Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 310 - Jan/Fev 2011

A luta e o 90.º aniversário do PCP

por Revista o Militante

Em 2011 o PCP completa 90 anos sobre a data da sua fundação em 6 de Março de 1921, acontecimento maior na história do movimento operário e da luta libertadora do povo português que o Comité Central do Partido decidiu assinalar articulando as exigências da luta com a afirmação e valorização de um património ímpar de valores e experiências que se projectam para a actualidade da intervenção transformadora e revolucionária dos comunistas e de quantos aspiram a uma sociedade mais livre e mais justa.
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O quadro nacional e internacional em que assinalaremos o 90.º aniversário do PCP é extraordinariamente complexo e coloca perante os comunistas portuguesas tarefas de uma grande exigência. E tanto mais quanto o PCP é a única força política que combate consequentemente a mais violenta ofensiva exploradora desencadeada depois do 25 de Abril contra os trabalhadores e demais classes anti-monopolistas. A única que se bate com determinação pela ruptura com 35 anos de políticas de direita e por uma alternativa que coloque os interesses dos trabalhadores, do povo e do país (e não do grande capital) no centro da sua política. A única que levanta com honra a bandeira da soberania e da independência nacional e combate em todas as circunstâncias a política das classes dominantes de submissão de Portugal ao imperialismo. A única que, insistindo na luta popular de massas como chave da mudança e motor da transformação social, se bate em todas as frentes, na rua e nas instituições, por uma política patriótica e de esquerda que, defendendo a Constituição da República e lutando por uma democracia avançada, aponta ao povo português a perspectiva do socialismo, alternativa que a profunda crise em que o sistema capitalista se debate torna ainda mais necessária e urgente.

 


O PCP que foi a grande força da resistência antifascista e da luta pela liberdade, a grande força da Revolução de Abril e das históricas conquistas alcançadas pela intervenção revolucionária da classe operária e das massas populares em aliança com o MFA, a grande força da resistência, palmo a palmo, ao avanço da contra-revolução e reconstituição do capitalismo monopolista de Estado, está hoje nas primeiras linhas da luta dos trabalhadores e das populações em torno de reivindicações imediatas, ou em acções de nível superior – como a histórica Greve Geral de 24 de Novembro, ou mesmo a manifestação de 20 de Novembro por ocasião da cimeira da NATO – afirmando-se como a grande força da ruptura e da mudança de que Portugal urgentemente necessita.

Estamos onde sempre estivemos ao longo dos 90 anos de história do Partido, com os trabalhadores e com o povo. Essa é a razão por que o PCP desempenhou e desempenha um papel único e insubstituível na história contemporânea de Portugal. Não afirmamos isto por sobranceria, traço estranho a uma força política que sempre procurou dar expressão prática às alianças da classe operária e se honra de ser o partido da unidade popular e democrática. Afirmamo-lo porque é esta a realidade, uma realidade que a classe dominante e as suas instâncias de produção ideológica, da escola à comunicação social, ocultam e caluniam porque sabem que no dia em que o povo português conhecer e reconhecer o papel histórico dos comunistas o seu poder antidemocrático terá os dias contados.

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O papel necessário e insubstituível do PCP na vida nacional tem raízes sociais profundas e é inseparável de características que configuram a sua identidade revolucionária e que é necessário ter presente, particularmente quando a agudização da luta de classe e as dificuldades no caminho de alternativas de progresso social pressionam tanto no sentido da adaptação oportunista ao estado de coisas existente, como da impaciência e  radicalização esquerdista. Se há factor indispensável à formação ideológica dos membros do Partido ele é o conhecimento e a assimilação da História do PCP como também da História da Revolução portuguesa, aliás inseparáveis.
A passagem do 90.º aniversário do PCP constitui uma excelente oportunidade para lembrar que, fundado ao eco das salvas da Revolução de Outubro, este partido é uma criação da classe operária portuguesa para defender os seus interesses e realizar a sua missão histórica libertadora de pôr fim à exploração do homem pelo homem. E também para reflectir sobre as razões de sermos como somos e termos chegado onde chegámos, as razões que nos levam a prosseguir valores e objectivos revolucionários que, entretanto, vergados pela complexidade do empreendimento comunista e pela penetração da ideologia burguesa, outros partidos abandonaram. Ou sobre esse feito, raro senão único no movimento comunista de, desde a reorganização de 1940/41, termos atravessado unidos grandes tempestades e viragens na vida do país e da situação internacional, incluindo uma revolução social (Abril) e duas contra-revoluções (a portuguesa e a mundial resultante da destruição da URSS e do socialismo no Leste da Europa). E termos conseguido manter um grande e influente partido nacional e um lugar honroso no movimento comunista e revolucionário.
Leiamos uma vez mais O Partido com paredes de vidro do camarada Álvaro Cunhal e aí encontraremos as traves-mestras que sustentam a vitalidade e a coesão do PCP: natureza de classe, raízes, formas de organização, estilo de trabalho, teoria e modo de a conceber, em suma características historicamente configuradas que é necessário conhecer e preservar.

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Entramos neste novo ano sob o fogo continuado da ofensiva exploradora do grande capital e de novas ameaças ao regime democrático constitucional e à soberania e independência nacional. Estamos conscientes das duras batalhas que temos pela frente, a começar pela batalha das  Presidenciais, com o forte dinamismo que é necessário imprimir à campanha em torno da candidatura do camarada Francisco Lopes de modo a concretizar todo o seu imenso potencial unitário e a conferir-lhe dimensão de massas. Esta é a tarefa prioritária das próximas semanas. Não esquecemos as linhas de trabalho que estão colocadas na sequência do grande êxito que a Greve Geral constituiu e que nunca será demais valorizar, persistindo por toda a parte no desenvolvimento da luta dos trabalhadores, das populações, da juventude. Nem a tarefa de reforço do Partido e da sua ligação às massas, tarefa permanente e inseparável da luta popular. Mas é na batalha das Presidenciais que temos agora de concentrar a atenção e as energias de todo o colectivo partidário. E fazê-lo com a confiança – que os 90 anos de história do PCP demonstram – de que na luta libertadora dos trabalhadores e dos povos não há impossíveis, e que a acumulação de forças e as viragens de progresso se constroem nas pequenas e grandes lutas do dia-a-dia mesmo quando os seus resultados imediatos ficam aquém do desejado. Esta é uma das maiores lições que a história heróica do PCP e do movimento comunista e revolucionário mundial comprovam.  

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Dando continuidade à edição dos «Cadernos O Militante», iniciada o ano passado com textos do camarada Barata-Moura, iniciamos com este número a edição de uma nova série de seis cadernos sobre temas de História Universal; estamos certos de que esta será uma contribuição positiva para promover o interesse pelo estudo e elevar o nível ideológico dos membros do Partido.

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À entrada do novo ano a redacção de «O Militante» endereça aos seus leitores e a todo o colectivo partidário os seus melhores votos. Votos de bom trabalho e de felicidade pessoal. Votos especialmente endereçados à redacção, colaboradores e difusores do órgão central do Partido, o «Avante!», que no próximo dia 15 de Fevereiro completa 60 anos de existência ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país.
Bom Ano, camaradas!