Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 289 - Jul/Ago 2007

Contra o imperialismo - Solidariedade internacional da juventude!

por Miguel Madeira

Foi com este lema que se realizou, de 10 a 13 de Março, em Hanói, no Vietname, a 17.ª Assembleia da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), com a participação de cerca de 120 delegados em representação de 70 organizações juvenis de mais de 50 países de todo o Mundo.

A FMJD, constituída a 10 de Novembro de 1945, enquanto organização juvenil internacional de massas, anti-imperialista, progressista e democrática que reúne mais de cem organizações de dezenas de países, promove a unidade, cooperação, acção organizada, solidariedade e partilha de conhecimento e experiências trabalho e de luta das forças juvenis, assumindo um papel fundamental na luta contra o imperialismo, o fascismo, o colonialismo, a exploração e a guerra, pela paz, a independência e soberania nacionais, a solidariedade internacionalista, a transformação social, os direitos da juventude.

O êxito da 17.ª Assembleia, numa inequívoca reafirmação dos princípios, carácter e objectivos da FMJD, resultou muito da sua fase preparatória - profundamente democrática e colectiva, que gerou uma dinâmica muito interessante em termos da acção, envolvimento e mobilização das organizações. Prova disto foi a amplitude da discussão política que culminou com a aprovação, por unanimidade, dos documentos da assembleia. Também a reeleição da JCP, por unanimidade, para mais um mandato na Presidência da FMJD foi uma demonstração de grande confiança das organizações e o reconhecimento do trabalho desenvolvido.

Estes acontecimentos assumem maior destaque no quadro da evidente pretensão capitalista de criar uma nova geração sem direitos, de se instituir como único sistema possível à escala mundial e tentar esmagar quem lhe ouse fazer frente. É essencial para os capitalistas que não se organize, que não se questione, que não se ponha em causa, que não se pense, discuta ou reflicta, que não se lute, que não se conheçam as suas derrotas - que são as vitórias dos trabalhadores e dos povos -, que apenas se aceitem as coisas como nos querem apresentar, acomodados e resignados a uma história que não querem que tenha mais capítulos. Mas não chegámos ao fim da história e das ideologias, e a vida é prova disto. Apesar da ofensiva ideológica do capitalismo e do ataque cerrado aos partidos comunistas e organizações progressistas, às organizações de trabalhadores e de massas, a todos quantos aspiram e lutam pela transformação revolucionária da sociedade, as forças progressistas resistem, enfrentam, têm vitórias e fortalecem-se.

Pelos valores e ideais que defende, a FMJD é uma referência para o movimento juvenil anti-imperialista a nível mundial por todo o seu historial de luta, firmeza e convicções, e desempenha um papel fundamental para o seu reforço e na dinamização da luta e da elevação da consciência política e social da juventude. A sua ligação ao movimento juvenil é natural e decorre das características próprias das suas organizações. A ligação à realidade, problemas, lutas e conquistas da juventude é um aspecto indispensável ao desenvolvimento do trabalho da FMJD. As reivindicações, posições e opiniões da FMJD são o resultado da acção e reivindicações do movimento juvenil no seu todo porque a dinâmica, aspirações e luta do movimento juvenil e estudantil em cada país estão intimamente ligados à acção e intervenção da cada uma das suas organizações. A FMJD não é nem pode ser uma supra identidade que intervenha desligada da suas organizações e da realidade juvenil. São as organizações que através da construção colectiva de opinião, acção e intervenção fazem a FMJD e determinam as suas propostas e intervenção.

É com base nestas premissas que se tem desenvolvido o trabalho da FMJD, com um contributo empenhado da JCP, nomeadamente através do reforço das suas acções concretas. Valorizamos a regularidade no funcionamento dos seus órgãos no âmbito internacional e regional, a organização do seu arquivo histórico (1) , a realização de diversas campanhas temáticas, as visitas e missões de solidariedade, a intensificação do seu trabalho de informação e propaganda, as actividades em torno do 60.º aniversário da FMJD, a participação em diversas actividades das suas organizações, e a presença em diversos espaços internacionais promovendo as suas opiniões e propostas. A tudo isto acresce também o 16.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (2) , realizado em Agosto de 2005 em Caracas, Venezuela, sob o lema Pela paz e a solidariedade lutamos contra o imperialismo e a guerra!, em que participaram mais de 17 000 jovens de 144 países.

