Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 317 - Mar/Abr 2012

Évora - Mais força para continuar a luta

por Rogério Silva

A Greve Geral de 24 de Novembro foi um momento singular da luta dos trabalhadores no distrito de Évora. A forte adesão registada foi a resposta, precisa e necessária, contra o culto da inevitabilidade, o condicionamento e a pressão que todos os dias milhares de trabalhadores sentem na pele quando da passagem pelo gradeamento da empresa, ou do local de trabalho. Das dificuldades se fizeram forças e das forças se construiu a pulso – em cada local de trabalho, em cada conversa, em cada gesto – a Greve Geral, não enquanto fim em si mesmo mas antes processo potenciador de tarefas e renovadas possibilidades na luta dos trabalhadores.

Do movimento sindical partiram planos de trabalho concretos e realistas, priorizando-se onde se tinha que estar, como e com quem, através de plenários, distribuições de documentos e contactos. Neste particular, sublinhar o papel da União de Sindicatos como mola articuladora de todo este trabalho, dinamizando e ajudando. Constituíram-se comissões de luta, as quais desenvolveram um papel de alargamento da base de contributos, chamando outros à luta. Responsabilizaram-se quadros por sector e empresas prioritárias, procurando-se aprofundar o conhecimento em cada local de trabalho, o que permitiu registar um conjunto de informações que ajudou a envolver e mobilizar os trabalhadores, desencadeando-se processos de luta em algumas empresas através da reivindicação de objectivos concretos. Exemplo disso, as empresas Marmetal, do sector dos mármores (sediada em Borba), e a Panificadora Eborense (Évora), ambas com salários em atraso. Potenciou-se a organização e o envolvimento dos organismos operários através da elaboração de documentos próprios – célula dos trabalhadores da Câmara de Arraiolos, Évora, sector eléctrico, sector operário de Arraiolos e Vendas Novas – e definição de planos de trabalho assentes nos contactos nas empresas e locais de trabalho.

Dos resultados, registar a forte adesão na Administração Local, com a quase totalidade dos serviços encerrados, e na Administração Central, onde a adesão à greve se fez sentir com particular incidência nas áreas da educação (escolas, jardins de infância e outros serviços educativos), da saúde e da segurança social. Sublinhar, pela primeira vez, o encerramento dos serviços de acção social da Universidade de Évora (cantina do Colégio Verney e cozinhas do Cardeal e das Alcaçarias) e o atendimento ao público da Segurança Social. No sector privado, e tendo em conta as empresas prioritárias, destaque para a adesão no sector metalúrgico, da Metalo-Nicho e Magic Metal, do Parque Industrial de Arraiolos, tendo esta última, pela primeira vez, trabalhadores em greve. Estes e outros exemplos representam a força da Greve Geral e o enorme salto que projectou para a organização e a mobilização dos trabalhadores nos seus locais de trabalho. Neste particular, não deixar de partilhar, pela sua importância e ganho para a luta, os passos dados na RTS-Produção (sector cerâmico), dos Viveiros Jorge Böhm (sector agrícola), ambas de Montemor-o-Novo, e a assinalável adesão na Kemet-Produção (Évora), onde em resultado dos contínuos e determinados processos de luta, desde a coação para gozo de menos dias de férias, até ao lay-off fraudulento aplicado a 30 trabalhadores, os trabalhadores sempre souberam responder com a luta esclarecida e organizada. A ideia que ficou é que «onde se vai, os resultados aparecem».

Foi uma Greve Geral que teve na rua o seu cenário. Para além da presença combativa dos piquetes nos locais de trabalho, realizou-se uma grande concentração/desfile convocada pela União Sindicatos, que percorreu as ruas da cidade desde as Portas de Aviz até à Praça do Giraldo, aí terminando com intervenções alusivas ao dia de luta. Participaram na concentração/desfile cerca de 3000 pessoas.

No final do dia ficou claro o caminho a seguir. A construção da Greve Geral deixou experiências que nos ajudarão a potenciar o trabalho que urge dinamizar junto dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho. Neste quadro, importa valorizar o trabalho do Partido, dos seus organismos, que no pulsar da luta se fortaleceram organicamente e identificaram dificuldades, colocando, por um lado, a necessidade de aprofundar o conhecimento da realidade da exploração, das características das empresas e locais de trabalho, das situações concretas que os trabalhadores enfrentam diariamente e, por outro lado, um ainda maior envolvimento das organizações na responsabilização de mais quadros, na criação e funcionamento de células ou sectores profissionais, no recrutamento, no enquadramento e integração de militantes, no estabelecimento de ligações com os trabalhadores, na edição regular de documentos específicos e difusão da imprensa do Partido.

Temos de conseguir ligar mais o Partido aos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho e que estes se liguem ao Partido. Temos de conseguir entrar nas empresas e aí organizar a luta, o esclarecimento, a mobilização.

No final do dia ficámos com mais força para a exigência da intensificação da luta nas empresas e na rua. Ficámos com a certeza que a existirem inevitabilidades não são os atropelos contra os trabalhadores e povo, mas sim a luta organizada e mobilizadora da vontade e empenho em transformar o mau, que nos impõem, em bom, que queremos e desejamos. A luta continua!