Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 292 - Jan/Fev 2008

2008 Ano do XVIII Congresso do PCP

por Revista «O Militante»

Na sua reunião de 14 e 15 de Dezembro, o Comité Central decidiu marcar o XVIII Congresso do PCP para os dias 29 e 30 de Novembro e 1 de Dezembro de 2008. Trata-se de uma decisão que vai marcar profundamente a actividade dos comunistas portugueses ao longo do ano, pois implicando o envolvimento de todo o colectivo partidário na preparação e realização do Congresso exige, simultaneamente, um grande empenho na resistência à ofensiva do Governo do PS e na luta por uma alternativa ao serviço dos trabalhadores e do povo.



O PCP concebe a reunião do órgão supremo do Partido como o natural culminar de um processo democrático de discussão e consulta em que são chamados a participar todos os organismos e militantes. Mas aprofundando o estudo da realidade social e política nacional e da situação internacional, fazendo o balanço crítico e autocrítico da sua actividade desde o Congresso anterior, apurando orientações e linhas de intervenção, o Partido não se fecha sobre si próprio, volta-se para fora, para a sociedade, para os trabalhadores, para as massas. É esse o modo de estar na vida política do PCP, um estilo de trabalho exigente que implica um apurado trabalho de Direcção e grande tensão de esforços mas que, como a experiência mostra, é a melhor garantia do acerto das análises e decisões partidárias.



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A gravidade da situação política e social e as exigências da luta conferem ao XVIII Congresso do PCP uma particular importância e a sua preparação e realização, num contexto de crescente ataque às liberdades e descriminação anticomunista, apresenta sem dúvida grandes exigências. Mas o PCP estará uma vez mais à altura das suas responsabilidades. Os comunistas portugueses partem para o seu Congresso reconhecendo atrasos e deficiências a superar mas conscientes da força e do papel insubstituível do seu Partido na sociedade portuguesa e dos progressos registados desde o XVII Congresso nos terrenos da organização, da iniciativa política, da ligação aos trabalhadores e às massas, do conhecimento da realidade nacional e internacional, na elaboração de uma política alternativa. Com a realização de numerosas Conferências, Encontros, Debates, Seminários, Audições, o Partido tem à sua disposição um rico património de elaboração colectiva que representa em si mesmo um valiosíssimo contributo para a preparação do XVIII Congresso.



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A realização da Conferência Nacional do PCP sobre questões económicas e sociais reveste-se de uma particular importância. Tendo como referência central o Programa do Partido para uma Democracia Avançada, a Resolução Política do XVII Congresso e também a própria Constituição da República – que apesar de sucessivas revisões desfiguradoras constitui um instrumento da maior importância no combate às políticas de direita – a Conferência dotou o Partido com uma análise actualizada e aprofundada da situação económica e social do país e com um conjunto articulado de propostas e medidas para uma política alternativa que, rompendo com mais de trinta anos de políticas de restauração do poder dos monopólios e de submissão ao imperialismo, imprima ao nosso país um novo rumo ao serviço do bem-estar do povo português. É agora necessário levar as decisões da Conferência às massas, articular a sua divulgação com a acção quotidiana do Partido em defesa dos interesses dos trabalhadores e demais classes e camadas atingidas pela acelerada política de exploração e concentração capitalista, inserir as propostas na campanha «Basta de injustiças, por uma vida melhor», no esclarecimento e combate às alterações ao Código de Trabalho, na luta contra o tratado da União Europeia e pela realização de um referendo vinculativo, contra a destruição dos serviços públicos e em defesa do regime democrático. É necessário fazer um grande esforço para romper com a densa cortina de silêncio que se abateu sobre a Conferência Nacional e mostrar que o PCP é portador de um projecto alternativo capaz de dar solução aos mais urgentes e candentes problemas do povo e do país e encaminhar Portugal pelo caminho de um desenvolvimento soberano, de progresso e de justiça social.



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A reunião do Comité Central de 14 e 15 de Dezembro, que aponta as grandes linhas de intervenção e os principais marcos do calendário do Partido, mostra que entramos o novo ano com grandes desafios no horizonte. Mas o PCP é uma força revolucionária que não se atemoriza com as dificuldades, de sólidas convicções, temperada em muitos e duros combates, que confia nos trabalhadores e na força da sua luta organizada, que sabe que a chave da alternativa à grave situação em que mais de trinta anos de políticas de recuperação monopolista e de submissão ao imperialismo mergulharam o país, reside no reforço da luta de massas e no fortalecimento da sua organização e da sua ligação aos trabalhadores. Para fazer frente à ofensiva do governo do PS e desmascarar as manobras do PSD e o conluio entre o PS e o PSD em todas as questões fundamentais – da ofensiva contra os trabalhadores às leis eleitorais, das privatizações à submissão aos ditames de uma U.E. que o novo tratado torna ainda mais neoliberal, federalista e militarista – é necessário voltar ainda mais o Partido para fora, enraizá-lo ainda mais nas empresas e locais de trabalho, agir ainda mais intensamente para generalizar o protesto e a luta. Ao mesmo tempo é necessário prosseguir e persistir nas tarefas de construção e reforço da organização do Partido. A entrevista do camarada Jerónimo de Sousa, que O Militante publica neste primeiro número do ano, constitui um valioso instrumento para o intenso trabalho que os quadros e militantes comunistas têm diante de si.



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Concentrando forças nas batalhas no plano nacional, o PCP está consciente que a luta do povo português é parte integrante da luta de todos os povos do mundo e continuará a dar o seu melhor para o fortalecimento do movimento comunista internacional e da frente anti-imperialista. A situação internacional está carregada de incertezas e perigos. O imperialismo continua na ofensiva e o campo das forças progressistas e revolucionárias não venceu ainda a dispersão e debilidades que assinalamos no XVII Congresso. Os tempos são ainda fundamentalmente de resistência e de acumulação de forças. Simultâneamente cresce a resistência dos povos e verificam-se importantíssimas afirmações de soberania e processos de desenvolvimento progressista e revolucionário que devemos valorizar, mesmo quando, como é inevitável, se verifiquem recuos e derrotas temporárias. O caminho da revolução é acidentado, com avanços e recuos, vitórias e derrotas. Mas o sentido da História é o socialismo. Essa é uma certeza que as celebrações do 90.º aniversário da Revolução de Outubro sublinharam, certeza que está inscrita na própria natureza do capitalismo e na crise estrutural do sistema de que a actual crise financeira com epicentro nos EUA é expressão.

É com esta convicção que partimos para os combates deste novo ano que agora se inicia e para a realização do nosso XVIII Congresso. 







O Militante



A acção de promoção de O Militante lançada em Maio com o DVD «A Mãe» de V. Pudovkin teve resultados positivos. O número de assinantes aumentou cerca de 20%. É maior a compreensão da importância que O Militante desempenha/pode desempenhar na ..vida do Partido, mas é necessário prosseguir o esforço para a sua divulgação.

Um bom ano de 2008, camaradas! Com ainda maiores progressos de difusão da imprensa do Partido.





Errata



No n.º 291 de O Militante, o trabalho biográfico sobre Pires Jorge, na página 20, contém um erro: em 1949 deu-se efectivamente a prisão de Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro, mas não de José Gregório.