A este respeito importa realçar que este ano se celebra o 60.º aniversário do Movimento dos Festivais Mundiais da Juventude e dos Estudantes, iniciado em 1947, em Praga, na Checoslováquia. A ideia de se realizarem Festivais que reunissem delegados vindos do mundo inteiro, com o propósito de estreitar as relações de amizade entre a juventude, remonta à data da conferência fundadora da FMJD. Os laços de amizade criados ou reforçados entre a juventude mundial nos Festivais são um contributo fundamental para a unidade do movimento juvenil a nível internacional. A organização e a participação nos Festivais têm significado sempre o compromisso da juventude em lutar pela paz, a amizade e a solidariedade entre os povos, nos quais a Federação tem desempenhado um papel dinamizador imprescindível. Os Festivais contaram sempre com o empenho e participação da juventude portuguesa, mesmo no período da ditadura fascista no nosso país que proíbia e reprimia os jovens que neles participavam. Estes eventos desempenharam, neste período, um papel importantíssimo na denúncia do fascismo em Portugal e no reforço da luta contra a ditadura e o colonialismo português. Valorizamos muito justamente a solidariedade da FMJD com a luta e a resistência anti-fascista dos jovens portugueses e o contributo que deu para que os jovens de todo o mundo conhecessem e estivessem connosco nesta luta e festejassem connosco a Revolução de Abril.

É também de destacar que ao longo dos anos a juventude comunista portuguesa tem assumido a diversos níveis um compromisso claro com a FMJD, desde a sua fundação. Neste particular é de destacar o papel da JCP para a reafirmação da FMJD, mesmo nos momentos de maiores dificuldades, como em 1995, quando acolheu a 14.ª Assembleia da FMJD em Portugal, e posteriormente com as responsabilidades assumidas quando foi eleita Vice-Presidente em 1999 e assumiu a sua Presidência desde 2003 (3) .

Também em Portugal, quanto mais se reforçar a organização e intervenção da JCP junto da juventude portuguesa com as suas ideias, projecto e propostas, mais condições haverá para que a FMJD se reforce. O desenvolvimento da luta e o reforço da nossa acção diária nas escolas secundárias, universidades, fábricas, empresas e locais de trabalho, movimento associativo juvenil, é fundamental também no quadro do exercício da responsabilidade colectiva da JCP que representa a Presidência da FMJD, na promoção e valorização da FMJD e no reforço do carácter da luta anti-imperialista da FMJD junto das massas juvenis.

A intensificação e o reforço do trabalho internacional da JCP tem possibilitado o aprofundamento do nosso conhecimento e análise da situação internacional a diversos níveis, partilhando experiências de trabalho e de luta, aprofundando o nosso conhecimento sobre organizações e a situação política em vários países, trazendo um património de discussão e conhecimento extremamente rico e reforçando a cooperação e os laços de amizade, solidariedade e fraternidade deforma recíproca. A FMJD constituiu um espaço fundamental para o estabelecimento e reforço do relacionamento bilateral da JCP com organizações juvenis anti-imperialistas em diversos países do Mundo. Pautando-se este relacionamento por um enorme respeito pelas características próprias de cada organização de acordo com a sua realidade e de não ingerência no seus assuntos internos, a JCP tem procurado ter um papel de afirmação das suas próprias posições, tentando envolver todas as organizações nas discussões e decisões, no respeito pelo carácter da FMJD.

Tal como assinalado pelo Comité Central do PCP aquando do lançamento da acção geral de reforço do Partido «Sim, é possível! Um PCP mais forte» a luta desenvolve-se num plano internacional e nacional em que se aprofundam as tentativas do imperialismo de liquidar ou neutralizar as forças progressistas que se opõem ao seu projecto de domínio mundial. O ataque a conquistas democráticas e civilizacionais coloca reais dificuldades, objectivas e subjectivas, ao desenvolvimento da resistência e da luta. Mas apesar de todas as limitações e problemas, a realidade mostra que, num quadro político complexo, marcado por grandes dificuldades, é possível resistir e avançar. A 17.ª Assembleia da FMJD provou isso mesmo.

Jovens uni-vos, por uma paz duradoura!

Notas

(1) Ver artigo O Arquivo Histórico - Federação Mundial da Juventude Democrática, em O Militante, N.º 281 de Março/Abril de 2006.

(2) Ver artigos Em Agosto na Venezuela - Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em O Militante, N.º 275 de Março/Abril 2005 e O 16.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes - O reforço da luta anti-imperialista, em O Militante, N.º 279 de Novembro/Dezembro de 2005.

(3) Ver artigo 16.ª Assembleia da FMJD - Prioridade à luta pela paz e contra o imperialismo, em O Militante, N.º 264 de Maio/Junho de 2003.