Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 298 - Jan/Fev 2009

As nossas tarefas

por Revista «O Militante»

Realizamos o nosso XVIII Congresso com êxito. A pouco mais de um mês da sua realização, e depois de uma bem merecida pausa de Natal e Ano Novo, estamos já em plena actividade levando à prática as orientações e tarefas aprovadas pelo colectivo partidário por intermédio dos cerca de 1500 delegados presentes no magnífico pavilhão do Campo Pequeno de Lisboa. A vida não para. A situação económica e social continua a agravar-se com o encerramento de numerosas empresas e o aumento do desemprego. Prossegue a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, o regime democrático e a soberania nacional, apesar da resistência, do protesto e das numerosas lutas, em que avulta a massiva luta dos professores. Não obstante o esforço para o ocultar com serôdias proclamações de «esquerda» (!), a natureza de classe do Governo do PS como instrumento do grande capital nunca foi tão clara. Para os banqueiros, especuladores e toda uma corte que parasita sem vergonha o erário publico, tudo; para os trabalhadores, para os que menos podem e menos têm, nada. A luta de classes não conhece pausas, não há lugar para quaisquer tréguas. «A luta continua», todos os dias e em todas as frentes envolvendo, embora em graus e com vigor diversos, todas as classes e camadas antimonopolistas. Ainda mal secou a tinta de impressão das decisões tomadas pelo XVIII Congresso, e já estamos empenhados em dar-lhe vida. As responsabilidades dos comunistas perante os trabalhadores e o povo não consentem outra atitude que não seja a do combate sem tréguas às injustiças e desigualdades brutais que percorrem o país, a defesa intransigente dos interesses e aspirações de quem trabalha, a militância transformadora e revolucionária.



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De entre as tarefas que temos entre mãos há uma, transversal a todas as outras, a que temos de dar particular atenção: a valorização do próprio XVIII Congresso, do que ele  foi como extraordinária manifestação de força, coesão e confiança do PCP, e do que ele representa no panorama político português e internacional. Valorização que envolve certamente muita satisfação pelo grande e belo Congresso que realizámos e pelo grande Partido que realmente temos. Mas que é sobretudo, a coroar muitos meses de discussão democrática e de elaboração colectiva, valorização das decisões que tomámos, e em primeiro lugar a eleição do Comité Central e a aprovação da Resolução Política, cujas análises e orientações vão guiar a acção dos comunistas portugueses nos próximos tempos.

O PCP é um partido revolucionário. O seu funcionamento assenta no desenvolvimento criativo do centralismo democrático, um funcionamento em que a mais profunda democracia interna se combina com uma única Direcção central e uma única orientação geral, precisamente aquelas que saírem do XVIII Congresso. É em torno delas que é necessário manter bem unido e mobilizado todo o colectivo partidário, para lá desta ou daquela inevitável diferença de opinião. Numa disciplina consciente, assumida com a naturalidade do ar que se respira. É ela que faz a força de um partido independente que só pode (e deve) contar com os seus próprios recursos humanos e materiais na luta pelo  ideal e projecto comunista. Disciplina que não só não exclui como pressupõe, no quadro do respeito pelas orientações e decisões centrais, a mais ampla iniciativa e criatividade de cada organização e de cada militante na sua esfera de acção próprias.



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A ideia de que «lá onde está um comunista está o Partido», é uma ideia particularmente cara ao PCP. É necessário dar-lhe ainda mais força na nossa acção quotidiana e nos mais diferentes domínios da actividade partidária. Como no recrutamento activo, indispensável ao alargamento e ao rejuvenescimento das fileiras e ao enraizamento do Partido entre as massas. Na agitação e propaganda, para romper a barreira de uma comunicação social de classe hostil e levar as nossas propostas e palavras de ordem de luta às massas. Na difusão do «Avante!» e de «O Militante», tarefa da maior importância na batalha das ideias que nos é imposta. Na construção do Partido e na acção nas empresas e locais de trabalho, lá onde o conflito de classe é mais agudo e onde assenta a força das organizações representativas dos trabalhadores. No fortalecimento da base financeira do Partido, tarefa política capital para a qual há que solicitar e organizar a contribuição de um número sempre crescente de militantes, simpatizantes e amigos. Na defesa dos interesses das populações e na organização da sua luta. Na preparação do aniversário do PCP e do 35.º aniversário da Revolução de Abril, entre muitas outras acções de dimensão nacional. No trabalho unitário em geral e para o reforço da CDU em particular, questão que assume redobrada importância num ano em que teremos de disputar três eleições, questão que será objecto do Encontro Nacional do PCP de 28 de Fevereiro. Quando os comunistas se reunem, não é para se fecharem sobre si próprios mas para se voltarem para fora, para a sociedade, para as massas. Assim foi com o XVIII Congresso do PCP.

Tirando lições dos importantes resultados alcançados depois do XVII Congresso, o XVIII Congresso decidiu lançar uma nova campanha de reforço do Partido, «Avante por um Partido mais forte!», cujos contornos estão já definidos na Resolução Política aprovada. A situação, apesar das dificuldades que encerra, é favorável ao êxito desta nossa campanha. Mas também aqui se impõe a maior iniciativa e criatividade de todas as organizações, quadros e membros do Partido. Ela é imprescindível para aprofundar as raízes do PCP na classe operária, inserir ainda mais profundamente o Partido na realidade nacional em movimento, ampliar a influência social, política e eleitoral dos comunistas, condição necessária para a ruptura com mais de trinta anos de políticas de direita e a alternativa de esquerda que preconizamos.



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Com o sucesso do nosso XVIII Congresso, entramos o ano de 2009 mais fortes, mais coesos, melhor apetrechados política e ideologicamente para as difíceis tarefas que temos diante de nós no plano social, político, eleitoral assim como, sempre e sempre, de reforço do Partido. O quadro nacional e internacional em que actuamos é muito instável e perigoso. Mas como temos sublinhado, e a vida tem exuberantemente confirmado, grandes perigos coexistem com grandes potencialidades de desenvolvimento progressista e revolucionário. A própria crise capitalista que aí está, generalizada, profunda e em processo de agravamento, se por um lado pode conduzir ao fortalecimento dos sectores mais reaccionários e agressivos do capital, por outro confirma teses fundamentais do marxismo-leninismo e abre espaço à compreensão do projecto de transformação social do PCP. É por isso indispensável tirar todas as ilações da bancarrota ideológica da cartilha neoliberal, que hoje a social-democracia sacode do capote, procurando segurar uma base de apoio que lhe escapa e salvar o poder do grande capital. É preciso passar à ofensiva no plano ideológico e mostrar que o capitalismo é incapaz de dar resposta aos problemas dos trabalhadores e dos povos. Mostrar que a crise económica e financeira que irrompeu nos EUA é expressão de uma crise mais profunda, estrutural e sistémica que evidencia os limites históricos do sistema capitalista. Mostrar que o capitalismo, ao contrário do que apregoaram as teses triunfalistas do «fim da história» de há vinte anos atrás, é uma formação económica e social historicamente transitória cuja superação revolucionária, sendo necessariamente obra da classe operária e das massas, exige um forte partido revolucionário. Mostrar que, no caminho desbravado pela Revolução de Outubro, o socialismo é cada vez mais a alternativa necessária e possível ao capitalismo, em Portugal e no mundo.



É com esta profunda convicção, confirmada e reforçada com o  XVIII Congresso, que partimos para um novo ano de luta formulando a todos os leitores de «O Militante» os melhores votos de sucessos.