Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 295 - Jul/Ago 2008

A luta é o caminho!

por Revista «O Militante»

Na evolução do quadro político e social português dos últimos meses são de destacar alguns traços fundamentais: o agravamento da situação económica e social com o brutal aumento do custo de vida; a intensificação da acção de massas com o rápido alargamento do protesto e da luta a camadas intermédias, também elas duramente atingidas pelo grande capital; o generalizado reconhecimento da existência de problemas sociais gravíssimos, mesmo se, como frequentemente acontece, esse reconhecimento releva do oportunismo e da demagogia; o crescente descrédito de um Governo arrogante cada vez mais apertado entre o seu palavreado de sucesso e a evidência da grave situação do país; a afirmação do PCP como grande força portadora de soluções para os graves problemas do povo e do país.
Verificam-se ainda atrasos em relação a uma clara tomada de consciência quanto aos responsáveis pela gravidade de um tal estado de coisas. São muito poderosos os factores de condicionamento e manipulação ligados com o poder económico, o poder político, o poder mediático. O medo e a falta de confiança na possibilidade de mudar o rumo dos acontecimentos ainda travam a mobilização para a luta. Mas a situação é tal, o descontentamento com as políticas de direita do Governo do PS tão grande e a experiência adquirida pela participação directa na luta (por vezes pela primeira vez) tão marcante, que é muito grande a possibilidade de atrair para o lado do PCP, e mesmo para a militância no PCP, muitos trabalhadores desiludidos com os partidos que têm praticado sistematicamente políticas contrárias aos seus interesses e aspirações mais sentidas e que vêem no PCP uma força consequente que está quotidianamente (e não apenas em períodos eleitorais) a seu lado na luta. Esta possibilidade é confirmada pela boa receptividade aos documentos do PCP e às acções especiais de venda do «Avante!» e pelo ambiente de simpatia e apoio que rodeia as nossas iniciativas. Mas é necessário que as organizações do Partido dêem provas de mais audácia e criatividade no contacto político e no recrutamento. Não há alternativa, não há solução para os problemas dos trabalhadores, do povo e do país, sem um PCP mais influente e mais enraizado nas massas. Um PCP mais forte é condição necessária indispensável para a ruptura com as políticas de direita e a viragem à esquerda que se impõe no rumo do país.









A situação exige dos comunistas um esforço suplementar no plano da informação e propaganda para divulgar as propostas do Partido, trate-se de medidas de emergência para enfrentar uma situação que é de emergência, ou de orientações e medidas de fundo que, como as saídas da Conferência Nacional sobre Questões Económicas e Sociais, mostram que há alternativa para mais de trinta anos de políticas de direita, agravadas por mais de três anos de um Governo profundamente comprometido com o grande capital e com o imperialismo.

Simultaneamente é necessário alertar em relação a operações de grande fôlego e manipulação mediática. Perante o desenvolvimento da luta multiplicam-se as vozes subitamente «preocupadas» com os problemas sociais, algumas sinceramente preocupadas, sem dúvida, mas muitas outras procurando escamotear as suas causas e iludir responsabilidades próprias. E sobretudo para impedir que o descontentamento e a luta, em que os comunistas têm o papel de primeiro plano, venham a traduzir-se na deslocação de apoio político e eleitoral para o PCP. Não é por acaso que Mário Soares ou Manuel Alegre, que têm apoiado Sócrates e que em momentos particularmente significativos da luta ao longo destes três anos de maioria absoluta do PS têm saído em sua defesa (como no Orçamento de Estado), apareçam agora a fazer críticas pontuais e a distanciar-se sem entretanto apontar o dedo às questões de fundo. Como não é por acaso que uma iniciativa do B.E. com M. Alegre, em vésperas da grande manifestação de 5 de Junho que reuniu em Lisboa mais de 200 000 manifestantes, tenha gozado de tão desmesurada promoção mediática (enquanto a manifestação da CGTP era completamente silenciada) e em torno dela se tenha procurado colar ao PCP a etiqueta de sectarismo que tão bem assenta nos seus promotores.

