Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

XVIII Congresso, Edição Nº 298 - Jan/Fev 2009

A ofensiva imperialista e a luta contra a exploração dos povos

por Ângelo Alves

A tese de que grandes perigos para os trabalhadores e os povos, e mesmo para a própria Humanidade, coexiste com reais potencialidades de avanço da luta progressista e mesmo revolucionária – tese adoptada no XVII Congresso e reafirmada no projecto de Resolução Política – é-nos todos os dias confirmada pela vida e pela luta e, de forma muito particular, pelo actual momento de explosão da crise estrutural e sistémica do sistema capitalista.

Os comunistas são neste instável e inseguro contexto internacional chamados a grandes combates. Combates realizados no quadro de complexos e rápidos processos de rearrumação de forças, alguns dos quais objectivamente de carácter anti-imperialista, mas em que a correlação de forças mundial é ainda desfavorável às forças do trabalho e do progresso, como o demonstra a violenta intensificação da ofensiva imperialista registada neste virar de século.

Perseguindo os objectivos de recolonização do Mundo, de domínio económico do capital, de contenção dos processos de luta e de afirmação soberana de países e povos, o imperialismo desenvolve violentos ataques à soberania dos Estados e ao direito internacional e intensifica o militarismo e a guerra. Sucedem-se e banalizam-se crimes e atentados à democracia e aos mais elementares direitos humanos, dividem-se Estados soberanos, desenvolvem-se novos sistemas de armas e fortalecem-se as estruturas político-militares do imperialismo. Ao mesmo tempo que se batem recordes mundiais de gastos militares, aprofunda-se a exploração dos trabalhadores, empurram-se as massas migrantes para o esclavagismo moderno, criminalizam-se as resistências numa tentativa de prevenir ou esmagar revoltas sociais e de resistência ao imperialismo e perseguem-se as forças mais consequentes, especialmente os comunistas, relançando-se o anticomunismo.

Mas, tal ofensiva demonstra também que o capitalismo se encontra condicionado pelos seus limites históricos, as suas contradições e dificuldades. O estreitamento da sua base social de apoio é uma realidade expressa das mais diversas formas. O imperialismo sofre, em resultado do desenvolvimento da luta dos trabalhadores e dos povos e da afirmação soberana de diversos países – nomeadamente os que estabelecem como objectivo a construção do socialismo e aqueles que se lançam na construção de alternativas de carácter progressista –, reveses nas suas tentativas de dominação hegemónica e subjugação de países e povos. As próprias classes dominantes nas principais potências imperialistas – com destaque para os EUA – vêem-se obrigadas a adaptar hipocritamente discursos e a lançar campanhas de diversão ideológica para tentar conter o sentimento anti-imperialista que se desenvolveu nos últimos anos, ensaiando nomeadamente uma reabilitação da desacreditada social-democracia – pilar fundamental da presente ofensiva imperialista.

A palavra mudança está na moda. Mas atenção! O mundo de facto muda, todos os dias, mas fruto da acção e da luta dos trabalhadores e dos povos! Porque são eles, e a luta de classes que se agudiza, o motor da História. Esta é a real mudança e não aquela que alguns empoeirados ortodoxos do capital nos tentam vender, numa tentativa para que tudo fique na mesma.

E para mudar é necessário não esquecer. Não esquecer as vítimas do crime imperialista no Iraque; que no Afeganistão a NATO intensifica a chacina e estende a guerra ao Paquistão; que na Palestina prossegue o genocídio do povo palestiniano; que em África se instigam conflitos para dar cobertura à recolonização e remilitarização do continente; que em Timor-Leste se conspira para negar ao povo maubere o direito a construir a real soberania do seu país; que na América Latina se sucedem as manobras de ingerência e ameaça aos processos progressistas em curso, se intensificam as campanhas fascistas de perseguição política e prossegue o criminoso bloqueio a Cuba – que daqui saudamos calorosamente nos 50 anos da sua revolução socialista.

Não há discursos ou manobras de propaganda que escondam a evidência: é o capitalismo na sua fase actual – o imperialismo – a causa das desigualdades, injustiças, violência e morte que vitimam milhões e milhões de seres humanos e é dos centros políticos e militares do imperialismo que emanam a insegurança e os perigos que caracterizam a situação internacional. Por isso, a luta pela paz, pela justiça, pela democracia, pela soberania, pelo progresso social e o desenvolvimento é parte integrante da construção da alternativa – o socialismo.

O capitalismo está com as suas contradições esventradas neste início de século. O marxismo-leninismo adquire uma actualidade impressionante. Mas seria uma perigosa ilusão considerar que pelo simples desenvolvimento do sistema e da sua crise o domínio do grande capital e das forças políticas ao seu serviço sairia profundamente fragilizado. Pelo contrário. A História demonstra-nos e a realidade aponta-o que se não se desenvolverem fortes movimentos de luta social e anti-capitalista que arranquem ao capital profundas concessões, de uma situação como a actual pode resultar a intensificação da exploração e da ofensiva imperialista nas suas várias expressões, nomeadamente através de novas derivas militaristas, anti-democráticas e de carácter fascista.

A tendência para o agravamento dos problemas sociais e nacionais vai-se manifestar com mais intensidade, são difíceis os tempos que se avizinham. A realidade mundial aponta para um possível quadro de aprofundamento das rivalidades inter-imperialistas. Aqui na Europa, a União Europeia «navega» na actual situação de crise para aprofundar o seu carácter de bloco imperialista, antidemocrático, neoliberal e militarista, afirmando mais claramente as suas pretensões de intervencionismo global mais ambicioso e mais agressivo, demonstrando que a tal nova multi-polaridade de que tanto se fala, construída na actual correlação de forças mundial entre capital e trabalho e, portanto, de natureza imperialista, não é necessariamente menos perigosa para os povos do mundo.

Como afirma a Resolução Política, caberá aos trabalhadores, aos povos, às forças progressistas e às diversas componentes da frente anti-imperialista, unidos em amplas frentes sociais de luta, tomar nas suas mãos a tarefa de construir a alternativa que porá fim às crises e à crise do sistema capitalista. O papel dos comunistas, dos seus partidos, da sua organização e ligação às massas, da sua firmeza ideológica, do fortalecimento da sua cooperação, do seu papel na busca contínua da unidade – que não se decreta, constrói-se na luta e aí é testada – são factores centrais para a alteração da correlação de forças a nível mundial e para avançar rumo ao futuro de progresso, paz e solidariedade, rumo ao socialismo.

Saudando calorosamente as dezenas de partidos comunistas e progressistas aqui representados, asseguramos a todos que com este Congresso, Por Abril e Pelo Socialismo, podem contar com um Partido Comunista Português mais forte, que enfrenta de punho cerrado e de cravo ao peito as agruras e as alegrias, os reveses e os sucessos da apaixonante luta revolucionária.



Viva o XVIII Congresso!

Viva o internacionalismo proletário!

Viva a Juventude Comunista Portuguesa!

Viva o Partido Comunista Português!