Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

PCP, Edição Nº 291 - Nov/Dez 2007

A Greve Geral no Porto - Luta e esclarecimento

por Ana Valente

As grandes jornadas de luta dos dias 12 de Outubro e 2 de Março, bem como a de 28 de Março, da Interjovem, contra a precariedade, entre muitas outras lutas sectoriais, ajudaram a fazer da Greve Geral de 30 de Maio, convocada pela CGTP-IN, uma grandiosa jornada.

A resposta dos trabalhadores foi enorme, apesar das muitas pressões exercidas pelo Governo e pelo patronato. Se não vejamos: foram as atribuições de prémios em algumas empresas; foi a pretensão do Governo de conhecer previamente listas de grevistas na Função Pública; requisições de serviços mínimos (que quase eram máximos). Mesmo assim, correspondendo ao apelo da CGTP-IN, mais de um milhão e 400 mil trabalhadores estiveram em greve no dia 30 contra as políticas do governo PS, o qual tem apostado no encerramento, privatização de serviços públicos e na diminuição dos salários. Para continuar com esta política aparece agora a flexigurança, que em tudo aumenta a insegurança no trabalho, ou seja, coloca os trabalhadores em situação ainda mais precária e com falta de qualidade de vida, sempre disponíveis para os patrões mesmo que com prejuízo da sua vida familiar.

O Partido esteve envolvido nestas acções, ao lado dos trabalhadores, esclarecendo-os sobre os malefícios que as políticas de direita deste Governo trazem aos seus direitos e ao seu bem-estar pessoal e familiar.

No distrito do Porto várias foram as organizações do Partido (locais, de empresa e sectores) que saíram com documentos a apelar à Greve Geral, com distribuições nos locais de trabalho, ruas, cafés, grandes superfícies, e em todas essas acções de contacto se notava a sensibilidade das pessoas para os objectivos da greve, recebendo-nos com grande afecto, carinho e entusiasmo.

A batalha do esclarecimento e contacto foi travada pelos camaradas com confiança, apesar dasde silenciar a greve, com a retirada de propaganda (como aconteceu em Gaia e no Porto, onde os Presidentes da Câmara mandaram retirar a propaganda que apelava à greve logo no dia a seguir a esta ter sido colocada), a identificação de camaradas, etc. Mas, como os nossos braços não caíram, a persistência foi superior a todos esses atentados a direitos democráticos fundamentais. várias tentativas

Apesar do grande número de trabalhadores em situação precária, vários foram os que aderiram à Greve Geral, como aconteceu na EDP com os trabalhadores a recibo verde, que inclusivamente participaram no esclarecimento e em piquetes de greve e garantiam, muitos deles, que hoje voltariam a engrossar as fileiras da greve.

Houve várias adesões ao Partido, como no Jumbo, na Barbosa & Almeida, na Função Pública, entre outras, porque foram muitos os trabalhadores que reconheceram quem é que defende os seus direitos. Esta greve deixou bons indicadores para o crescimento e o reforço do Partido nos locais de trabalho, batalha esta que deve ser travada diariamente e ser tarefa de todos os camaradas.

Para quem no dia a seguir se confunde (como o BE e o seu discurso derrotista), devemos lembrar uma vez mais que foram mais de 1 milhão e 400 mil os trabalhadores envolvidos na greve do dia 30 de Maio, e que nesta grande jornada muitos outros despertaram para a luta e tomaram consciência da necessidade de defenderem os seus direitos.

Vários foram os jovens que pela primeira vez aderiram a tão grande jornada, por exemplo os trabalhadores da Quimonda que lutaram contra a aplicação das 12 horas de jornada de trabalho.

À UGT, que tudo fez para defender os interesses do governo PS, serão necessariamente exigidas responsabilidades pela venda dos direitos dos trabalhadores. É que foram muitos os que ficaram mais atentos e esclarecidos, se dúvidas ainda houvesse, sobre quem é de facto a grande central sindical representativa dos trabalhadores portugueses, a CGTP-IN.

A luta contra as nefastas políticas de direita continuaram no dia 5 de Julho, em Guimarães. Milhares de trabalhadores, vindos de todo o país, invadiram as ruas desta cidade, numa demonstração de que a luta irá continuar. Foram vários os momentos de afecto e de solidariedade por parte dos cidadãos de Guimarães, que ofereciam água aos manifestantes, encorajando-os a prosseguir a luta.

Uma luta que prosseguiu no dia 12 de Julho, em Lisboa, com centenas de trabalhadores da Administração Pública em protesto contra a política de desmantelamento do sector levada a cabo pelo Governo.

A hora continua a ser de luta e de esclarecimento, os direitos dos trabalhadores são e continuarão a ser defendidos.

 

(Este artigo, escrito em Julho, só agora pôde ser publicado).