Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Karl Marx, Edição Nº 294 - Mai/Jun 2008

Karl Marx e o nosso tempo

por Álvaro Cunhal

Extracto da intervenção de Álvaro Cunhal na Conferência Científica Internacional, Berlim (RDA), 13 de Abril de 1983 1



Com a elaboração dos fundamentos do materialismo dialéctico e do materialismo histórico, com as suas descobertas no domínio da filosofia e da economia, Marx, em estreita colaboração com Engels, deu à classe operária, aos povos, a todas as forças do progresso, um poderoso instrumento de  análise e uma arma de luta e combate.

As causas profundas da evolução da sociedade tornaram-se conhecimentos científicos com as descobertas de Marx sobre o carácter fundamental de base económica, a interacção das infra-estruturas e das superestruturas e o papel da luta de classes.

O desenvolvimento e o carácter transitório do capitalismo e a passagem ao socialismo revelaram-se como inevitabilidades históricas com a descoberta das leis do modo de produção capitalista, designadamente da mais-valia e da acumulação, e do papel da classe operária, força motora da liquidação do capitalismo e da construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.

E porque, no mundo actual, estão presentes profundas transformações revolucionárias que comprovam as descobertas e as teorias de Marx, pode dizer-se que a própria realidade do mundo em que vivemos constitui uma homenagem objectiva universal ao fundador do socialismo científico.



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Pelo caminho descoberto, indicado e iniciado por Marx, os trabalhadores e os povos do mundo alcançaram vitórias de alcance histórico.

Sob a direcção de Lénine e do Partido Bolchevique, a Revolução de Outubro foi a primeira grande comprovação e verificação histórica da análise de Marx sobre a evolução do capitalismo, a inevitabilidade da sua destruição e da construção da nova sociedade sob a direcção da classe operária.

O marxismo foi extraordinariamente enriquecido pela experiência da revolução russa, pela criação de um partido de novo tipo e pelo desenvolvimento teórico do marxismo levado a cabo pelo gigantesco trabalho de Lénine, como pensador e como revolucionário, nas novas condições da fase imperialista do capitalismo e das revoluções socialistas triunfantes.

Marxismo e leninismo são inseparáveis. Incessantemente enriquecido pelas novas experiências e pela constante elaboração teórica do movimento revolucionário, o marxismo-leninismo tornou-se o guia para a acção das forças políticas e sociais determinantes da época actual.



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De Marx e Lénine até aos dias de hoje, transformações profundas se deram  no mundo. Criou-se e alarga-se o campo socialista que desempenha papel determinante na revolução mundial. O desenvolvimento do capitalismo, a construção do socialismo e o processo revolucionário mundial revelaram fenómenos novos e imprevistos, irregularidades e originalidades que exigem quotidianamente uma análise aprofundada.

O marxismo-leninismo é a refutação de quaisquer dogmas, de ideias cristalizadas, de fórmulas que ignorem e se sobreponham às situações concretas, da cópia e aplicação mecânica e acrítica de ensinamentos e experiências.

A vida tem mostrado que quem abandone o marxismo-leninismo não ganha novas possibilidade de um trabalho teórico criativo, de uma acção revolucionária inovadora, antes se priva da base fundamental e de um instrumento indispensável para a criatividade da teoria e na acção revolucionária.

Os marxistas-leninistas sabem que a história tem comprovado passo a passo tanto a necessidade de considerar as situações concretas e os novos fenómenos como a realidade de leis da evolução social e a validade universal de grandes experiências históricas.

Sabem que toda a evolução social progressista do século actual se deu e continua a dar-se no seguimento de um processo histórico em que a Revolução de Outubro e a construção do País dos Sovietes se mantém num papel propulsor.

O avanço teórico e prático só se alcança prosseguindo, desenvolvendo e enriquecendo criativamente o marxismo-leninismo na base dos novos conhecimentos científicos, da análise dos novos fenómenos sociais, da assimilação da experiência internacional acumulada e com a própria experiência, a própria luta e a própria investigação.

O marxismo-leninismo mostra dia a dia na vida a sua dinâmica histórica renovadora.

Contra as previsões daqueles que afirmavam que o marxismo-leninismo estaria envelhecido, esgotado, condenado a um campo geográfico cada vez mais restrito no mundo, os países cada vez mais numerosos que constroem a sociedade do homem libertado da exploração têm no marxismo-leninismo a teoria inspiradora da análise das situações concretas e da busca de soluções adequadas.

Constitui uma nova consagração histórica da validade universal das ideias de Marx e Lénine o facto de que forças políticas dirigentes de uma série de países que conquistaram a independência chegaram a três conclusões fundamentais: que não é o desenvolvimento capitalista mas o desenvolvimento socialista que pode assegurar a sua independência; que para a construção do socialismo é necessária uma força política de vanguarda capaz de orientar a construção da nova sociedade; e que só o marxismo-leninismo pode dar a base científica para a análise da situação e para encontrar a solução dos problemas.

