Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 316 - Jan/Fev 2012

18.ª Assembleia da FMJD - Um grande êxito a estimular avanços na luta!

por Tiago Vieira

Como foi anunciado, realizou-se em Lisboa, na Voz do Operário, a 18.ª Assembleia da Federação Mundial da Juventude Democrática. Como referiu anteriormente «O Militante», este é o órgão máximo da Federação e coube-lhe a definição das linhas política e de acção da FMJD para os próximos quatro anos e a eleição da nova direcção, que tem agora a tarefa de levar a cabo essa mesmas linhas políticas e de acção até à próxima Assembleia.

De acordo com o que se esperava, após vários anos de reforço da FMJD, esta foi a maior Assembleia desde o início da década de 90, com a participação de 84 organizações (quatro delas, organizações amigas que vieram assistir aos trabalhos) e com cerca de 150 delegados internacionais de mais de 70 países de todos os continentes do mundo.

No que se refere à Assembleia em si, destaca-se como aspecto fundamental a unidade dos participantes em torno do objectivo da dinamização da luta contra o imperialismo – fase superior do capitalismo – esta é uma necessidade dos povos e, muito particularmente, dos jovens de todos os países do mundo. Naturalmente que, num universo com uma composição tão diversificada como é uma ampla frente anti-imperialista, diferentes perspectivas foram colocadas, reflexões diversas no que toca à análise, táctica e estratégia do presente e do futuro, numa demonstração de que a diversidade do movimento anti-imperialista é uma realidade incontornável, tanto porque as organizações que o compõem têm perspectivas diferentes, como porque essas mesmas organizações têm origem em realidades diferentes, com histórias e experiências diferentes e, por isso mesmo, a forma como entendem a realidade é, necessariamente, diferente.

No entanto, é justamente essa diversidade de perspectivas que nos permite sublinhar a capacidade da FMJD, através dos seus membros, de criar unidade em torno de objectivos e linhas de intervenção comuns, capazes de abarcar as diferentes perspectivas, focando-se no inimigo número um dos povos e dos jovens do mundo: o imperialismo.

A crise internacional do sistema capitalista e as reais, e cada vez maiores, ameaças e ataques à paz mundial foram, indubitavelmente, os aspectos centrais da discussão política. Os vivos exemplos trazidos pelos delegados dos Estados Unidos da América, Colômbia, Espanha, Índia, Palestina, Grécia, Iraque, Saara Ocidental, Chile, Eritreia, Israel, Sri Lanka, Grã-Bretanha, Venezuela, Bahrain, Alemanha, Cuba, Síria, África do Sul, Rússia, Líbano, entre muitos outros, demonstraram com enorme riqueza como, apesar das diferentes realidades, em todas elas o futuro da humanidade é incompatível com a ordem mundial imperialista, e passa necessariamente por uma ruptura e mudança, apenas alcançável com a vitória dos povos sobre o imperialismo.

A par da discussão da situação política, foi feito um balanço do trabalho dos últimos anos e traçadas as principais linhas de acção da FMJD para os próximos quatro anos.

No que toca ao balanço, este foi feito com rigor e honestidade, sendo unânime a conclusão de que, embora hoje esteja ainda longe do que queremos e precisamos, a FMJD deu importantíssimos passos para o seu reforço desde a última Assembleia. Acompanhando os desenvolvimentos positivos da luta dos jovens do mundo em cada país, a FMJD é hoje uma organização melhor organizada, com maior e mais rápida capacidade de dar resposta aos constantemente renovados desafios colocados pelo imperialismo, mais capaz de chegar a um maior número de jovens, quer no plano estritamente informativo, quer mobilizando-os – através das suas organizações membro em cada país – para acções concretas.

