Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 301 - Jul/Ago 2009

CDU está mais forte para prosseguir a luta

por Revista «O Militante»

A palavra de ordem cumpriu-se. O povo português levou a sua luta até ao voto. Os resultados das eleições para o Parlamento Europeu, com a indisfarçável condenação da política do Governo do PS e o avanço da CDU, prolongaram nas urnas as grandes lutas dos últimos anos.

 Como sublinha o comunicado da reunião do Comité Central do PCP de 9 de Junho, importa agora valorizar muito os resultados alcançados para promover a intensificação da acção reivindicativa e política de massas. As condições são favoráveis para passar à ofensiva em torno de muitas das reivindicações imediatas mais sentidas pelos trabalhadores, os agricultores, a juventude, os micro, pequenos e médios empresários, os reformados e outras camadas da população. O «Compromisso com os trabalhadores, o povo e o país» aprovado pelo Comité Central e as medidas e propostas inadiáveis e urgentes que integra, situa-se nesta perspectiva. É este o caminho para ampliar a exigência de ruptura com trinta e três anos de políticas de direita que têm golpeado as conquistas de Abril, reconstituído o poder dos monopólios e o domínio do imperialismo sobre Portugal, empurrando o país para a situação de aguda crise económica, social e política em que se debate e de que só sairá com a alternativa de esquerda preconizada pelo PCP e a CDU.

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Neste quadro, as eleições para a Assembleia da República e para as Autarquias Locais revestem-se da maior importância. A possibilidade de consolidar e ampliar os excelentes resultados alcançados para o Parlamento Europeu está inteiramente ao alcande da CDU. Isso exige porém que nos lancemos ao trabalho com determinação e com a grande alegria e confiança que o sucesso de 7 de Junho legitima, e que importa valorizar tanto mais quanto ele foi alcançado enfrentando uma grande desproporção de meios, discriminações de toda a ordem e mesmo insidiosas provocações como aconteceu no 1.º de Maio. Isso exige que generalizemos as melhores experiências da campanha eleitoral para o PE quanto à sua dinâmica militante, ao envolvimento de milhares e milhares de independentes, ao contacto directo com os trabalhadores nos seus locais de trabalho e ao diálogo esclarecedor com as massas, à pronta utilização dos meios de propaganda disponíveis. Isso exige um apurado trabalho de direcção de acordo com a concepção de campanha eleitoral única, com duas vertentes – Legislativas e Autárquicas – influenciando-se mutuamente e em que a dimensão nacional tem de ser predominante.

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A pesada derrota do PS e o avanço da CDU, os dois traços mais marcantes destas eleições são inseparáveis da intensa luta social que não se interrompeu no período pré-eleitoral e eleitoral, antes teve expressões de grande dimensão, com foi o caso da Marcha «Protesto, confiança e luta» promovida pela CDU. Longe de se excluírem ou «prejudicarem» (como uma concepção «eleitoralista» supõe), os planos de luta social e eleitoral influenciam-se mutuamente. E mesmo se entre ambos não há uma correspondência linear, importa ter isto bem presente para as batalhas eleitorais que aí estão a bater à porta. Aliás, a perspectiva é a do agravamento da situação económica e social, com a intensificação das manobras de diversão política e ideológica para enfraquecer a resistência à exploração capitalista e aos ataques ao regime democrático e os comunistas têm de estar, como sempre, na primeira linha da luta. Preparando tudo quanto é indispensável à transformação das próximas eleições em grandes campanhas de esclarecimento político, não só vamos colocar os reais problemas do país no centro da nossa campanha, como vamos apoiar com toda a força possível as lutas dos trabalhadores e das populações pelos seus direitos e interesses mais sentidos. Para corresponder a tantas e tão diversificadas tarefas, concentradas no espaço de poucos meses, é necessária uma judiciosa distribuição de forças e o envolvimento consciente e empenhado de todo o colectivo partidário, só possível com uma profunda discussão em todos os organismos do Partido. E que se tenha sempre presente que o alfa e o ómega da linha política do Partido e o factor determinante da mudança necessária é a luta popular de massas.

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De entre as tarefas que nos estão colocadas se há uma que de modo nenhum pode ser secundarizada ela é a da organização do Partido. A força organizada do PCP, com as suas raízes na classe operária e nas massas, é o instrumento principal dos comunistas na sua luta ao serviço do povo trabalhador e por uma sociedade nova sem exploradores nem explorados. Também nos excelentes resultados alcançados pela CDU nas eleições para o PE a chave esteve na organização. Sem dúvida que os camaradas e amigos que deram rosto à CDU, o seu prestígio e o seu empenho na batalha de esclarecimento junto do eleitorado, teve um grande papel no resultado alcançado, um papel que muito justamente o Comité Central pôs em relevo. Também o tiveram obviamente a mensagem e as acertadas propostas apresentadas pela CDU ao eleitorado e o tipo de campanha realizado de proximidade aos trabalhadores, às populações, aos seus problemas e aspirações. Mas o principal residiu na organização da CDU e em primeiro lugar na organização da sua componente principal, o PCP, e na iniciativa e militância dos seus membros. É por isso necessário encarar as próximas batalhas eleitorais como uma oportunidade de excepção para alargar as fileiras do Partido. Vamos estar em contacto com milhares de apoiantes da CDU, muitos dos quais pela primeira vez, que poderão tornar-se excelentes comunistas se soubermos aproximá-los de nós e lhes dermos a conhecer os objectivos revolucionários e a honrosa História do PCP. Podemos e devemos sair organicamente mais fortes das próximas batalhas sociais e eleitorais.

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Há fortes motivos para valorizar o crescimento eleitoral da CDU, e fortes motivos de confiança na possibilidade de ampliar ainda mais esse crescimento nas próximas batalhas eleitorais, condição necessária e insubstituível para abrir caminho a uma nova política e a uma política alternativa e de esquerda. Estão condenadas ao fracasso as tentativas dos nossos adversários e inimigos para apagar o grande sucesso eleitoral do PCP e da CDU, minar a nossa determinação e confiança na luta, desviar do apoio à CDU a corrente de descontentamento contra as políticas de direita que ecoa no país. As leituras absurdas, hostis e caluniosas dos resultados eleitorais da CDU (que, bolsando ódio, conhecido politólogo anticomunista foi ao ponto de considerar «derrota histórica») não surpreendem. Elas não são mais que a expressão da aguda luta de classes que se desenvolve em Portugal e em que o PCP, pelo papel que desempenha no combate às políticas de direita, ocupa com orgulho a posição de alvo principal do grande capital e dos partidos que o servem.

A questão é que há um partido com um sólido património de 88 anos de luta ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país, uma força que não só resistiu à contra-revolução portuguesa e à contra-revolução mundial que as derrotas do socialismo significaram, como se encontra solidamente enraizada, conta com apreciável apoio das massas, apresenta reais perspectivas de avanço e crescimento. E isso perturba os esquemas do pensamento único, inquieta as classes dominantes, assusta mesmo os centros de decisão do grande capital a braços com a crise sistémica do capitalismo, a falência das suas políticas e a crise das instituições, entre as quais se conta a própria União Europeia. 

A resistência do PCP, e as perspectivas de reforço da sua influência orgânica, política e eleitoral, são fruto da sua persistência, da sua coerência revolucionária, da sua firme posição de classe, da sua confiança nas massas populares e no futuro socialista e comunista de Portugal. Sejam quais forem as exigências da luta, não nos afastaremos deste caminho.