Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Trabalhadores, Edição Nº 316 - Jan/Fev 2012

Greve Geral - Uma vitória que abre caminho à intensificação da luta

por Armando Farias

Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas

Karl Marx

A Greve Geral foi grandiosa. Pelo significado que adquire no momento presente e pelos ensinamentos que dela podemos colher para potenciar as futuras movimentações sociais e políticas, designadamente o aprofundamento da unidade nos locais de trabalho e projectar com ainda maior determinação e confiança a continuação da luta por uma mudança de rumo para o País, interessa sublinhar cinco conclusões de extraordinária importância que emergem da Greve Geral.

A primeira conclusão é, simultaneamente, a confirmação de que foi correcta quanto oportuna a decisão de convocar a Greve Geral. Uma decisão autónoma tomada pelos órgãos da CGTP-IN, assente numa rigorosa avaliação do quadro político-social, da relação de forças, dos meios e dos objectivos a alcançar; uma decisão independente, não sujeita a pressões, «conselhos», «concertações» ou «agendas» promovidas por outros interesses que não sejam os exclusivos interesses dos trabalhadores e do povo; uma decisão construída na base da auscultação e participação democrática dos trabalhadores, expressa em centenas de reuniões e plenários nos locais de trabalho, e outras tantas centenas de moções, resoluções e saudações de apoio aos objectivos da greve e de vinculação à mobilização e participação na mesma; uma decisão perspectivada com grande confiança de êxito, aferida pelo elevado grau de combatividade demonstrado nas centenas de pequenas e grandes lutas que têm sido desenvolvidas e, ainda, pela afirmação de disponibilidade para elevar a patamares superiores a luta geral contra as políticas ao serviço do grande capital e por um novo caminho para Portugal.

Outro dado importante a ter em consideração na análise, é verificar como muitas dezenas de milhares de trabalhadores responderam com entusiasmo à decisão da CGTP-IN de convocar concentrações e manifestações em 35 localidades de todo o País, do Continente e das Regiões Autónomas, mostrando nas ruas a imensa força organizada dos trabalhadores e a grandiosidade da luta que neste dia foi realizada. Estas acções, a que se juntaram outras camadas da população como desempregados, reformados e estudantes, possibilitaram redobrar a denúncia e o protesto, reafirmar as propostas da CGTP-IN e alargar a compreensão e disponibilidade para as lutas futuras.

Facilitaram, por outro lado, desmascarar a campanha ideológica dos serventuários ao serviço do capital, nomeadamente os que apregoam a ineficácia das lutas, assim como pôr a nu a falta de credibilidade do Governo, que, ao querer desvalorizar a magnífica participação na greve, referindo percentagens de adesão inverosímeis, acabou por se cobrir de ridículo e meter o rabo entre as pernas.

Conclui-se, portanto, que também a convocação destas acções de massas constituíram uma decisão acertada da CGTP-IN, reflectindo mais uma vez a sua ligação aos trabalhadores e a sua capacidade de análise e de acção.

A segunda conclusão que queremos salientar, é o facto da organização sindical não só ter respondido magnificamente às exigências desta acção, como ter mostrado que está à altura para assumir a direcção das próximas batalhas, que se perspectivam mais duras e intensas. Apesar de insuficiências, debilidades e, sobretudo, dificuldades impostas pela repressão nas empresas, aliadas a uma forte campanha ideológica, o colectivo sindical, desde as comissões sindicais nos locais de trabalho à direcção da Central, da Interjovem à Inter-reformados, agiu de forma coesa, em total identificação com os nossos princípios de classe e pensamento para a acção. Um colectivo sindical que não se enredou nas dificuldades, mas antes as ultrapassou com a discussão colectiva nos órgãos, com a realização de centenas de reuniões de ORT's nas empresas, e em tantas outras centenas de plenários, encontros e reuniões de trabalhadores, para esclarecimento e mobilização para a luta. Um colectivo sindical de homens e mulheres que se constituiu num imenso «Piquete de Greve», desdobrado em numerosos «piquetes» nas empresas de todo o país, no apoio aos trabalhadores. Que sabe que a sua força é indissociável da organização e da acção desenvolvida pelos sindicatos nos locais de trabalho. Que articula as experiências de uma geração que vivenciou o período revolucionário do 25 de Abril com a geração de novos quadros, entretanto também já temperada pela resistência às políticas anti-sociais dos sucessivos governos do PS, PSD e CDS ao longo dos últimos anos.

Um colectivo sindical em que os activistas nos locais de trabalho se assumem como autênticos dirigentes de base da estrutura sindical e tomam nas suas mãos a aplicação das orientações para a acção, segundo o princípio geral de que se organiza para lutar e, lutando, reforça-se a organização. Que assim é comprovam-no as centenas de sindicalizações efectuadas durante o processo de preparação e concretização da greve, o recrutamento de novos activistas sindicais e a presença, pela primeira vez, de um número significativo de jovens trabalhadores nos piquetes de greve. Com o seu exemplo de firmes combatentes pela defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, prestigiam e afirmam a CGTP-IN como a grande central sindical dos trabalhadores portugueses.

Um colectivo sindical, enfim, que dá garantias de prosseguir, sem tréguas, a luta de classes, porque honra os princípios e os objectivos que a CGTP-IN representa, enquanto conquista histórica do movimento operário português e legítima herdeira e continuadora da luta heróica dos trabalhadores portugueses.

