Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 314 - Set/Out 2011

Organizar para a afirmação, a intervenção e a luta

por Revista o Militante

A evolução da situação evidencia cada vez mais o papel do Partido Comunista Português. A sua intervenção e fortalecimento são essenciais. Tarefa de sempre, o reforço do Partido implica na situação actual e nos próximos tempos uma atenção particular, articulada com o conjunto da intervenção partidária.

A acção «Avante! Por um PCP mais forte» e as suas direcções de trabalho a concretizar de forma integrada são o eixo orientador da acção de reforço do Partido. Aí estão definidas orientações, direcções de trabalho, medidas, elementos de planificação e a calendarização de acções que são base do trabalho de todas as organizações e militantes, na acção a concretizar face a diferentes realidades e com a criatividade que cada situação particular exige.
Organizar para a afirmação do ideal e projecto comunista, para a dinamização da intervenção partidária e para o desenvolvimento, alargamento e intensificação da luta de massas é questão de grande actualidade no reforço do Partido.

Organizar para a afirmação do projecto do PCP e do ideal comunista

A situação em que vivemos evidencia cada vez mais a natureza exploradora, predadora e agressiva do capitalismo, mostra as consequências nefastas do processo e do rumo da integração na UE, revela em toda a dimensão o carácter da política de direita e de abdicação nacional das últimas três décadas e meia. Uma situação que dá razão às prevenções, aos alertas que o PCP fez e que acima de tudo coloca a necessidade urgente de concretizar as suas propostas e projecto. Os dias de hoje colocam a necessidade da derrota do programa de submissão e agressão aos trabalhadores, ao povo e ao País, estabelecido com o FMI, a UE e o BCE, e colocam a urgência da ruptura com a política de direita e de abdicação nacional, de uma alternativa e de uma política patriótica e de esquerda, da democracia avançada e do socialismo. O ideal e projecto comunista de uma sociedade nova livre da exploração e da opressão é a alternativa que se impõe ao capitalismo. Organizar para dar mais força, projecção e influência ao ideal e projecto comunista é uma tarefa da maior actualidade.

Organizar para a dinamização da intervenção a todos os níveis

A situação em que vivemos exige uma ampla acção de esclarecimento, de informação e propaganda, de ligação estreita e profunda aos trabalhadores e às massas populares, uma percepção dos seus problemas, preocupações, estados de espírito, aspirações e reivindicações, uma intervenção de cada organização junto dos trabalhadores e da população da sua área de intervenção. O conhecimento, a discussão, a elaboração de propostas e a intervenção sobre os problemas da realidade em que está inserida cada organização, elemento constitutivo permanente do seu estilo de trabalho, deve ser hoje uma preocupação central do trabalho partidário. Organizar para conhecer mais e melhor, organizar para intervir com mais intensidade e eficácia são importantes divisas da acção partidária.

Organizar para o desenvolvimento da luta de massas

A situação em que vivemos, 37 anos após a Revolução de Abril, é marcada simultaneamente pelo impacto de três décadas e meia de política de direita e de abdicação nacional e pela ofensiva actual de continuação e aprofundamento dessa política, consubstanciada no programa de submissão e agressão subscrito pelo PS, PSD e CDS com o FMI, a UE e o BCE, na defesa dos interesses do capital financeiro nacional e transnacional. Esta ofensiva dirigida no plano político pelo Governo PSD/CDS-PP, com a assessoria do PS e o acordo e estímulo do Presidente da República, constitui a maior operação desencadeada contra os trabalhadores, o povo português, desde o regime fascista. Uma brutal sucessão de medidas de agravamento da exploração, empobrecimento do povo, afundamento do País e liquidação da soberania nacional está em curso. Todo um programa que precisa de ser combatido e derrotado para impedir as suas consequências desastrosas e para abrir caminho a um rumo patriótico e de esquerda capaz de responder aos problemas nacionais.

Ao pacto estabelecido, à destruição pedra a pedra dos direitos, das condições de vida, do futuro do País que ele comporta, só a luta de massas se pode opor. A ruptura e mudança, um rumo patriótico e de esquerda só é possível com a força da luta dos trabalhadores e das massas populares. A força das massas é sempre uma questão decisiva, na actual situação de forma acrescida. A luta de massas impõe-se como prioridade da intervenção política.

A luta de massas é influenciada por muitos factores, entre os quais se incluem os problemas e a sua percepção, os objectivos, as formas de luta, o grau de esclarecimento, de unidade e mobilização e em que é relevante o nível de organização. A luta decorre de condições objectivas e subjectivas, não depende apenas da necessidade de a desenvolver, mas é influenciada no quadro das condições objectivas existentes pela intervenção para a sua dinamização.

Organizar para o desenvolvimento, alargamento e intensificação da luta de massas é, ainda mais no tempo que vivemos e no futuro próximo, uma questão central do trabalho partidário. A cada organização partidária coloca-se assim a necessidade de centrar a sua intervenção na forma de desenvolver a luta de massas.

Dar expressão de luta à exigência da resolução de cada problema, à resposta a cada linha de ofensiva, à concretização de cada reivindicação, inserindo-a na acção convergente para a derrota da política de direita e do programa de submissão e agressão que a materializa e na luta por uma política patriótica e de esquerda; promover o esclarecimento, a unidade, a mobilização e a organização dos trabalhadores e da população; considerar as formas que permitam a intensificação da luta, tendo sempre presente a sua dimensão de massas e a necessidade de tomar a iniciativa, de ser de facto vanguarda; trabalhar para o fortalecimento dos movimentos unitários de massas e de estimular a sua criação quando necessário, são algumas tarefas de particular acuidade.

Organizar para lutar, organizar para resistir, organizar para vencer é divisa com ainda maior importância na situação actual.
A afirmação do ideal e projecto comunista, a dinamização da intervenção partidária, o desenvolvimento, alargamento e intensificação da luta de massas, são questões essenciais presentes no objectivo de um PCP mais forte, que só é possível de concretizar com um trabalho permanente, paciente e determinado. Um trabalho de todos os dias e que nunca está terminado, que implica atenção, medidas, discussão regular e um controlo de execução apertado.

O reforço do Partido é um trabalho integrado que envolve assim: o reforço da capacidade de direcção; a responsabilização de quadros e a sua preparação política e ideológica; o reforço da intervenção e organização junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho; o fortalecimento e dinamização das organizações de base; a organização do trabalho junto de classes e camadas sociais anti-monopolistas; o recrutamento e integração de novos militantes; a elevação da militância; a intensificação e alargamento da difusão da imprensa e da propaganda partidária com o fortalecimento das respectivas estruturas; o alargamento da recolha militante de fundos condição indispensável para a actividade e independência do Partido; a garantia e devido aproveitamento dos centros de trabalho bem como de outros instrumentos e meios de apoio.

Neste ano em que assinala o 90.º Aniversário, nesta exigente situação internacional e nacional, o PCP age e prepara-se para agir, cumprindo o seu papel para com os trabalhadores, o povo e o País, assegurando os seus deveres internacionalistas, levantando bem alto a bandeira da luta pela liberdade, a democracia e o socialismo.