Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 297 - Nov/Dez 2008

Festa da luta, do reforço do Partido, Festa da Alegria

por Paulo Raimundo

«Como foi possível continuar a realizar esta Festa da Alegria? Como foi possível a uma organização regional envolvida em mil afazeres exigidos pelo Partido e pela situação económica e social erguer este espaço fraterno, de convívio e debate político?», perguntava o Secretário-Geral do Partido no seu discurso no comício de encerramento da XV Festa da Alegria.

A resposta não sendo simples está em grande parte ligada a uma grande vontade de realizar a Festa, nas forças encontradas e no espírito de sacrifício de uma parte significativa da organização regional do Partido. Por outro lado, a Festa da Alegria foi erguida porque foi em si mesma uma resposta prática e concretizadora (o que nem sempre é simples) das grandes orientações do Partido para o seu reforço e aumento da sua capacidade de iniciativa e intervenção política.

Aquando da ponderação da realização da XV edição da Festa da Alegria no quadro da Organização Regional de Braga, foram inúmeros os aspectos que estiveram em discussão. A grande vontade da organização do Partido em andar com a Festa para a frente embatia muitas vezes em aspectos não menos importantes e muitas vezes não superáveis pela simples vontade de a realizar.  Questões como o quadro político em que se realizaria a Festa, os apoios necessários, a participação das organizações regionais e sectoriais do Partido e da JCP, as questões financeiras, exigiram uma profunda ponderação antes da decisão, em articulação com a direcção central do Partido, e que conduziram à realização da Festa.

Uma das questões centrais que se colocou em todo o processo foi a interrogação sobre a  capacidade da organização para assegurar uma tarefa com tal envergadura num quadro diferente das anteriores edições, com uma parte significativa dos quadros sem experiência de preparação de festas anteriores e com um conjunto de condições e meios muito inferiores. 

À partida colocaram-se dois aspectos de grande importância. Por um lado, a interrogação quanto aos meios, quadros, disponibilidades, capacidades de mobilização do Partido e de outros fora do Partido, de envolvimento de toda a estrutura partidária para todas as diferentes fases e tarefas da Festa - concepção, preparação, financiamento, implantação e desmontagem. Por outro lado, e talvez o maior desafio com que a organização se deparava, era o de realizar uma iniciativa com tamanhas exigências que «obrigasse» todo o Partido, não permitindo que o mesmo afunilasse para esta tarefa, a concentrar aqui todas as suas forças e meios, deixando para segundo plano as outras importantes tarefas politicas do Partido e a intervenção dos comunistas na dinamização da luta social.

Do encontrar a resposta adequada para este objectivo dependia em grande parte o sucesso político da preparação da Festa. Ou as grandes tarefas políticas a que o Partido tinha de dar resposta no 1.º semestre do ano, a par da necessidade do desenvolvimento de uma intensa luta social nesse mesmo período, eram encaradas pela organização não como um entrave à preparação da Festa mas como uma oportunidade de a potenciar e de a ligar à realidade social, aos problemas e anseios dos trabalhadores, ou então dificilmente haveria condições de transformar a Festa da Alegria numa grande Festa do Partido, que sendo uma iniciativa popular e de convívio teria de ser simultaneamente de luta e de resistência, assim como um momento de encontro de muitos dinamizadores da luta social, com destaque particular para os trabalhadores e populações do distrito de Braga.

A resposta para esta «aparente contradição» encontrava-se na necessidade de fazer tudo ao mesmo tempo não deixando cair nenhuma das tarefas, trabalhando para que as mesmas dialecticamente se potenciassem, que sendo um aspecto central na nossa orientação teórica, muitas vezes depara-se na prática com diversas dificuldades no seu  desenvolvimento.

Para dar resposta a tudo, a organização foi «obrigada» a várias discussões, reuniões, encontros e iniciativas. Foi necessário encontrar apoios, camaradas e amigos que se responsabilizassem por aspectos concretos das várias questões em desenvolvimento, chamar muita gente para as tarefas do Partido, arriscar e «entregar» tarefas de responsabilidade a camaradas muitos deles sem nenhuma experiência de trabalho de organização e direcção. 

Foi necessário imprimir uma dinâmica nas reuniões do Partido onde tudo se tinha de colocar, discutir, decidir e concretizar num quadro de grande simultaneidade de tarefas e exigências, todas elas de grande importância. Assim foi com as grandes tarefas nacionais, com a preparação e apoio às grandes e pequenas jornadas de luta, foi assim nas exigências que se nos colocam diariamente e foi naturalmente assim na preparação da Festa da Alegria.

Esta dinâmica  foi  particularmente evidente numa grande jornada desenvolvida no Vale do Ave a 1 de Junho (a pouco mais de um mês da realização da Festa) com a participação do camarada Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do Partido, num dia dedicado à grave situação económica e social da região que iniciou com uma volta em diversas freguesias e de contactos com centenas de pessoas, e que finalizou com o Partido a realizar um magnífico e combativo comício nas ruas de Guimarães com cerca de mil participantes. Uma jornada voltada para a situação social, os problemas do desemprego e desenvolvimento da região, uma iniciativa que afirmou o Partido e a sua capacidade de resistência e de proposta, que deu ânimo e alento aos trabalhadores da região que poucos dias depois deram uma resposta à altura com uma significativa participação, na gigantesca jornada de luta da CGTP do dia 5 de Julho.