É previsível que o desenvolvimento da luta e a aproximação de um ano de três eleições acentue divergências e clivagens entre promotores e apoiantes das políticas de direita. Entretanto, as críticas ao Governo provenientes da «área socialista», em geral pontuais, limitadas e inconsequentes, relevam fundamentalmente da preocupação de segurar a base de apoio do PS e impedir que mudem de campo muitos e muitos milhares de portugueses que, tendo votado no PS nas últimas eleições legislativas, se sentem hoje ludibriados. Mas se por força das políticas antipopulares essa redução se tornar inevitável, então que ela reverta para qualquer outro partido menos para aquele que protagoniza uma dinâmica de luta e um projecto alternativo, ou seja, o PCP.







O papel histórico do PCP na revolução portuguesa, como a posição insubstituível que hoje ocupa na vida política nacional, decorre da sua independência de classe (ideológica, política e organizativa), das suas raízes na classe operária e nas massas, do seu programa revolucionário de transformação social. O desenvolvimento da luta de massas (o motor da alternativa), o fortalecimento das estruturas do movimento popular, a procura permanente da unidade e da convergência de todas as classes e camadas antimonopolistas é uma posição invariável do Partido. Tudo quanto fortaleça a oposição ao capital e faça avançar a consciência política das massas conta com o apoio, o empenho e a iniciativa do PCP. Que ninguém duvide que a tradição unitária que fez do PCP a grande força da unidade antifascista continua presente em toda a sua actividade. Mas que ninguém duvide também que, hoje como sempre, o PCP rejeitará quaisquer pretensões de o transformar em muleta de projectos alheios, recusará sempre apagar ou diluir a sua identidade própria e esconder o seu Programa, jamais trocará o caminho difícil da construção de uma real alternativa de esquerda pelo prato de lentilhas do sucesso imediato e do protagonismo mediático. É aliás por saberem disso que aqueles que não estão disponíveis para percorrer os caminhos da ruptura necessária com as políticas de direita – de insultuosas benesses para o capital e de sacrifício para quem trabalha, de submissão à Europa do grande capital e ao imperialismo em geral, de subversão do regime democrático consagrado na Constituição – caluniam o PCP de sectário e o mais que se sabe, procurando desacreditá-lo aos olhos das massas, abusando cinicamente de sentimentos unitários e atrevendo-se mesmo a falar em nome da «esquerda».









Os últimos meses foram de intensa luta e de grandes acções de massas. Depois das comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio a gigantesca manifestação de 5 de Junho contra a revisão do Código de Trabalho e o agravamento das condições de vida do povo, pesou fortemente na configuração do quadro político. É neste caminho que é necessário insistir, nas empresas e locais de trabalho (onde numerosos sectores, como o Têxtil, vivem uma crise de grandes proporções), em acções concertadas no plano regional e nacional, em jornadas de luta em que possam confluir todos os sectores sociais e todos os portugueses atingidos pelas políticas de direita.

Os comunistas como sempre estarão nas primeiras linhas da luta ao mesmo tempo que divulgam as suas propostas, cuidam do reforço da organização partidária e preparam o seu XVIII Congresso. Perante as exigências da luta, o Partido teve de desdobrar-se numa actividade intensíssima, da campanha «Basta de Injustiças» à oportuníssima moção de censura ao Governo PS, das celebrações dos 160 ano do Manifesto Comunista aos Encontros Nacionais sobre os Direitos das Mulheres e sobre a Educação e o Ensino, da intensificação da iniciativa das organizações a importantes iniciativas no plano das relações internacionais. É com este dinamismo que vamos continuar fazendo da Festa da Alegria em Braga e da Festa do «Avante!» grandes iniciativas de confraternização e de luta.