Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 299 - Mar/Abr 2009

Um passado com futuro

por Revista «O Militante»

A comemoração do 88.º aniversário do PCP constitui uma excelente oportunidade para evocar o incomparável património de uma história que se confunde com a própria história do movimento operário e do povo português e dele extrair experiências e ensinamentos para o presente e para o futuro da luta dos comunistas. Confirmando os valores, o ideal e o projecto que animou e anima gerações de comunistas e explica tanta dedicação e heroísmo. Lembrando que a capacidade de resistência e o papel desempenhado pelo PCP na vida nacional e o seu prestígio no movimento comunista internacional seriam impensáveis sem as suas profundas raízes no povo. Afirmando e confirmando os traços de identidade –  teoria do marxismo-leninismo, objectivo do socialismo, funcionamento democrático, ligação às massas, patriotismo e o internacionalismo – que tornaram o Partido a grande força da liberdade, do progresso social e do socialismo de que legitimamente nos orgulhamos. Nunca é demais revisitar a História do PCP pois, sem menosprezar experiências alheias, as experiências e a reflexão próprias do nosso Partido constituem o ponto de partida insubstituível para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da nossa acção revolucionária, sempre e sempre ao serviço dos trabalhadores e do povo.



.



Comemorando o aniversário do Partido, como sempre, voltados para fora, para os trabalhadores e para a luta, é importante mostrar que há razões para confiar na possibilidade de derrotar as políticas de direita e retomar o rumo libertador da Revolução de Abril cujo 35.º aniversário o povo português em breve assinalará.

O 88.º aniversário do PCP ocorre num quadro muito complexo e exigente não apenas para os comunistas mas para todos quantos recusam o conformismo e o fatalismo com que a ideologia burguesa procura amortecer as contradições de classe, adormecer o espírito crítico e combativo dos trabalhadores, inculcar nas massas que sofrem as consequências da exploração capitalista a ideia de que as políticas de direita e o próprio capitalismo não têm alternativa. O maior desafio que porventura se coloca à iniciativa e intervenção dos militantes do Partido é o de incutir confiança na possibilidade de uma vida melhor, possibilidade que não será nunca dádiva das classes dominantes mas conquista da luta. Num quadro em que o brutal agravamento da situação social e a própria crise estrutural do capitalismo estão a ser utilizadas para confundir, amedrontar, e desmobilizar as massas trabalhadoras é de crucial importância, combinando uma audaciosa acção de esclarecimento com a organização da resistência e da luta de massas, mostrar a viabilidade de outras políticas que não aquelas que há mais de trinta anos vêm desgraçando o país, mostrar a necessidade de profundas transformações antimonopolistas e anti-imperialistas e a possibilidade de reestruturar a sociedade em novas bases e construir em Portugal uma sociedade liberta da exploração e da opressão de classe, uma sociedade socialista.



.



Para a realização desta tarefa crucial temos à nossa disposição um precioso manancial de documentação com análises e propostas de grande actualidade – Resolução Política do XVIII Congresso que acaba de ser editada, decisões do Comité Central, materiais de campanha «Sim, é possível uma vida melhor!» – que devemos utilizar criteriosamente de acordo com os concretos sectores, camadas e pessoas a que nos dirigimos e privilegiando o contacto directo e o diálogo, de modo a deixar argumentos dirigidos à inteligência daqueles que contactamos, e recolhendo também a informação e a opinião indispensável ao acerto das decisões do Partido, «ensinando e aprendendo» como é timbre de um partido leninista. Um partido que confia nas massas, que acredita realmente que são as massas as grandes obreiras do processo de transformação social e que vê na luta pela realização dos seus interesses e aspirações a sua própria razão de ser.



.



Sim. Vivemos tempos difíceis no plano nacional e internacional. Em que, antes com o pretexto do défice e hoje com o pretexto da crise, se desenvolve uma violentíssima ofensiva contra as condições de vida e direitos conquistados por décadas de lutas duríssimas, contra o regime democrático com processos de governamentalização e manifestações de autoritarismo cada vez mais inquietantes, contra a própria independência e soberania nacional com o enfeudamento cada vez maior ao imperialismo e à sua estratégia de rapina, agressão e guerra. Tempos em que, fazendo o mal e a caramunha, aqueles que lançaram o país na profunda crise que aí está – com o desemprego a crescer todos os dias, a generalização da pobreza, a asfixia dos agricultores e dos pequenos e médios empresários, o endividamento externo galopante – estão a aproveitar-se da própria crise, com o apoio do Governo do PS e o concurso do Presidenta da República, para aumentar ainda mais a exploração, desferir novos golpes sobre direitos sociais e políticos, concentrar ainda mais o capital e a riqueza nas mãos de um punhado de poderosos, continuar a engordar à custa do Orçamento e a distribuir entre uma elite minada pela cupidez, a incompetência e a corrupção, as posições dominantes no sistema económico e no aparelho de Estado. Tempos de propaganda avassaladora justificativa do estado de coisas existente, de descarada instrumentalização do poder pelo partido do Governo, de sistemática descriminação do PCP e silenciamento das suas propostas, mesmo quando a realidade da crise e a força da luta popular obriga o Governo de Sócrates, dando o dito pelo não dito, e ir ao encontro de análises e propostas que havia rejeitado com arrogância. Tempos em que, pela própria natureza do sistema, a crise profunda, estrutural e sistémica do capitalismo faz correr grandes riscos de regressão social e democrática e mesmo perigos de guerras ainda mais mortíferas e destruidoras. Nada disto porém faz vacilar a convicção dos comunistas portugueses na necessidade e possibilidade de inverter o perigoso curso da situação actual e avançar para novos patamares de liberdade, paz e justiça social. As celebrações do 88.º aniversário do PCP constituem uma boa ocasião para mostrar com argumentos da própria história de Portugal do século XX os fundamentos dessa convicção e desse optimismo que caracterizam os comunistas portugueses.



.



Para a nossa intervenção é necessário ter bem presentes as decisões da reunião do Comité Central de 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro que, na sequência das orientações do XVIII Congresso,  precisam as tarefas imediatas do Partido. No plano da iniciativa política, do desenvolvimento da luta de massas, das batalhas eleitorais que acabamos de examinar no Encontro Nacional do Partido de 28 de Fevereiro, do fortalecimento e alargamento da CDU e do trabalho unitário em geral, do reforço orgânico do Partido e da sua ligação aos trabalhadores, da actividade internacional, em todos estes domínios se colocam tarefas que exigem um apurado trabalho de direcção, de planeamento, de distribuição de forças e de permanente incentivo da militância e da iniciativa dos membros do Partido. Militância e iniciativa que serão tanto maiores quanto mais sólida for a convicção na justeza da linha política do Partido e na invencibilidade da causa do socialismo e do comunismo por que lutamos. As comemorações do aniversário do PCP e a evocação da sua história contribuirão seguramente para um tal objectivo.