A Festa da Alegria esteve presente em toda a jornada através da distribuição de documentos alusivos à mesma, mas acima de tudo esteve presente pela a afirmação do Partido que a ia realizar poucos dias depois e que ali estava, mais uma vez, junto dos trabalhadores e das populações dos seus problemas e aspirações.

A realização da Festa possibilitou à ORB uma dinâmica de acção colectiva, que mobilizou os militantes e muitos amigos que a ela se quiseram associar, tornou mais claras as reais possibilidades de alargamento da base social de apoio ao Partido.

Neste processo revelaram-se quadros, reafirmaram-se características de outros, abriram-se caminhos para novos contactos com gente amiga que, não sendo do Partido, esteve connosco nesta batalha e que se disponibilizou para outras jornadas. A Festa consolidou colectivos, «obrigou-os» a mobilizarem-se para a divulgação, preparação, implantação, para o garantir do funcionamento dos espaços das organizações, para dar resposta aos compromissos financeiros e para viver com a Alegria a sua Festa.

Mas a Festa, pela sua exigência, também trouxe ao de cima as nossas fragilidades, atrasos e debilidades orgânicas e de direcção.

Foram notórias, no plano do assumir de tarefas concretas, as dificuldades na responsabilização das organizações de empresa e sectores profissionais, assim como a fragilidade no que toca à capacidade de direcção em particular na necessidade de mais quadros que assumam com maior estabilidade um elevado grau de responsabilidades.

A Festa não foi um fim em si mesmo, pelo contrário ajudou o Partido a desenvolver, a alargar, a responsabilizar, a reforçar e a identificar também as suas fragilidades. Todos estes aspectos merecem reflexão e acima de tudo acção. Assim, entre outras, estão necessariamente colocadas importantes tarefas decorrentes da Festa: por um lado, resolver os vários aspectos que ainda se encontram por tratar em definitivo, em particular os aspectos financeiros; por outro lado, avaliar com rigor todos os elementos que no que toca ao reforço do Partido, avanços registados, principais debilidades, etc, identificando os elementos, analisá-los e intervir no quadro das nossas orientações para fazer andar o Partido para a frente; e, por último, criar as condições que mantenham as características e o ritmo na acção e intervenção do Partido da forma como conseguimos aquando da preparação da Festa.

A XV Festa da Alegria foi uma grande realização política e popular do Partido que contou com a participação de milhares de visitantes, que encontraram no Parque de Exposições de Braga um amplo e diversificado programa musical, desportivo e cultural, um espaço de afirmação do Partido, da luta social e de confiança na possibilidade de outro caminho para a região e para o pais. Uma Festa que, ao comemorar os seus 30 anos, acabou por reavivar histórias passadas de luta, resistência, solidariedade e de camaradagem.

Uma grande iniciativa de características nacionais do Partido, possível em parte devido ao empenhamento da estrutura central do Partido e da Festa do Avante e à presença solidária de todas as organizações regionais do Partido e da JCP. Este é um aspecto de grande demonstração de solidariedade partidária, pois foi num período de grandes exigências, em que justamente muitos camaradas se encontravam de férias, as organizações do Partido, cada uma no quadro das suas possibilidades e condições, decidiram estar presentes na Festa, com o que isso significa de esforço orgânico, de quadros e financeiro.

A Festa também não seria a mesma sem a disponibilidade e os apoios de várias instituições, entidades e associações da região e da cidade, democratas e amigos do Partido.

Mas acima de tudo a Festa realizou-se e constituiu um magnífico sucesso politico e de afirmação do Partido devido a uma enorme dedicação de todos os quadros e militantes da ORB.

A XV edição da Festa da Alegria demonstra que a Festa é uma realização com solidez, que não obriga o Partido a fechar para a Festa. Bem pelo contrário, com a sua realização o Partido sai reforçado, afirmado, com mais força e em melhores condições de dar resposta às grandiosas batalhas políticas e sociais que temos pela frente. A sua realização é também ela uma afirmação da justeza das orientações para o reforço do Partido, em particular na necessidade de responsabilização de quadros, reforços das organizações de base e nas empresas e locais de trabalho e na afirmação de que é possível um PCP mais forte!

«Bem precisamos dessa confiança e dessa militância empenhada no quadro da preparação do nosso XVIII Congresso, nas vésperas da Festa do Avante!, num quadro de agravamento geral da vida dos portugueses e com o Governo a não deixar os trabalhadores descansados no período de férias, mantendo erguido o cutelo das alterações ao Código do Trabalho», afirmava o Secretário-Geral do Partido no comício de encerramento, referindo-se à audácia, à combatividade e ao esforço desenvolvido pelo colectivo partidário para a concretização da Festa.

É uma afirmação justa e que sintetiza, no fundamental, as ideias centrais: a XV edição da Festa da Alegria envolveu, mobilizou e puxou pelo Partido, ajudando a reforçar a sua confiança e, dessa forma, criando melhores condições para as exigentes batalhas que nos esperam.