A terceira conclusão, mostra que a CGTP-IN sai desta Greve Geral mais forte e prestigiada, no plano nacional e internacional. A todos os que têm prosseguido o objectivo de menorizar o papel da CGTP-IN na sociedade portuguesa, para a subordinar a outras lógicas e interesses, acusando-a de se «auto-isolar», a greve geral deu também uma resposta inequívoca. No plano nacional, foi pela acção determinada da CGTP-IN, assumindo sem reservas o seu papel de maior organização social em Portugal, que a unidade dos trabalhadores se reforçou, a convergência na acção foi maior que em lutas anteriores e o reconhecimento pela justeza dos objectivos da greve foi expressamente manifestado por inúmeras organizações sociais e teve o apoio do povo português.

No campo internacional, a greve geral teve a solidariedade internacionalista, tendo a CGTP-IN sido saudada por muitas dezenas de organizações sindicais estrangeiras dos quatro cantos do mundo, entre as quais a Federação Sindical Mundial. Teve ainda o apoio expressamente manifestado em acções de trabalhadores, promovidas por centrais sindicais do País vizinho de Espanha, com destaque para as concentrações de solidariedade realizadas no País Basco (Bilbao) e na Galiza (Vigo) e outras acções junto das representações diplomáticas daquelas duas cidades espanholas, assim como em Ourense (Galiza) e Atenas (Grécia).

Porque não renega, como alguns desejariam, a sua natureza de classe, as suas raízes históricas que advêm da experiência, herança e objectivos da heróica luta dos trabalhadores portugueses e de todo o mundo, a CGTP-IN é uma organização prestigiada, reconhecida pelo movimento sindical internacional como a central sindical portuguesa que combate sem tréguas e de forma consequente, através da luta de massas, todas as formas de exploração capitalista.

A quarta conclusão, refere-se ao papel insubstituível do Partido e da acção dos militantes comunistas dentro das estruturas representativas nos locais de trabalho e no seio da classe trabalhadora. A compreensão da tarefa central que cabe a cada comunista de agir para o reforço da organização nas empresas, para a dinamização da acção reivindicativa e da luta de massas, ficou uma vez mais comprovada na greve geral. Em todas as fases do processo de preparação, mobilização e concretização da greve, os comunistas estiveram presentes na primeira linha da intervenção nos locais de trabalho e nas ruas, para o esclarecimento, a distribuição de informação e a mobilização para a greve.

Trabalharam para fortalecer sempre mais as estruturas do movimento sindical unitário e outras organizações de trabalhadores, como as CT’s, procurando melhorar o seu enraizamento nos trabalhadores. Resistiram a todo o tipo de arbitrariedades e pressões dos patrões nas empresas e empenharam-se afincadamente na organização e participação dos piquetes de greve. Participaram no combate ideológico, para desmontar os falsos argumentos do Governo, do patronato e dos agentes ao serviço do capital, assim como desmascarar as posições divisionistas tendentes ao branqueamento das políticas de direita.

Nestes tempos de intensa luta de classes e, portanto, de aguda luta ideológica, tendo como objectivo próximo a construção duma democracia avançada, duma sociedade justa, fraterna e solidária – a sociedade socialista –, a intervenção dos comunistas na linha da frente da defesa dos interesses dos trabalhadores e na acção consequente nas difíceis lutas que travamos, honra este glorioso colectivo partidário, de que nenhuma outra força política se pode legitimamente orgulhar.

A quinta conclusão, é para salientar que depois desta grandiosa greve geral se abrem boas perspectivas de multiplicar e intensificar as lutas, com mais força e mais participação. Sabemos que são grandes as dificuldades e que persistem, ameaçadores, os perigos sobre os trabalhadores, o povo e o País. Mas temos hoje mais razões para ter confiança reforçada na nossa luta depois da magnífica afirmação de unidade e solidariedade demonstrada nesta greve geral. Confiança que é também sustentada nos factores aqui referidos, de que com coragem, firmeza e determinação é possível alcançar os nossos objectivos e abrir um novo caminho de Futuro para Portugal.

 

A luta continua nas empresas e na rua

A primeira acção de massas convocada pelo movimento sindical, poucos dias depois da greve geral, confirmou plenamente a conclusão anterior, com muitos milhares de trabalhadores concentrados frente à Assembleia da República para protestar contra o Orçamento do Estado para 2012, que nesse dia 30 de Novembro foi debatido e aprovado no Parlamento pela maioria PSD/CDS-PP, e com a abstenção comprometida do PS.

Como tem sido dito, este Governo que invoca a legitimidade do voto nas urnas, querendo utilizar essa pretensa legitimidade como um cheque em branco para fazer precisamente o contrário de tudo o que prometeu, está enganado. Não só não é legítimo mentir aos trabalhadores e ao povo, como o exercício da democracia não se esgota num dia de ida às urnas. A democracia real e efectiva pressupõe a participação democrática, o respeito pela dignidade dos cidadãos, o cumprimento das leis e da Constituição.

Marx ensinou que «uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas». Assim, para ganhar mais trabalhadores para a ideia de que é possível derrotar estas políticas e construir um novo rumo para o País, elevar a sua compreensão para a necessidade de estarem organizados e aumentar a consciência de classe, que se adquire no terreno da luta, em confronto com a exploração, a palavra-chave é: ACÇÃO!

Se há uma forma de condensar de forma tão brilhante quanto eficaz toda uma estratégia sindical e perspectiva de acção, a palavra de ordem – A luta continua nas empresas e na rua –, gritada por milhares de trabalhadores nos desfiles de 24 de Novembro, na concentração do dia 30 na Assembleia da República e nas acções da Semana de Protesto contra o Trabalho Forçado, de 12 a 17 de Dezembro, é certamente essa forma.

Vamos fazer de 2012 um BOM ANO! Um ano de reforço do Partido! Um ano cheio de luta para derrotar a política de direita!