Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 311 - Mar/Abr 2011

90.º aniversário do PCP. Memória, confiança e luta

por Revista o Militante

Celebramos o 90.º aniversário do Partido numa situação nacional (e internacional) muito complexa que coloca aos comunistas portugueses tarefas muito exigentes no plano da sua intervenção social, política e ideológica.

Uma situação em que a esmagadora maioria do povo português, enfrentando a mais violenta ofensiva desde o 25 de Abril contra os seus direitos e conquistas, vive tempos de grandes dificuldades, enquanto que a Banca e os grandes grupos económicos continuam a acumular lucros fabulosos; marcada pelo colossal endividamento externo do país, como resultado de décadas de políticas de destruição do tecido produtivo nacional, como evidencia a campanha do PCP «Portugal a produzir»; em que a capitulação do Estado perante as imposições da Alemanha e graves desenvolvimentos federalistas na União Europeia está a conduzir a uma vertiginosa perda dos instrumentos de soberania do país; em que aqueles que nunca se conformaram com o carácter progressista muito avançado da Constituição da República procuram, com a sua revisão subversiva, desferir um novo e profundo golpe no regime democrático que ela consagra; em que PS, PSD, CDS e Presidente da República, todos invocando o interesse nacional para melhor servir o grande capital, manobram para levar sempre mais longe as políticas que têm arruinado o país e semeado o desemprego, a precariedade e a pobreza, desenvolvendo para o efeito colossais campanhas de desinformação e diversão ideológica que provocam confusão, fomentam o conformismo e o desânimo entre as massas e atrasam a correspondência da luta de massas no plano político e eleitoral.

 

No horizonte, o que se perfila é uma já anunciada recessão económica e o agravamento da situação social; são novos e perigosos ataques no plano da legislação laboral, da contratação colectiva, ao movimento sindical; são novos golpes na soberania nacional e no regime democrático; são mais tentativas para condicionar a acção independente do PCP. É dever do Partido estar preparado para toda e qualquer situação por mais difícil que seja, cuidando permanentemente da organização partidária, particularmente nas empresas e locais de trabalho, reforçando a sua ligação com os trabalhadores e o povo, persistindo na luta de massas como chave da ruptura e da mudança necessária. Para o PCP a confiança nas massas e no seu papel determinante no processo libertador – como uma vez mais está a acontecer no mundo árabe – não é um slogan de circunstância, mas um elemento central da sua visão do mundo e da sua estratégia revolucionária. O Partido não é um fim em si, mas o instrumento historicamente necessário à emancipação dos trabalhadores e, com ela, à emancipação das massas populares. Nas curvas mais apertadas da luta, quando os golpes da repressão foram tão violentos que quase tudo parecia perdido, o Partido nunca perdeu a confiança e foi sempre na classe operária e nas massas populares que encontrou a energia, o apoio e a inspiração que lhe permitiram resistir, seguir em frente, tornar-se indestrutível e afirmar-se, como hoje se afirma, como a grande força nacional necessária e insubstituível à luta dos trabalhadores e do povo pela liberdade, a democracia e o socialismo.

 

O Comité Central na sua reunião de 11 e 12 de Fevereiro examinou a situação nacional e internacional, traçou orientações, definiu as principais tarefas que se colocam ao colectivo partidário. São tarefas sem dúvida muito exigentes tendo, nomeadamente, em conta as incertezas do calendário político, com o PSD interessado em que o PS continue a fazer o trabalho sujo da política de direita e simultaneamente preparando-se para o momento em que o grande capital decida mudar de cavalo. Mas ao tacticismo de baixa política o PCP responde com posições de princípio, apontando os reais responsáveis pela grave situação do país, resistindo palmo a palmo à ofensiva do capital, conjugando a luta de massas (decisiva) com a acção institucional, lutando pela ruptura e pela mudança, mostrando na prática que, ao contrário do que as campanhas de diversão ideológica pretendem, os partidos não são «todos iguais», há um partido diferente, o PCP,  que nasceu para servir os trabalhadores e o povo e que ao longo dos seus 90 anos de vida e de luta honrou sempre esse seu compromisso fundador.

 

Assim foi concretamente na grande batalha política das eleições para a Presidência da República em que a candidatura do camarada Francisco Lopes foi a única que esteve nas fábricas e nas ruas em diálogo com os eleitores, a única que trouxe para a campanha os reais problemas do povo e do país, a única que se inseriu na dinâmica da luta popular de massas, a única que se situou como real alternativa a Cavaco Silva. Por isso, o PCP sai das Presidenciais de cabeça bem erguida, unido, mobilizado, prestigiado, em melhores condições para travar os duros combates que aí vêem. O debate já realizado nas organizações do Partido após a reunião do Comité Central de Janeiro, em particular as importantes reuniões de quadros com a participação do Secretário-Geral, mostra que assim é. E confirma que as condições são favoráveis ao reforço do Partido. Da campanha eleitoral, como das lutas dos trabalhadores e das populações  – em que se destaca a Greve Geral e a grande combatividade e coragem que evidenciou, nomeadamente entre a juventude trabalhadora – ficaram valiosos conhecimentos e contactos que é necessário organizar, seja nos sindicatos e noutras organizações unitárias, seja alargando as fileiras do Partido. Empenhando-nos na laboriosa articulação da luta com o trabalho de organização alcançaremos os objectivos que o Comité Central aponta para as celebrações do 90.º aniversário do PCP no terreno do reforço do Partido.

 

Neste número de «O Militante» publicamos os documentos do Comité Central de 11 e 12 de Fevereiro, o comunicado da reunião e uma resolução sobre o 90.º aniversário do PCP; é necessário que eles sejam efectivamente «agarrados» pelas organizações do Partido e tomadas medidas para  levar à prática as suas orientações e decisões de acordo com a situação e as possibilidades concretas de cada uma. Isso é particularmente urgente em relação às comemorações do 90.º aniversário do Partido, programando iniciativas que liguem a valorização do passado heróico do PCP com a sua intervenção no presente.


Os 90 anos do PCP constituem uma excelente oportunidade para que todo o colectivo partidário aprofunde o conhecimento do rico património histórico do seu Partido. Só conhecendo o caminho percorrido e honrando a memória daqueles que, como Álvaro Cunhal, talharam a golpes de coragem e criatividade revolucionária o Partido a que nos orgulhamos de pertencer, poderemos enfrentar com confiança as duras batalhas do presente e apontar com segurança os caminhos do futuro. Mas temos sobretudo de celebrar os 90 anos do PCP voltados para fora, para os nossos aliados reais e potenciais, para a classe operária, para a juventude. E todas as organizações devem ter as suas próprias iniciativas, por modestas que sejam, inseridas neste amplo movimento de dar a conhecer o Partido, a sua História, a sua linha política, o seu programa de uma democracia avançada e o seu projecto de sociedade socialista. Informando, debatendo e ouvindo atentamente o que pensam e o que esperam os trabalhadores e as jovens gerações do PCP. Assim fazendo ficaremos em melhores condições para desempenhar o papel insubstituível que cabe aos comunistas na vida nacional.