Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 312 - Mai/Jun 2011

Para dar mais força à CDU - Uma campanha política de massas

por Revista o Militante

Portugal vive um dos momentos mais graves desde a Revolução de 1974, cujo 37.º aniversário o povo português acaba de celebrar fazendo ouvir por todo o país a sua voz em defesa de conquistas e direitos alcançados com Abril, consciente de que o seu continuado empobrecimento e destruição estão na raiz da profunda crise económica, social e política do país.

 

Crise que tem causas internas imediatas – as políticas de direita de que sucessivos PECs são a expressão mais visível – e causas de natureza externa relacionadas com a actual fase de desenvolvimento do capitalismo e a resposta liderada pelo capital financeiro à profunda crise estrutural do sistema. Mas as suas causas mais profundas residem em trinta e cinco anos de processo contra-revolucionário conduzido pelo PS, PSD e CDS em alianças de geometria variável, sempre ao serviço do grande capital e do imperialismo.
Regressaram os grandes grupos económicos que a revolução liquidara e constituíram-se outros novos. O capitalismo monopolista foi restaurado e com ele o domínio do grande capital sobre a vida económica e política do país. A soberania nacional sofreu golpes profundos. E a democracia foi empobrecida e amputada, a tal ponto que a classe dominante e o imperialismo, com a maior desfaçatez, estão a antecipar decisões da maior gravidade, procurando impô-las antes mesmo das eleições de 5 de Junho terem lugar.
O PCP não só não aceita a tentativa de predeterminar o resultado das eleições como, ciente das dificuldades e constrangimentos anti-democráticos que as rodeiam, vai lutar com toda a força de que for capaz para que esse resultado represente um importante passo para a ruptura e a mudança de que o país urgentemente precisa. A acção nacional de contacto directo com os trabalhadores e o povo, sob o lema «um milhão de contactos por uma política patriótica e de esquerda», insere-se neste esforço determinado com que vamos conduzir a campanha eleitoral da CDU, campanha em que o combate à brutal ingerência externa não pode deixar de ocupar lugar do maior destaque.


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Mas como foi possível chegar a uma situação em que Governo, Presidente da República, PS, PSD e CDS, Confederações patronais e UGT, ajoelham diante das agências de notação e dos mercados financeiros, escancaram o país às imposições da UE e do FMI, negoceiam nas costas do povo medidas que vão significar novos e brutais ataques anti-sociais, mais desemprego, mais pobreza e sofrimento para centenas de milhar de famílias, ataques profundos a direitos laborais e sindicais, afundamento da economia, aprisionamento na infernal espiral de endividamento, dependência e colonização de Portugal pelo grande capital transnacional e pelas grandes potências imperialistas?


Como é possível que se não verifique na classe dominante qualquer manifestação, mínima que seja, de resistência ao brutal esbulho do trabalho e da riqueza do país e que o «interesse nacional» seja  invocado sem vergonha para justificar medidas e alianças precisamente contra o interesse nacional?
É possível porque a classe dominante, a Banca, os grandes grupos económicos, as camadas parasitárias que vivem do saque organizado do património público e da especulação, estão estreitamente associados ao capital estrangeiro, numa posição subalterna e dependente mas com interesses coincidentes. As políticas e imposições da UE e do FMI servem às maravilhas as suas políticas de agravamento da exploração dos trabalhadores, de saque do sector empresarial do Estado, de privatização do ensino, da saúde e tudo quanto possa dar lucro, de tentativa de enfraquecimento do movimento sindical, de ataque à Constituição da República e ao regime democrático que consagra.


Antes do 25 de Abril, o poder fascista era a «ditadura terrorista dos monopólios (associados ao imperialismo) e dos latifundiários», hoje, do ponto de vista de classe, a situação é semelhante, só o regime político é diferente. Profundamente diferente, conservando traços democráticos que é importante valorizar e defender através da urgente ruptura que preconizamos com 35 anos de políticas de direita e uma alternativa patriótica e de esquerda que reencaminhe o país pelos trilhos do desenvolvimento económico, do progresso social, da independência nacional e da defesa e aprofundamento da democracia cujas portas Abril abriu.


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As eleições de 5 de Junho revestem-se de uma excepcional importância. O que está em jogo quanto ao rumo do país exige que, lutando com todas as forças para derrotar a operação de ingerência e saque da UE e do FMI, transformemos a campanha eleitoral da CDU numa grande campanha política de massas dirigida ao espírito crítico e à inteligência dos portugueses, uma campanha de grande proximidade com os eleitores, de diálogo e esclarecimento de amigos, familiares, vizinhos, companheiros de trabalho, de quantos, apesar da enorme campanha de desinformação e diversão ideológica e tendo anteriormente votado noutros partidos, se abrem à mensagem do PCP e da CDU. Uma campanha que, envolvendo e mobilizando todo o Partido numa intervenção militante, dê expressão concreta à acção «um milhão de contactos por uma política patriótica e de esquerda» decidida pelo Comité Central e confirmada no Encontro Nacional de 17 de Abril. Uma campanha confiante, que dê combate ao desalento e ao conformismo, desmascare os desenvergonhados apelos ao «voto útil de esquerda» no PS, mostre que os partidos não são «todos iguais» e que o PCP, com uma história de 90 anos ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país, é um partido diferente, fiel à palavra dada, portador de propostas para a solução dos problemas do país e de um projecto de sociedade nova que merecem a confiança e o apoio dos portugueses.


É porque é verdadeira e justa que a mensagem do PCP é sistematicamente apagada nos grandes órgãos de comunicação social onde praticamente só tem lugar a voz do pensamento único da classe dominante. Por isso temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para derrubar o muro de mentiras e mistificações em que querem aprisionar os portugueses, mostrar que não há solução para os problemas do país sem a ruptura e a mudança que o PCP preconiza, e que uma forte votação na CDU é da maior importância no caminho para alcançar um governo patriótico e de esquerda capaz, com o apoio dos trabalhadores e das massas, de retomar o rumo do progresso económico, bem estar social, democracia e soberania nacional.


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Dando corpo a uma audaciosa campanha de esclarecimento, e sempre na primeira linha da resistência e da luta dos trabalhadores e das populações, os comunistas, de acordo com a melhor tradição de 90 anos de história do PCP – «Lutar e Organizar, Organizar e Lutar» – não podem descurar as tarefas de organização partidária. O desenvolvimento da intervenção social e política vai revelar muitos trabalhadores e trabalhadoras, particularmente jovens, com condições para se tornarem bons militantes comunistas; é preciso descobri-los, recrutá-los, integrá-los em colectivos e, em muitos casos, responsabilizá-los audaciosamente. É preciso cuidar do envolvimento de todo o colectivo partidário na discussão da situação e das tarefas do Partido. É necessário continuar a prestar atenção prioritária à organização das células de empresa e local de trabalho. É necessário garantir um forte avanço no trabalho de cobrança de cotas e de recolha de fundos para assegurar a actividade do Partido.
O Partido tem de chegar ao fim da batalha eleitoral mais forte e em melhores condições para prosseguir a luta pela ruptura e a mudança, por uma política e um governo patriótico e de esquerda, pela concretização do Programa de uma democracia avançada, sempre com os olhos postos na sociedade socialista e comunista, objectivo supremo de luta do PCP.