Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 301 - Jul/Ago 2009

Alargar a influência, desenvolver a luta, reforçar o Partido

por Francisco Lopes

1. O agravamento da crise do capitalismo, a integração e o rumo da União Europeia, os 33 anos de política de direita, conduziram Portugal a uma grave situação de exploração, desemprego, corrupção, injustiças sociais, declínio nacional.

Mais uma vez o futuro do País está colocado nas mãos do povo português. Não servem cenas de ilusionismo ou pequenos arranjos, operações de faz de conta para continuar a política de direita. É necessária a ruptura e a mudança, um novo rumo que concretize o projecto consagrado na Constituição da República Portuguesa. Um projecto que dê resposta aos problemas e aspirações dos trabalhadores, da juventude e do povo português, que liberte e dê seguimento à participação, à capacidade, à criatividade, ao trabalho, que em processos de transformação se revelam, corporizando num tempo novo a alegria e a força do impulso transformador de Abril. Por muito que preguem o conformismo e a desistência, é possível o povo português tomar o futuro nas suas próprias mãos.

2. O fracasso das opções da política de direita impõe a necessidade da ruptura e da mudança, a única solução para o desenvolvimento e a justiça social. No entanto, as classes dominantes, os grupos económicos e financeiros e o poder político que os serve congeminam já a continuação da mesma política. Recorrendo, desta vez em simultâneo, aos argumentos da crise e do défice, querem promover uma acção sem precedentes desde o 25 de Abril contra os interesses populares. Sinal disso é a ênfase que dão à chamada questão da governabilidade, falsamente confundida com estabilidade, e que não é mais do que o arranjo de poder para garantir a acção governativa ao serviço dos interesses dos grupos económicos e financeiros e promover a instabilidade geral, dos interesses e da vida dos trabalhadores, da juventude, do povo português, ao mesmo tempo que compromete cada vez mais o futuro do País.  Sinal disso é a procura de arranjos políticos e de alterações institucionais que permitam a continuação dum poder arrogante e coercivo (se puderem ainda mais agressivo) contra os interesses dos trabalhadores e do povo que possa reprimir a resistência e a luta cujo desenvolvimento a insistência numa política injusta e desastrosa exigirá.No seguimento do caminho de mais de três décadas, os próximos tempos, os próximos anos, vão ser decisivos e prefiguram uma agudização da luta de classes e da sua expressão no plano social, político e ideológico.O quadro económico, social e político deste ano de 2009 é assim de uma grande exigência e as opções e desenvolvimentos políticos que se verificarem têm um efeito que não é meramente conjuntural. 

3. Neste quadro, as eleições para o Parlamento Europeu, para as Autarquias Locais e principalmente as eleições para a Assembleia da República, têm uma grande importância e são inseparáveis da dimensão ainda mais decisiva que é a mobilização do povo português. Uma mobilização que deve ter a máxima expressão nas eleições com o voto na CDU e na acção de massas de modo a alterar a correlação de forças institucional e a correlação geral de forças na sociedade portuguesa, impondo a ruptura e a mudança, enfrentando aqueles que tudo farão, independentemente da vontade popular, para prosseguir a política de direita.O reforço do PCP e da CDU no plano eleitoral é decisivo (no caminho dos bons resultados obtidos nas eleições do Parlamento Europeu). Impõe-se o prosseguimento, o alargamento e a intensificação da luta de massas no plano social e a sua politização de acordo com as situações concretas, interligados com a exigência de uma mobilização política de massas, que teve grande expressão na Marcha «Protesto, confiança e luta. Nova política. Uma vida melhor», realizada em 23 de Maio no âmbito da CDU, esse mar de gente, mais de 85 mil pessoas, que encheu o centro de Lisboa. Tudo isto é inseparável e tem como elemento mais decisivo o reforço do PCP a todos os níveis (ideológico, político, interventivo, organizativo e de influência).

