Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 291 - Nov/Dez 2007

Fiéis aos ideais de Outubro

por Revista «O Militante»

Com o destacável «Viva a Revolução», O Militante completa um ciclo de trabalhos que ao longo de todo o ano dedicou à primeira revolução proletária vitoriosa e à experiência pioneira de construção de uma sociedade socialista. Mas o tema continuará a merecer a atenção de O Militante. A reflexão, a investigação e o debate sobre as vias para a superação revolucionária do capitalismo e as experiências históricas do socialismo, são da mais flagrante actualidade.



A evocação da Revolução de Outubro é desde logo um elementar exercício de memória perante um acontecimento maior da história do movimento operário, fundador do movimento comunista internacional e inaugural de uma nova época da história da Humanidade. Por outro lado, as sistemáticas campanhas contra a Revolução de Outubro e as experiências do socialismo, obrigam os comunistas a uma luta permanente em defesa da verdade histórica. Mas a importância do tema tem muito mais que ver com o futuro que com o passado; este interessa fundamentalmente porque confirma as teses centrais do pensamento marxista, mostra o caminho revolucionário em que é necessário persistir e encerra ensinamentos de grande valor para a luta presente dos comunistas e para o seu projecto emancipador.

Os revolucionários que se lançaram no empreendimento inédito de Outubro estavam armados com a teoria de Marx e Engels que Lénine genialmente desenvolveu, dispunham de um sólido partido de vanguarda, apoiavam-se num proletariado experimentado e decidido a transformar profundamente a sociedade para alcançar a paz, a terra e o pão. Mas quanto a quase tudo o mais foram audaciosos e heróicos protagonistas de um empreendimento sem precedentes de colossais dimensões. A avaliação das causas das derrotas do socialismo na URSS e no Leste da Europa não pode ignorar esta realidade. Noventa anos volvidos sobre as gloriosas jornadas de 7 de Novembro as responsabilidades dos comunistas são bem maiores pois têm à sua disposição um manancial de experiências de processos concretos de edificação da nova sociedade antes desconhecidos dos comunistas russos. E sendo a alma do marxismo-leninismo a análise concreta da situação concreta é necessário prosseguir a investigação e o exame desse rico património acumulado, tanto em países onde a contra-revolução acabou por triunfar, como lá onde os comunistas continuam no poder e a colocar como tarefa e objectivo a construção de sociedades socialistas.

Simultaneamente é necessário aprofundar a análise do capitalismo contemporâneo, das suas velhas e novas contradições, dos contornos concretos de que hoje se reveste a sua crise quando a centralização e concentração do capital e da riqueza atinge níveis nunca vistos e se alarga extraordinariamente o campo das forças objectivamente interessadas na liquidação do poder dos monopólios e do imperialismo.

Com o desaparecimento da URSS não se modificou a natureza exploradora e agressiva do capitalismo, sistema que não só confirma a sua incapacidade para resolver os problemas dos trabalhadores e dos povos como põe em perigo a própria Humanidade.

A actualidade e a necessidade do socialismo são maiores do que nunca. O destino das teorias sobre o «fracasso» da Revolução de Outubro, da «morte» do comunismo ou do «declínio irreversível» do movimento comunista é cada vez mais visivelmente o caixote do lixo da História. A correlação de forças é desfavorável às forças do progresso social e da paz. O imperialismo está na ofensiva e o campo das forças revolucionárias encontra-se ainda muito enfraquecido. Mas é também muito forte a resistência e grandes as potencialidades de desenvolvimentos progressistas e mesmo revolucionários. Nesta situação contraditória, marcada pela instabilidade e a incerteza, o principal é manter a confiança nos valores e ideais do socialismo e do comunismo e, cuidando permanentemente da construção do partido de vanguarda e da sua ligação com as massas, persistir no projecto de uma sociedade socialista.



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Da «Cantata» de Prokofiev à exposição do Pavilhão Central e ao discurso do Secretário-Geral do Partido no grande e combativo comício de domingo, a homenagem à Revolução de Outubro ocupou na Festa do «Avante!» um lugar de grande relevo. Mas é justo afirmar que se a nossa Festa foi aquele imenso mar de gente, de fraternidade, confiança e alegria de viver, é porque, pela mão do Partido, que ano após ano a ergue com entusiasmo, nela vivem os valores e ideais de Outubro.

A Festa do «Avante!» foi um grande êxito do Partido, com grande repercussão nacional e mesmo internacional, uma nova edição, ao mesmo tempo «diferente» e «igual» a todas as outras.

«Diferente» porque em cada ano a Festa é um acto concreto de criação colectiva do grande colectivo partidário que é o PCP, empenhado em fazer sempre melhor, e porque diferentes são as circunstâncias sociais e políticas da sua realização.

«Igual», porque sempre massiva, popular, alegre, colorida. «Igual» porque espaço único de liberdade, de confraternização e amizade, de fruição lúdica, artística e cultural, de participação e descoberta. «Igual» porque sempre impregnada de um ambiente de partilha fraternal, de onde se desprende uma mensagem serena de confiança na possibilidade de mudar a vida, de recusa ao conformismo e à dura e triste rotina de um dia-a-dia talhado à medida do capital, de convite à intervenção, à resistência e à luta.

Uma Festa que encanta sempre tanto camaradas e amigos do Partido como todos quantos, não sendo comunistas nem deixando à porta as suas opiniões e convicções pessoais, nela participam de coração aberto aos melhores valores que a Festa representa. Que consegue vencer ideias feitas e preconceituosas em relação aos comunistas, à Festa, ao PCP.

Uma Festa que cada ano é alvo do silenciamento, da deformação e do ataque por parte das forças do capital e da comunicação social dominante, ataque que este ano atingiu níveis de excepcional gravidade, precisamente porque, sendo o que é – expressão da capacidade de organização e da criatividade dos comunistas e, sobretudo, da adesão e apoio popular genuíno que suscita – é algo que incomoda e assusta o capital e seus serventuários.

Amada pelos trabalhadores e pelo povo que nela se sente bem e se revê, hostilizada e perseguida pelas classes dominantes, a Festa do «Avante!» é uma festa única, inigualável no país e no estrangeiro, pela simples razão de que é a Festa do PCP, «o partido com paredes de vidro», um partido de classe, que se organiza democraticamente e vive como um grande colectivo solidário, de homens e mulheres unidos pelos generosos ideais do socialismo e do comunismo. Um grande colectivo que luta desinteressadamente pelos interesses dos trabalhadores, que afirma com convicção o Programa e a orientação do Partido mas respeitador de outras convicções democráticas e de outras mundividências que respeitem as suas, que encontra na construção militante da Festa, como na realização de outras tarefas partidárias, a alegria do trabalho criador e a satisfação do dever cumprido.

A Festa do «Avante!», tudo quanto nela se expressa de mais humanista e libertador é em certa medida um espelho do tipo de sociedade a que aspiram os comunistas portugueses e das relações sociais – livres, igualitárias, solidárias, felizes – da nova sociedade, socialista, por que lutam.

Aqueles que escondem e caluniam a nossa Festa, aqueles que a querem prejudicar e impedir, sabem bem o que ela representa, não apenas para fazer recuar e derrotar o anti-comunismo, mas para atrair as grandes massas para as propostas e para o Programa do PCP.

A melhor resposta que podemos dar aos nossos inimigos e adversários é defender e valorizar a nossa Festa magnífica e perseverar naquilo que a torna possível: o reforço do Partido com a sua natureza de classe e identidade comunista e a sua fidelidade aos ideais de Outubro.