Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 293 - Mar/Abr 2008

Tarefa fundamental - A formação de quadros

por Maria da Piedade Morgadinho

«Sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário» - quais de nós, ao longo da sua vida partidária, não repetiu vezes sem conta esta conhecidíssima frase de Lénine valorizando a importância da teoria?



Mas, também, quantos de nós, se recorrermos àquele princípio tão importante, e por vezes esquecido, da nossa salutar e revolucionária prática comunista, a autocrítica, nos interrogamos por vezes se fizemos precisamente tudo o que estava ao nosso alcance para conhecer mais e tornar mais conhecida pelos militantes do nosso Partido a sua base teórica – o marxismo-leninismo, um dos traços da sua identidade?

Não com o objectivo de simplesmente fazer decorar pelos quadros do Partido as suas principais teses e conclusões. Mas sim, no sentido de fazer perceber a sua essência, a justeza dos ideais comunistas e o seu profundo humanismo, aprender a aplicá-los na prática, quer na resolução das tarefas concretas fundamentais da luta revolucionária, quer, por vezes, na resolução dos problemas mais comezinhos do nosso quotidiano de comunistas dentro e fora do Partido. E o que é muito importante, combatendo simultaneamente tanto tendências para uma politização abstracta como para um praticismo sem perspectivas.

Se é correcto e posição de princípio do nosso Partido considerar que a estreita ligação com a classe operária e as massas, a actividade voltada para as massas, a par da participação na vida democrática interna do Partido, constituem a mais rica escola de quadros, é igualmente correcto, e não pode deixar margem a dúvidas, a importância que nos deve merecer o estudo em geral e, em particular, o estudo do marxismo-leninismo.

Ter gosto e interesse em ler, estudar, ampliar e aprofundar continuamente os nossos conhecimentos, estimular e incentivar essa prática entre os nossos militantes, ajudando-os com a criação de condições para isso – é uma atitude revolucionária, é uma exigência que decorre da nossa própria condição de comunistas, do papel que tem o nosso Partido na sociedade portuguesa. É uma necessidade da nossa luta. Luta que é cada vez mais difícil, mais complexa e que nos coloca a cada passo novos desafios, novos problemas a que temos de dar resposta. Uma luta que exige cada vez mais dos quadros do Partido uma elevada preparação política e ideológica de modo a não se deixarem enredar nas malhas da propaganda dos nossos inimigos de classe e das concepções oportunistas.

Depois de alguns anos de reais dificuldades relativas à realização e frequência dos cursos de formação política e ideológica, centrais e regionais, decorrentes de variadíssimos factores objectivos e subjectivos, relacionados tanto com a situação política nacional e internacional como com dificuldades existentes no nosso trabalho, particularmente no plano orgânico e, também, devido a incompreensões e subestimação do estudo e dos cursos que ainda subsistem em alguns quadros e organizações a vários níveis de responsabilidade – a viragem que conseguimos imprimir à situação que registávamos, e que começou a melhorar sensivelmente a partir do XIV Congresso, é, indiscutivelmente, um forte incentivo ao prosseguimento e desenvolvimento futuro desta nossa tão importante actividade.

Inverter a situação em que nos encontrávamos imprimindo-lhe uma nova dinâmica não foi tarefa fácil. Só foi possível graças ao alargamento e aprofundamento da discussão, à sensibilização dos quadros a diferentes níveis de responsabilidade e às medidas concretas aprovadas centralmente.

A vida, a história, a experiência do nosso Partido ensinam-nos que quando se tomam medidas adequadas e se luta pela sua concretização na prática, o trabalho desenvolve-se e avança.

A Resolução Política do nosso XVII Congresso, realizado em 2004, no seu capítulo 4, «O Partido», abordando a questão dos quadros e referindo-se à sua formação destaca:

«A formação dos quadros e a elevação do nível político e ideológico dos militantes exigem, ao mesmo tempo, o estudo individual, a leitura da imprensa e dos documentos fundamentais do Partido, o estudo do marxismo-leninismo, o estudo de questões nacionais, regionais, de sectores de actividade, a participação regular na actividade partidária, em reuniões, assembleias, encontros, conferências, seminários, debates e outras iniciativas, a frequência de cursos políticos que se têm revelado um precioso auxiliar em estreita ligação com a realidade, a experiências e as tarefas práticas do Partido».

E ao apontar as direcções fundamentais da formação de quadros, a Resolução Política do XVII Congresso sublinha:

«– reforçar o trabalho de formação política e ideológica dos quadros, seja pelo incentivo ao estudo individual seja pela frequência de cursos políticos procedendo à utilização intensiva da escola do Partido, à ampliação e renovação do colectivo de formadores, à revisão de programas e textos de apoio, à actualização de métodos pedagógicos, à implementação de novos cursos e iniciativas de formação ideológica que vão ao encontro das necessidades e do reforço do Partido.»

Após a realização do Congresso e com o objectivo de levar à prática as suas decisões, o Comité Central aprofundou as questões relacionadas com o reforço do Partido em todos os aspectos da sua actividade e aprovou importantes medidas.

Relativamente à preparação dos quadros do Partido e à promoção de cursos de formação política e ideológica, tiveram um papel decisivo as Resoluções do Comité Central de 11 e 12 de Novembro de 2005 e de 12 e 13 de Janeiro de 2007 sobre questões de organização e reforço do Partido.

Essas Resoluções aprovaram como metas para 2006 e 2007 o envolvimento, respectivamente, de 600 e 1000 militantes em cursos de vário tipo e diferentes iniciativas de formação, quer no plano central (Escola do Partido), quer no plano das organizações, metas que foram largamente superadas.

Os cursos e outras acções de formação política e ideológica envolveram em 2006 mais de 750 camaradas e em 2007 mais de mil.

É justo destacar que para se terem atingido estes resultados tiveram um papel importante, entre as várias medidas que foram tomadas, os cursos de preparação de dezenas de monitores que se realizaram em 2006 e 2007, assim como alargamento do colectivo de camaradas que assegura a realização dos cursos centrais na Escola do Partido.

Na sua reunião de 14 e 15 de Dezembro de 2007, o Comité Central decidiu convocar para 29 e 30 de Novembro e 1 de Dezembro de 2008 o XVIII Congresso do Partido.

Momento ímpar na vida do Partido, a preparação do Congresso, à semelhança dos anteriores e como vem sendo prática normal da nossa vida partidária, vai mobilizar milhares e milhares de camaradas para a análise e discussão das questões essenciais da vida nacional e internacional, da actividade, vida e luta do Partido e das direcções fundamentais para a nossa acção futura.

A participaçao na preparação e realização do Congresso vai dar, indiscutivelmente, um valioso contributo para a elevação do nível político e ideológico dos nossos militantes, será uma autêntica escola de quadros. E as decisões que aí forem colectivamente aprovadas, relativamente à formação dos quadros do Partido, assumirão, sem dúvida alguma, um importante significado para desenvolvermos ainda mais a nossa actividade neste campo, elevando-a a níveis quantitativos e qualitativamente novos.

Transformar os conhecimentos adquiridos quer em cursos ou outras iniciativas específicas de carácter político e ideológico em guia de acção para responder às exigências e aos problemas que a luta diária nos coloca hoje, e colocará amanhã, é o objectivo central que nos move.

Estamos convictos que as sementes que lançarmos hoje darão os seus frutos amanhá.