De facto, foi precisamente tendo como pano de fundo os importantes passos dados nos últimos anos – não só nos últimos quatro, mas de forma mais ampla nos últimos 12 – que se apontaram as medidas a tomar para o futuro, quer no plano orgânico, quer em termos de intervenção. Discutiram-se e aprovaram-se medidas para o reforço do trabalho colectivo da FMJD, com maior responsabilização dos órgãos eleitos para que as organizações que neles são eleitas desempenhem de forma mais eficaz e permanente as responsabilidades que advêm de participação nesses órgãos. Sublinhou-se ainda a necessidade de uma abordagem mais metódica e ambiciosa nos mecanismos e esforços de adesão de novos membros, procurando garantir maior clareza de processos, lado a lado, com uma postura ambiciosa de procurar chegar mais longe – particularmente a países onde hoje não existe nem um membro da FMJD – mas sem que isso comprometa as boas práticas de funcionamento democrático e transparente da FMJD e, claro, a sua linha política anti-imperialista.

No que concerne às acções a desenvolver, destaca-se a decisão de realizar ao longo dos próximos quatro anos campanhas da FMJD em torno dos direitos dos jovens trabalhadores, contra a militarização, e pelo o direito à água pública. A par disto, decidiu-se recuperar a tradição de realizar – de 22 a 28 de Março – a Semana Mundial da Juventude, iniciativa que se pretende tenha reflexo em todos os países do mundo, através da luta e dinamização de actividades das organizações da FMJD em cada país. [Recorde-se que é justamente da Semana Mundial da Juventude que nasce em Portugal o acampamento do MUD Juvenil, que, por via da repressão fascista, viria a dar origem ao nosso Dia Nacional da Juventude, o bem conhecido 28 de Março.] Todas estas decisões, e o modo e a forma de implementação, serão decididas em termos mais concretos no primeiro semestre de 2012, por altura da reunião do Conselho Geral da FMJD, ainda com local e data por definir.

Na região da Europa e América do Norte (região de que fazemos parte), também procurando pôr em prática as conclusões da Assembleia e avançar com o trabalho, está já marcada para 25 e 26 de Fevereiro a reunião da comissão regional, em Londres.

Nos próximos quatro anos, a Federação celebrará 70 anos de existência e a par da concretização de um exigente plano de trabalho, procurará ainda realizar o 18.º Festival da Juventude e dos Estudantes. Desafios que dependem em grande medida da intervenção de cada organização membro no seu país e região mas também da capacidade de coordenação de trabalho a partir da nova direcção eleita, em particular da presidência.

Também neste aspecto a Assembleia se salda por um enorme sucesso ao eleger por unanimidade e aclamação, a EDON (organização juvenil do AKEL Chipre) para a presidência da FMJD. A EDON é a organização que se apresenta como aquela que assume as melhores condições para prosseguir o trabalho desenvolvido até agora e, no quadro de um esforço necessariamente colectivo com a restante direcção (de que a JCP também fará parte ao coordenar a Comissão da Europa e América do Norte) e demais membros da FMJD, dar vida ao lema da própria Assembleia: «Fortalecer a FMJD, reforçar a luta juvenil anti-imperialista, por um mundo de paz, solidariedade e transformações sociais revolucionárias!»

Ainda sobre os trabalhos da Assembleia valerá a pena destacar como os delegados ficaram impressionados com as estruturas que visitaram por neles decorrerem a própria Assembleia: a Voz do Operário, uma estrutura ímpar do movimento associativo; as estruturas municipais ao dispor dos jovens de Almada, importantes demonstrações da capacidade de trabalho e serviço das populações dos comunistas portugueses quando em posição de poder; a sede nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, pelas suas fantásticas condições de trabalho só possíveis pelo empenho e determinação de um movimento sindical de classe que se norteia pela independência face ao poder político e tem como única prioridade a defesa dos direitos dos trabalhadores.

Por fim, a Assembleia foi encerrada com uma entusiasmante festa-comício da JCP, em que delegados internacionais e centenas de jovens portugueses estiveram juntos, tanto a confraternizar ao som dos Terrakota, como a ouvir as intervenções de Diogo d’Ávila, membro do Secretariado da DN da JCP, Dimitris Palmyris, novo presidente da FMJD, e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do nosso Partido, que de formas diferentes, mas com a mesma intenção, sublinharam a necessidade da elevação da luta dos jovens e dos povos do mundo como único caminho para dar resposta às injustiças e desigualdades que o sistema capitalista impõe, e imporá enquanto existir, a todos quantos vivam no nosso planeta!