Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 300 - Mai/Jun 2009

O Militante Uma ferramenta indispensável

por Revista «O Militante»

Sendo este o número 300 da IV Série de O Militante, nascida com o 25 de Abril, é oportuno lembrar quando e porquê nasceu esta publicação central do Partido, o caminho que percorreu e o  papel que é chamada a desempenhar nas batalhas do presente e do futuro. A história de O Militante confunde-se com a história da luta dos trabalhadores e do povo português ao longo dos seus já longos 76 anos de existência. Na sequência do Boletim «teórico e informativo» “Paginas Vermelhas”, O Militante surgiu em 1933 como exigência da reorganização do Partido empreeendida sob a direcção de Bento Gonçalves, como expressão do amadurecimento do PCP como partido realmente marxista-leninista, tanto do ponto de vista ideológico, como político e organizativo. Depois de um período de publicação irregular em resultado das debilidades do Partido e da violência da repressão fascista, O Militante ressurge em 1941, já não simplesmente copiografado mas impresso em tipografia clandestina, mas sempre como «boletim de organização»,  dando particular atenção às questões da construção, funcionamento e defesa do Partido. Produto e instrumento da reorganização partidária de 1940/41, que transformou o PCP num grande partido nacional e vanguarda incontestável da classe operária e de todos os trabalhadores, esta nova série de O Militante que vai até à Revolução de Abril, publicou-se com bastante regularidade com uma média de quase seis números por ano. Tendo em conta as rigorosas condições de clandestinidade, trata-se de um feito notável quase sem paralelo no movimento comunista internacional. Um feito que implicou grande engenho e criatividade, pesados sacríficios, actos de grande heroísmo que é justo recordar. Sem a fibra revolucionária de comunistas como Alfredo Caldeira, Maria Machado, José Moreira, Joaquim Rafael e tantos outros, não seriamos o grande partido que hoje somos.



A situação do país no plano económico e social continua a agravar-se. O desemprego não cessa de crescer, situando-se a níveis bem mais e elevados do que indicam os dados manipulados pelo Governo. Todos os dias encerram novas empresas atingidas pela quebra da procura interna ou porque se encontravam dependentes de um mercado externo em retração, confirmando os perigos de uma economia dependente, de sub-contratação, amarrada de pés e mãos aos interesses das multinacionais, como no caso da Qimonda, da Autoeuropa ou da Iazaky Saltano. Como sempre uns perdem e outros ganham com a crise. Enquanto os trabalhadores e restantes classes e camadas não monopolistas são duramente afectados, o grande capital e a sua vasta corte de serventuários continuam a prosperar como nos escandalosos casos da GALP ou da EDP. A repartição do rendimento entre o capital e o trabalho continua a desequilibrar-se em favor do capital e a aprofundar-se o fosso entre ricos e pobres. Multiplicam-se os casos de descarado aproveitamento da crise para aumentar ainda mais a taxa de exploração, pela via dos despedimentos, da redução dos custos da força de trabalho, da liquidação de direitos.

Como se comporta o Governo do PS perante uma tal situação? Insistindo na sua política de classe em favor do grande capital. Destinando milhões e milhões para a Banca e para os grandes interesses instalados sem que se saiba como são utilizados. Continuando a recusar as medidas de emergência propostas pelo PCP para ocorrer às situações de maior gravidade, como o alargamento do subsídio de desemprego, o reforço de meios das autarquias locais, ou iniciativas de combate à corrupção e ao enriquecimento ilícito. Desresponsabilizando-se pela grave crise do país, atribuindo-a à «crise internacional» e não às malfeitorias da sua política e de mais de trinta anos de políticas de direita. Tentando, perante poderosas expressões de condenação popular da sua política, afivelar uma máscara «de esquerda», que procura credibilizar com a ajuda de ruidosas polémicas com o PSD e com o próprio PR, polémicas com que tenta disfarçar a coincidência de fundo numa mesma política de classe e (apagando a voz do PCP e a dimensão do protesto popular) reduzir o mais possível o horizonte da vida política ao jogo da alternância PS/PSD mais ou menos acompanhados pelo CDS, partido que, tal como o BE, está a ser descaradamente promovido pela comunicação social.

Neste quadro, a intervenção do Partido é insubstituível. Para o esclarecimento das causas reais da grave situação a que chegou o país e que radicam, como sublinhamos nas comemorações do 35.º aniversário do 25 de Abril, em mais de trinta anos de ataque sistemático às conquistas e valores da nossa revolução libertadora. Para responsabilizar o Governo do PS e desmascarar as suas manobras eleitoralistas com a inaceitável instrumentalização do aparelho de Estado. Para combater a resignação e o fatalismo que de mil e uma maneiras Governo e capital procuram semear entre as massas. Para puxar pela luta e mostrar que vale a pena lutar, valorizando os resultados já alcançados, ainda que limitados e invariavelmente apresentados como da iniciativa do poder quando na verdade lhe são impostos. Para mostrar que há alternativa, que ela implica uma ruptura com as políticas de direita que têm arruinado o país, alternativa que passa pela intensificação da luta de massas e pelo reforço do PCP. Para, na sequência da grande manifestação de 13 de Março em Lisboa e de outras importantes acções de massas (dos agricultores, da juventude trabalhadora, dos enfermeiros, das forças de segurança) levar a luta até às urnas e aproveitar já as eleições de 7 de Junho para o Parlamento Europeu para reforçar as posições da CDU, certos de que a sua importância vai muito para além delas. Para fazer da Marcha, promovida pela CDU no próximo dia 23 de Maio, uma grande afirmação de confiança na possibilidade de uma  viragem à esquerda na vida do país.

Assinalando uma significativa efeméride daquela que é provavelmente a mais antiga revista político-ideológica existente em Portugal, O Militante, fiel às suas origens e orgulhoso da sua trajectória revolucionária, continuará empenhado em acompanhar o movimento da sociedade, em aprender com as lições da experiência, em corresponder ao que o Partido e a luta esperam de si. Para isso conta com a contribuição dos seus leitores e ainda maior empenho na sua difusão. Assim o exigem as difíceis tarefas e a aguda batalha das ideias em que os comunistas estão empenhados.