Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 303 - Nov/Dez 2009

Tarefa essencial: mais força ao PCP

por Revista «O Militante»

1. Portugal no final desta primeira década do século XXI está marcado por uma grave situação económica e social em consequência da política de direita de 33 anos, cujo prosseguimento acentuará as injustiças sociais e o declínio nacional. Muitos elementos de conjuntura podem pesar, no entanto a questão essencial que se coloca é a ruptura e a mudança, a adopção de uma política de esquerda que abra o caminho a um país mais desenvolvido e mais justo. O PCP, com os trabalhadores e o povo, empenha-se neste caminho, é a força necessária, indispensável e insubstituível para o concretizar. 2. Com as eleições autárquicas terminou o ciclo eleitoral de 2009 e ao mesmo tempo uma fase da evolução política nacional. A CDU alcançou os seus objectivos nas eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República (reforçou a sua influência) e nas eleições autárquicas, mesmo com resultados insatisfatórios que não lhe permitiram atingir os objectivos, confirmou-se como uma grande força nacional, a grande força de esquerda no poder local, com mais de três mil eleitos directos. O PCP e os seus aliados saem destas batalhas eleitorais em boas condições de prosseguir e intensificar a sua intervenção. Destes resultados eleitorais sobressai a derrota da maioria absoluta do PS, o que comporta consequências para o futuro com um quadro diferente na Assembleia da República e é motivo de lições sobre os processos políticos.Uma derrota que, apurada nas eleições legislativas, foi de facto concretizada ao longo de quatro anos pela acção do PCP, pelo desenvolvimento da luta e do protesto dos trabalhadores e da população e é indissociável da opção do PS por uma política de afronta aos interesses dos trabalhadores e do povo. Os riscos de continuação e mesmo acentuação da política de direita são reais, mas ao mesmo tempo a derrota da maioria absoluta alarga as possibilidades de resultados da intervenção política e da luta de massas.





3. A grave situação económica e social e a agudização do confronto de classe e político colocam ao Partido fortes exigências políticas, ideológicas, organizativas e de intervenção.

Os profundos problemas com que o país se debate, a gravíssima situação social, colocam a necessidade da ruptura e mudança a que só o PCP pode dar resposta com o seu projecto, a sua força e capacidade de mobilização, a sua ligação e enraizamento nos trabalhadores, na juventude, no povo. Essa realidade, que mais uma vez se evidencia, revela a importância decisiva do PCP. Mas, por isso mesmo, conduz o grande capital, o poder político que o serve e o vasto conjunto de meios que controla (em particular na comunicação social) para a insistência numa linha de ataque, discriminação, calúnia e silenciamento do PCP das suas posições, propostas e projecto.

É neste quadro que, aprofundando análises, enfrentando campanhas, ultrapassando silenciamentos e linhas de diversão, o Partido se lança com toda a determinação para uma nova etapa da sua acção, como sempre baseada nos seus meios próprios e no aprofundamento da sua ligação às massas.

No seguimento da riquíssima experiência partidária, os tempos mais recentes comprovam a importância central da organização partidária. Na intervenção política, no trabalho de massas, nas acções eleitorais o papel da organização partidária é essencial para a concretização dos objectivos do PCP.





4. Esta realidade coloca com toda a força a necessidade do reforço do Partido e da concretização da acção «Avante! Por um PCP mais forte», decidida pelo XVIII Congresso. Desde o início deste ano tais decisões orientam a acção partidária. No entanto, as exigências de uma imensa mobilização de esforços que as campanhas eleitorais implicaram se, por um lado, testaram as organizações partidárias, mostraram capacidades existentes, debilidades a ultrapassar e revelaram grandes potencialidades de fortalecimento do Partido, por outro lado, limitaram uma maior concentração de atenções na concretização das orientações decididas pelo Congresso. Impõe-se agora dar seguimento pleno a esse trabalho.

Em primeiro lugar, promovendo uma discussão em todas as organizações que, partindo da análise da realidade económica, social e política, perspective a iniciativa e acção partidária e defina objectivos, programe e calendarize as medidas para o reforço do Partido.

Em segundo lugar, adoptando medidas imediatas. Uma larga acção de contacto visando o recrutamento para o Partido de dirigentes e activistas sindicais e de outros movimentos de massas e em particular de muitos dos milhares de candidatos da CDU nas eleições autárquicas que não têm ainda filiação partidária e a sua integração no Partido. A avaliação de necessidades de direcção e a responsabilização de quadros que assegure o reforço da capacidade de direcção. A urgente dinamização do funcionamento das organizações de sectores, empresas e locais de trabalho. Uma atenção mais concentrada à recolha de fundos, concretizando a campanhas de fundos e adoptando as medidas indispensáveis relativamente às quotizações (discussão mensal, informatização, mais responsáveis pela cobrança), a par de um cuidadoso acompanhamento das despesas.

Em terceiro lugar, promovendo a elaboração de planos de trabalho com objectivos para 2010, considerando o conjunto das questões apontadas no XVIII Congresso. Tal perspectiva exige uma discussão mais aprofundada, inserida na intervenção geral do Partido, no entanto há aspectos essenciais que é necessário considerar desde já: o acompanhamento e responsabilização de quadros (não funcionários, funcionários e subsidiados); a formação política e ideológica; o reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores em geral nas empresas e locais de trabalho; o trabalho com camadas e sectores sociais específicos (juventude e apoio à JCP, mulheres, intelectuais e quadros técnicos, MPME, reformados e pensionistas, pessoas portadoras de deficiência); a criação e dinamização das organizações de base, designadamente aproveitando o impacto e envolvimento das eleições autárquicas; a estruturação partidária; a realização de Assembleias das Organizações; o recrutamento e integração de novos militantes (fazendo levantamentos de dirigentes e activistas sindicais e de outros movimentos de massas e de candidatos das listas autárquicas); o desenvolvimento do trabalho de ligação às massas nas suas muito diversificadas vertentes, a propaganda, a imprensa e os meios de comunicação; o prosseguimento do esclarecimento da situação dos inscritos no Partido; as questões financeiras; os Centros de Trabalho.





5. O desenvolvimento destas linhas essenciais numa grande e empenhada acção de reforço do Partido, colocam a cada militante e organização tarefas importantes, para que o Partido resista e avance, cumpra o seu papel para com os trabalhadores o povo e o País, na afirmação da sua natureza e identidade comunista, na concretização do seu projecto de uma democracia avançada, duma sociedade nova, a sociedade socialista.