O marxismo-leninismo ilumina o caminho da luta e da transformação social em todos os continentes. Tendo ganho as massas, tornou-se de facto uma força material na luta dos povos e na transformação do mundo.



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Para um partido da classe operária, para um partido marxista, comemorar o centenário da morte de Karl Marx é pôr em relevo a natureza, o significado, o desenvolvimento, a contribuição para a transformação do mundo da obra do fundador do socialismo científico. É também empenhar as suas capacidades e energias para cumprir as tarefas nacionais e internacionais de acordo com as condições concretas do seu próprio país.

Nós, comunistas portugueses, comemoramos o centenário da morte de Marx com diversas iniciativas. Comemoramo-lo também com a luta que travamos em Portugal sob a inspiração criadora do marxismo-leninismo.



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Nós, comunistas portugueses, assim como defendemos, no nosso próprio país, a unidade de todos os democratas e patriotas, assim defendemos, na esfera internacional, a unidade de todas as forças anti-imperialistas e a participação em iniciativas comuns ou convergentes das mais variadas e vastas forças sociais, políticas e religiosas na luta em defesa da paz mundial.

Por isso, é com profunda satisfação que vemos aqui reunidos nesta grande conferência de comemoração do centenário da morte de Karl Marx não apenas partidos comunistas e operários, mas também outras forças progressistas e democráticas, que saudamos amistosamente.

Para os marxistas-leninistas, os deveres internacionais são inseparáveis dos deveres nacionais. É certo que a mais importante contribuição que um partido comunistas pode dar para a luta dos trabalhadores e dos povos dos outros países, para a luta mundial pela democracia, a independência nacional, o socialismo e a paz é conseguir pela sua luta modificações políticas e sociais positivas no seu próprio país. Assim, consideramos que o povo português, a par da luta de massas com os objectivos comuns a todos os povos na defesa  da paz, deu também uma contribuição à causa da paz alcançando com a sua luta a demissão do governo reaccionário, que se aprontava para tornar Portugal uma base e um instrumento da política agressiva do imperialismo norte-americano.

Mas a par da acção no plano interno é necessário e urgente reforçar a acção internacional comum com objectivos comuns.

O marxismo nasceu profundamente vinculado a uma visão global da sociedade e do mundo contemporâneo, à descoberta da identidade de interesses e objectivos fundamentais da classe operária de todos os países, à descoberta de um processo mundial conduzindo à liquidação do capitalismo e à construção da sociedade socialista e comunista.

Entre os laços internacionais de solidariedade e cooperação existentes no mundo actual entre forças sociais e políticas muito diversas, sobressaem os laços de solidariedade que têm a sua raiz profunda nos interesses, aspirações,  objectivos e missão histórica do proletariado.

Por isso nós, comunistas portugueses, defendemos o reforço das relações de  solidariedade activa entre os trabalhadores de todos os países.

Por isso defendemos a cooperação e a solidariedade recíproca entre as grandes forças de transformação social do mundo contemporâneo: a URSS e outros países socialistas, o movimento operário dos países capitalistas, o movimento de libertação nacional e os países progressistas.

Por isso procuramos dar e continuaremos a dar a nossa contribuição activa para a unidade dos partidos comunistas e operários na base do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário, assim como para a unidade de todas as forças anti-imperialistas, democráticas e amantes de paz.

É este o espírito que nos anima ao comparticiparmos nesta grande conferência comemorativa do centenário da morte de Karl Marx.  

O PCP tem como base teórica o marxismo-leninismo: concepção materialista e dialéctica do mundo, instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos, situações, processos e tendências de desenvolvimento. Em ligação com a prática e com o incessante progresso dos conhecimentos, esta concepção do mundo é necessariamente criadora e, por isso, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais.

 

(Estatutos do PCP, Artº. 2º)

 

 


Londres, 5 de Março de 1852





«[...] No que me diz respeito, não me cabe o mérito de ter descoberto nem a existência das classes na sociedade moderna nem a sua luta entre si. Muito antes de mim, historiadores burgueses tinham exposto o desenvolvimento histórico desta luta de classes, e economistas burgueses a anatomia económica das mesmas. O que de novo eu fiz, foi: 1. demonstrar que a existência das classes está apenas ligada a determinadas fases de desenvolvimento histórico da produção; 2. que a luta das classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado; 3. que esta mesma ditadura só constitui a transição para a superação de todas as classes e para uma sociedade sem classes. [...]»



Carta de Marx a Joseph Weydemeyer, Obras Escolhidas de Marx e Engels, Tomo I, Edições «Avante!», 1985, pág. 555.