Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 317 - Mar/Abr 2012

Porto - Grande dia de luta

por Ana Valente

Como descrever a Greve Geral do dia 24 de Novembro de 2011, no Porto? Foi um ponto alto da luta dos trabalhadores e da população contra a política de direita e o pacto de agressão, subscrito pelo PS, PSD e CDS com a troika estrangeira, que ataca os direitos dos trabalhadores e do povo, empobrece o país e protege o grande capital económico e financeiro. Foi uma resposta forte à tentativa de retirar direitos, ao aumento dos impostos, aos ataques à educação e à saúde, e ao aumento do custo de vida. Por esta razão foi mobilizadora e uniu os trabalhadores e muitas camadas da população na preparação e na mobilização para a jornada de luta. Foram realizados centenas de plenários, milhares de contactos com trabalhadores, distribuídos milhares de documentos, colocados panos, pendões, autocolantes, cartazes. Foram poucas as horas dormidas, mas no dia da greve todo o trabalho realizado compensou o esforço das centenas de trabalhadores, activistas, delegados e dirigentes envolvidos. Ao nível da propaganda de rua, mais uma vez se verificou o empenho das autarquias PSD/CDS na retirada de propaganda, nomeadamente nos concelhos do Porto e de Gaia, o que exigiu um esforço acrescido do movimento sindical unitário para que a visibilidade de rua da Greve Geral fosse prejudicada o menos possível. Esta Greve Geral teve no distrito do Porto elevadas adesões de trabalhadores efectivos e precários; do sector privado (com centenas de empresas e locais de trabalho com adesões acima dos 70% no sector da metalurgia, da construção civil, da hotelaria, do comércio e dos serviços) e do sector público (com cerca de uma centena de serviços das autarquias encerrados, ou fortemente condicionados; várias repartições de Finanças, da Segurança Social, Escolas, Centros de Saúde e Hospitais encerrados). A unidade e luta dos trabalhadores dos transportes foi determinante para o êxito dos resultados da Greve Geral nas empresas deste sector. Só a forte consciência dos trabalhadores dos transportes e a determinação de resistir e lutar contra estas políticas permitiu resultados acima dos 90% em empresas como os STCP, o Metro do Porto, a REFER, a EMEF e a CP, bem como para superar todas as manobras de chantagem e intimidação de que foram alvo particular com a imposição de «serviços mínimos» violadores do direito à greve, ameaças e «apelos» públicos das chefias. Mas o patronato, de forma habilidosa, tentou criar formas de travar a participação dos trabalhadores na greve: promessas de prémios, promessas de não retirarem subsídio de Natal, ameaças a trabalhadores precários de perderem o emprego, chefias a oferecer boleias a trabalhadores, trocas de folgas, colocar de folga quem faz greve, precários a trabalhar 12 horas… A muitos destes casos foi dada resposta pelos trabalhadores no próprio dia, e noutros casos foi feita participação por parte das estruturas representativas dos trabalhadores. Para todo este trabalho de mobilização foi de extrema importância a realização de piquetes de greve que no dia foram decisivos para mobilizar e esclarecer os trabalhadores sobre o direito à greve. Muitos destes camaradas eram jovens mas demonstraram que tinham motivação e força para não desmobilizar, e as tentativas foram múltiplas: na estação de S. Bento a polícia tentou novamente impedir a acção dos piquetes e na STCP o cordão policial tentou afastar o piquete. Nestas duas situações valeu a união, a combatividade e a firmeza dos trabalhadores que integravam o piquete, que forçou ao reconhecimento do direito dos piquetes de greve. Numa outra situação, na estação da CP, em Penafiel, um agente da GNR, à falta de argumentos, usou da força para impedir o trabalho do piquete de greve. A rejeição das políticas de direita pela generalidade da população e a disponibilidade de prosseguir a luta pelo emprego, pelos salários, pelo desenvolvimento do país e contra as injustiças é cada vez mais mobilizadora de amplas camadas e sectores da sociedade que não se revêem nestas políticas, como ficou expresso na participação de jovens, trabalhadores e reformados na grande concentração, promovida pela União de Sindicatos do Porto da CGTP-IN, na Praça da Liberdade, no Porto. Nesta Greve Geral destacaram-se muitos jovens – na preparação, no esclarecimento, nos piquetes e na concentração. Muitos com visível emoção por participarem pela primeira vez numa greve e terem percebido que todos juntos temos o poder de mudar algo, porque todos juntos decidimos lutar naquele dia 24 de Novembro e todos nos comprometemos a continuar a luta nos locais de trabalho e na rua, contra todos estes ataques aos trabalhadores, ao povo e ao país e contra a retirada de direitos, por melhores salários e condições de trabalho. A luta continua!