Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 309 - Nov/Dez 2010

Organizar: uma tarefa central. Organizar para agir, organizar para resistir, organizar para vencer

por Revista o Militante

Portugal enfrenta uma situação difícil. O capitalismo, a sua natureza, o agravamento da sua crise e a sua repercussão sobre os trabalhadores e os povos, o rumo de integração europeia de formatação do capitalismo, com as suas consequências gerais e ainda mais pronunciadas para os países menos desenvolvidos como Portugal, a política de direita e de abdicação nacional de sucessivos governos e de outros responsáveis políticos são os eixos de um rumo que criou uma situação de profundas injustiças sociais, de declínio económico e social, de concentração do poder nos grupos económicos e financeiros, de comprometimento da soberania nacional.

Agora procuram dar um salto qualitativo na brutal ofensiva de injustiça social e afundamento do País. Nunca desde o fascismo foi promovido tal retrocesso social. A exigência de intervenção política, ideológica e da luta de massas para enfrentar tal caminho coloca-se com toda a acuidade. Cada vez mais a situação do País impõe a ruptura com a política de direita, uma profunda mudança, uma alternativa assente numa política patriótica e de esquerda, no caminho da democracia avançada e do socialismo. A situação actual e os previsíveis desenvolvimentos colocam a organização como um elemento central. A organização da classe operária e dos trabalhadores no plano unitário, a organização das diferentes expressões do movimento popular e, por maioria de razão, a organização do Partido.

Organizar, organizar e agir é sem dúvida uma grande questão da actual situação. A acção «Avante! Por um PCP mais forte», a concretização integrada das suas orientações, assume assim particular importância. Aí estão as orientações que levadas à prática serão capazes de dotar o Partido de melhores condições para cumprir o seu papel insubstituível. Numa situação marcada por uma rara exigência, é indispensável um rigoroso trabalho de direcção aos vários níveis, para dirigir, preparar, programar, calendarizar e dinamizar a concretização integrada do conjunto das tarefas partidárias, incluindo as medidas de reforço do Partido.

É necessário ter em atenção algumas das orientações centrais do reforço do Partido: A responsabilização e formação de quadros, procedendo-se à avaliação dos estrangulamentos de direcção existentes e promovendo a responsabilização de quadros no sentido de superá-los e alargar a capacidade de direcção. Ao mesmo tempo deve fazer-se o ponto de situação dos quadros responsabilizados e ver, no quadro do acompanhamento regular, aqueles que precisam de uma ajuda particular, de modo a contribuir para o sucesso das responsabilizações efectuadas.

O estímulo à formação implica a programação e concretização de mais cursos e outras iniciativas neste âmbito. O reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, responsabilizando e consolidando as responsabilizações por este trabalho, concretizando e alargando as listas de contactos para recrutamento e integração de novos militantes, no âmbito da campanha em curso de 1000 novos militantes, e promover a intervenção e a ligação às massas, fazendo funcionar e reforçando a organização na preparação e concretização das lutas de massas, em particular da Greve Geral de 24 de Novembro.

O fortalecimento das organizações de base e a realização de assembleias, reavaliando a definição daquelas que não funcionam, procedendo aos reagrupamentos necessários face a quadros disponíveis e principalmente dinamizando as organizações de base, fazendo-as funcionar com resposta e iniciativa à gravidade dos problemas económicos e sociais, às necessidades e aspirações dos trabalhadores e das populações. Tendo presente que já se realizaram, este ano, cerca de 230 assembleias das organizações, concretizar as que faltam, promovendo a sua programação. O desenvolvimento do trabalho com camadas sociais específicas, designadamente: reformados, com a criação de células; juventude, no seguimento do Congresso da JCP; intelectuais e a área da cultura, avaliando e criando estruturas e destacando quadros; PME, considerando medidas capazes de dinamizar o trabalho associativo, reivindicativo e de massas.

O recrutamento, valorizando o ritmo de recrutamento verificado, actualizando listagens, intensificando contactos, assegurando a integração dos novos militantes (um organismo, uma tarefa), concretizando nos organismos onde não existe o responsável pelo controlo de execução da integração dos novos militantes e procedendo ao balanço do apuramento da integração dos novos militantes inscritos em 2009 e 2010. A entrega do cartão aos membros do Partido que o não têm, fazendo o ponto de situação e programando medidas para a entrega dos cartões em falta, o que, para além do funcionamento orgânico, implica a constituição de equipas especiais e a definição de jornadas. A imprensa do Partido, tomando medidas para repor a venda do «Avante!» de antes de férias e dinamizar vendas, valorizando e responsabilizando mais militantes por esta tarefa. A concretização do reforço da intervenção política, da acção ideológica e da ligação às massas e de medidas de reforço das estruturas de propaganda, inseridas na dinamização da luta de massas e do reforço das organizações e movimentos unitários e na intensificação da intervenção política geral do Partido e eleições presidenciais.

O trabalho para alargar os meios financeiros, com destaque para a recolha de quotas, com o controlo mensal e a aplicação do programa em todas as organizações, responsabilizando mais camaradas por esta tarefa, designadamente militantes mais jovens e considerando mais iniciativas de acompanhamento, apoio e valorização dos camaradas que têm esta tarefa, ao mesmo tempo que deve ser dada atenção à campanha de Natal e à necessidade de critérios rigorosos de despesas e de reforço das medidas e estruturas de contabilidade e controlo financeiro. A consideração e dinamização dos Centros de Trabalho, como importantes bases de apoio à intervenção e ao alargamento da influência partidária. Estas são orientações a concretizar de forma integrada e articulada com a intervenção partidária geral, ao mesmo tempo que assume particular importância a divulgação, venda e promoção da leitura do livro «O Partido com paredes de vidro» de Álvaro Cunhal e a realização de sessões de debate sobre o mesmo, como elemento essencial de enquadramento da acção de reforço do Partido.

O Partido Comunista Português, a sua história de nove décadas, a sua razão, os seus valores, o seu projecto afirma-o na actualidade como o partido de que Portugal precisa. Tínhamos e temos razão. Alertámos em todos os momentos decisivos que nos conduziram à situação actual.

Temos propostas e um projecto alternativo indispensável aos trabalhadores, ao povo e ao País. Quando, em 2011, se comemora o 90.º aniversário do Partido Comunista Português é indispensável considerar que a principal forma de assinalar uma data com tal significado é assegurar que o Partido cumpra o seu papel, que se reforce no plano da organização, da intervenção e da influência, valorizando a história e assegurando o futuro. Organizar para agir; organizar para resistir; organizar para vencer, eis na complexa e exigente situação em que vivemos um importante compromisso de intervenção dos comunistas portugueses.