4. A experiência recente revela mais uma vez o carácter decisivo da organização partidária, da sua intervenção e capacidade de ligação às massas. A Marcha «Protesto, confiança e luta» só foi possível porque assentou no trabalho de milhares de activistas e centenas de organizações, alargado com a dinâmica da CDU e a mobilização dirigida a todos os que se identificaram com os seus objectivos. A mesma capacidade, meios próprios e independência organizativa, inseparável da identidade do Partido, foram a base da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, com um contributo decisivo para os seus resultados. Os silenciamentos, discriminações e manipulações contra o PCP e a CDU, apesar dos seus efeitos, teriam conseguido os seus objectivos se não fosse essa imensa força organizada, influente, esclarecedora e mobilizadora. Eles podem atingir o PCP, é certo, mas não está nas suas mãos impedir que este concretize a sua acção.

5. Com eleições legislativas e autárquicas no horizonte e outras exigências de intervenção política decorrentes da situação económica e social, do objectivo de ruptura e mudança para uma nova política, um Portugal mais desenvolvido e mais justo, o reforço do Partido está na ordem do dia. Até Outubro, num enquadramento em que os processos eleitorais têm grande relevância, levando em conta o carácter integrado das orientações para o reforço do Partido, assume particular relevo a mobilização de todas as forças para a intervenção face à situação económica e social e para as batalhas eleitorais no seguimento das eleições para o Parlamento Europeu, em que se insere a realização da Festa do Avante!.É essencial contactar e envolver os membros do Partido, dando uma atenção particular aos camaradas mais jovens na sua mobilização, inserção e responsabilização partidária.A fase em que estamos propicia e exige o desenvolvimento e o aproveitamento de todos os meios e formas de ligação às massas. Do trabalho individual de cada membro do Partido, ao trabalho político unitário organizado, envolvendo a dinamização dos contactos para as listas autárquicas, os compromissos de apoio à CDU, os abaixo-assinados, a acção de propaganda, tudo deve convergir para a mobilização do apoio ao Partido e à CDU e para o voto. Em termos de propaganda, o reforço de estruturas continua a impor-se como elemento indispensável neste trabalho. A responsabilização de cada membro do Partido por contactos individuais é essencial.O reforço da capacidade de direcção com responsabilização de quadros implica uma verificação de situações e medidas urgentes, tendo presente que na resposta às tarefas políticas, não pondo de lado medidas especiais, se deve fazer funcionar a estrutura partidária, responsabilizando-a e aos respectivos quadros. Particular atenção deve ser dada às estruturas de organização e intervenção a partir das empresas e locais de trabalho, prosseguindo o seu reforço com transferências e recrutamentos, responsabilizando-as também pelo trabalho eleitoral, fazendo-as funcionar e não permitindo retirada de quadros e enfraquecimentos.O recrutamento, aproveitando o trabalho de massas e os contactos que estão a ser feitos com a integração dos novos militantes no trabalho partidário, atribuindo-lhes um organismo e uma tarefa, é também uma questão a que deve ser dada a necessária atenção.São importantes aspectos do reforço do Partido, integrando organização e intervenção na acção imediata e na intervenção futura, preparando-o para tudo o que aí vem e que a partir de Outubro, após os processos eleitorais, se traduzem numa nova fase de concretização da acção «Avante! Por um PCP mais forte», decidida pelo XVIII Congresso, por uma nova política, por uma democracia avançada e pelo socialismo.

Ligação do Partido às massas, tarefa de todos os dias



Na orientação traçada pelo XVIII Congresso para o reforço do Partido, o fortalecimento da ligação do Partido às massas ocupa uma posição de grande importância.Se há uma razão que explica a longevidade do PCP e o seu papel insubstituível na luta do povo português por uma vida melhor, ela reside nas suas profundas raízes nos trabalhadores e nas massas populares.Para um Partido que existe para servir o povo, de nada vale dispor de uma organização numerosa se, entre outros aspectos igualmente importantes, não estiver permanentemente voltado para a realidade social em que actua e não cuidar da sua ligação às massas.É para contribuir para esse objectivo central do reorço do Partido que publicamos neste e no próximo número de O Militante um conjunto de artigos com experiências de trabalho em diferentes vertentes da actividade partidária.