de empresa dos comunistas, trabalhadores por conta de outrem, com menos de 55 anos, organizados por local de residência, encontrando com eles as melhores formas de o fazer, exige ainda uma mais profunda discussão política de molde a ultrapassar resistências e permitir que esses camaradas reforcem o trabalho do Partido dentro das empresas.

O futuro do nosso Partido, como partido da classe operária e de todos os trabalhadores, assim o exige.

Não se trata de menosprezo pelas organizações de base nas freguesias e nos bairros. Não se trata de dar menor atenção ao trabalho local, à ligação aos problemas das populações, ao movimento associativo e popular, ao Poder Local ou ao nosso importante trabalho nas autarquias. Trata-se sim de afirmar que se o Partido crescer e se organizar junto da classe operária e dos trabalhadores, elevando a sua consciência de classe a partir da luta concreta nas empresas e, a partir desta, forjar a sua consciência política, todas as outras áreas de participação e intervenção partidária no plano político, social e eleitoral, saem reforçadas.





O caminho que estamos a procurar percorrer




A definição das empresas e locais de trabalho prioritárias e/ou estratégicas para o trabalho do Partido, tenham ou não militantes organizados, a identificação dos responsáveis por cada uma delas, a responsabilização de, pelo menos 30% dos quadros funcionários do Partido por esta tarefa, como tarefa prioritária ou mesmo exclusiva, a constituição de organismos de direcção responsabilizando um número alargado de quadros pelo seu acompanhamento, o recrutamento de trabalhadores no activo, são alguns passos importantes no direccionar dos nossos esforços e meios.

No distrito de Lisboa foram definidas 272 empresas prioritárias/estratégicas, muitas com células a funcionar mas muitas outras onde a influência do Partido é fraca ou mesmo inexistente e nas quais é urgente construir Partido.



Os sectores profissionais, que abrangem as principais áreas dos Serviços da Região de Lisboa, com grande peso nos Serviços Públicos, e os Sectores de Empresas e Locais de Trabalho (formas de estruturação das Comissões Concelhias para o trabalho nas empresas), continuam a ser fundamentais no funcionamento regular e estimulante das células já existentes e na criação de novas células, no chamar de mais camaradas à participação, integrando-os em organismos com tarefas atribuídas, e no reforço de quadros que, apoiados e com a formação necessária, sejam capazes de dinamizar, criar e dar iniciativa própria a organizações de base no maior número possível de empresas e locais de trabalho. A VI Assembleia da Organização Regional de Lisboa definiu como objectivo criar organizações de base em mais 100 empresas e locais de trabalho e realizar Assembleia das organizações de base, sempre que possível, anualmente.



Em células de maior dimensão, é necessário, para melhor conhecer os problemas, as aspirações e reivindicações dos trabalhadores, estruturar a organização de acordo com as realidades existentes, formando núcleos, como foi o caso dos CTT, com a constituição de três núcleos; noutras empresas e locais de trabalho é necessário agrupar camaradas para pôr organizações de base a funcionar por área geográfica, como aconteceu com as empresas de Queluz de Baixo e Carnaxide; noutras ainda é a partir de distribuições de documentos gerais ou específicos do Partido e da venda do «Avante!» que se consegue contactar os trabalhadores e afirmar, numa primeira fase, a presença do Partido.

Particularmente importante é abrir espaço de intervenção do Partido em grandes concentrações de trabalhadores como as Grandes Superfícies, os Callcenter, a Portaria, Vigilância e Limpeza, a Construção Civil, entre outros. Estes são apenas alguns breves apontamentos sobre o trabalho no distrito de Lisboa. Mas as formas de organização do Partido nas empresas têm que partir sempre do conhecimento da realidade e dos condicionalismos existentes em cada uma delas, dos problemas com que se debatem os trabalhadores, do nível da sua consciência de classe e do estado da sua organização unitária.



A partir daqui, a melhor estrutura orgânica é aquela que, de forma eficaz, inovadora e dinâmica, ligue o Partido aos trabalhadores, às suas aspirações e reivindicações e os organize e mobilize para a luta contra a exploração e a opressão.

As decisões aprovadas pela VI Assembleia da ORL para reforço do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, a eleição para a DORL de mais quadros vindos das empresas, a renovação e o rejuvenescimento de alguns dos Organismos de Direcção dos Sectores Profissionais e dos Sectores de Empresas nos concelhos e a chamada aos executivos das Comissões Concelhias de mais camaradas ligados às empresas, são algumas das medidas que, estamos confiantes, se reflectirão num melhor acompanhamento da organização do Partido nas empresas, na abordagem mais regular dos problemas dos trabalhadores, na tomada mais rápida de posições públicas do Partido sobre eles, no pôr células a reunir com regularidade e na criação de outras, na distribuição de propaganda e venda do «Avante!» dentro ou à porta das empresas, no desenvolvimento das lutas e no reforço das estruturas unitárias representativas dos trabalhadores nas empresas.





Recrutamento – tarefa de todos os dias




A importância do recrutamento tem que ser traduzida em medidas concretas, com a definição de metas e a responsabilização de quadros, elaborando listas dos homens, mulheres e jovens que lutam ao nosso lado nas empresas, que aí se batem contra o patronato na defesa de melhores condições de vida, pela dignificação do trabalho e dos trabalhadores. Na VI AORL foi decidido lançar uma campanha de recrutamento, dirigida a operários e trabalhadores no activo, cujo objectivo é recrutar 1200 novos militantes.

Para alguns destes trabalhadores é determinante, para que se tornem militantes do nosso Partido, a demonstração de que a sua consciência das injustiças e desigualdades sociais assumirá uma outra dimensão e força se organizada neste grande colectivo partidário, que não se limita a lutar contra os flagelos sociais e todas as formas de exploração mas que tem como objectivo político construir uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem.



Todos contam para reforçar o Partido



Para o reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho, todos os militantes comunistas contam – quer os que estão integrados nas células, quer os que estando organizados no local de residência e têm uma ligação efectiva à célula, quer os que são apenas pontas de ligação ao Partido, quer os que são da JCP, quer os que mereceram a confiança dos trabalhadores e, juntamente com outros trabalhadores honestos e com consciência de classe, por eles foram eleitos como delegados sindicais e membros das CT’s, reforçando a partir daí, a presença de comunistas a todos os níveis da estrutura do movimento sindical unitário e do movimento das CT’s.

A coordenação do trabalho de todos estes camaradas e a inter-ajuda entre eles, independentemente das tarefas do Partido ou unitárias que lhes estão atribuídas, é fundamental para desenvolver a luta, alargar a influência política e social do Partido e afirmar os seus valores, ideais e projecto político junto dos trabalhadores.

O reforço orgânico do Partido junto da classe operário e dos trabalhadores em geral é urgente e possível, para um PCP mais forte.