Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 324 - Mai/Jun 2013

Só há alternativa com o PCP - Reforcemos o Partido!

por Revista o Militante

Estamos em Maio, um mês que diz muito à classe operária e ao PCP.

Pensamos no Dia Internacional do Trabalhador, símbolo de unidade e de solidariedade internacionalista dos trabalhadores que desde a histórica decisão da I Internacional, em 1889, nunca mais deixou de ser assinalado em todo o mundo com grandes jornadas de confraternização e de luta contra o capital, pela liberdade e o progresso social, pelo socialismo.

Pensamos nas pequenas e grandes lutas contra o fascismo conduzidas em Portugal sob a bandeira vermelha do 1.º de Maio e em particular nas históricas jornadas de 1962 – com as grandes manifestações de Lisboa e Porto e as greves do proletariado rural dos campos do Sul que arrancaram aos latifundiários a conquista das 8 horas – jornadas que marcam a definitiva afirmação do papel dirigente da classe operária na oposição antifascista, com o 1.º de Maio a substituir o 5 de Outubro como efeméride principal de unidade e luta da Oposição Democrática.

Pensamos finalmente no 1.º de Maio de 1974, a maior e mais fascinante mobilização popular jamais realizada em Portugal, de Norte a Sul do país, expressão maior do levantamento popular que de imediato se seguiu ao levantamento militar do 25 de Abril, e que marcou decisivamente o carácter e o rumo da revolução portuguesa em direcção às profundas transformações revolucionárias apontadas no Programa da revolução democrática e nacional do PCP.

O que o 1.º de Maio representa na história contemporânea da luta dos trabalhadores e do povo português é muitíssimo. É um património que tem de ser preservado e valorizado, tendo bem presente que os seus principais protagonistas – a classe operária, os comunistas, o movimento sindical unitário e de classe – são os mesmos que hoje se encontram na primeira linha da luta do povo português contra a violenta agressão de que está a ser vítima.

Frente à dramática situação de empobrecimento do povo e de ruína do país e perante a crise manifesta do Governo e da coligação que o sustenta – que é fundamentalmente produto do generalizado descontentamento popular e do crescimento da luta de massas – a posição do PCP é clara: é urgente interromper o criminoso programa de regressão social, de liquidação das funções sociais do Estado, de destruição do país; é urgente pôr termo ao Pacto de Agressão acordado com a troika, renegociar a dívida pública nos seus montantes, prazos e juros, romper com a drenagem para o estrangeiro dos frutos do trabalho dos portugueses e dos recursos do país; é tempo de dizer não aos ataques ao regime democrático e à vergonhosa política de submissão ao imperialismo. A demissão do Governo do PSD/CDS e a realização imediata de eleições é uma exigência incontornável para inverter o desastroso rumo actual e alcançar finalmente uma alternativa patriótica e de esquerda assente nos valores de Abril e respeitadora da Constituição da República.

A evolução recente do quadro político confirma que este é um caminho complexo e difícil. Os partidos do pretenso «arco da governabilidade» (PSD, PS e CDS) e o Presidente da República, manobram para que, mudando alguma coisa, tudo fique na mesma. O grande capital e os seus servidores, apesar do clamor dos protestos e da luta, continuam apostados em levar por diante, custe o que custar, a sua obra de demolição de tudo o que foi alcançado com Abril, numa autêntica cruzada de vingança de classe e é mesmo provável que tentem acelerar esse processo. O alargamento e diversificação das lutas – marcha contra o empobrecimento, caminhada dos têxteis, manifestação nacional dos trabalhadores da Função Pública, manifestações da juventude, de agricultores, de reformados, de militares, e muitas outras acções, em empresas e locais de trabalho e das populações – é um traço fundamental da situação actual, sendo certo que a transformação do crescente e generalizado descontentamento em luta organizada e cada vez mais politizada exige porfiados esforços.

O caminho da alternativa é o do reforço da unidade e organização dos trabalhadores e do seu movimento sindical de classe, é o caminho da intensificação da luta popular de massas abarcando de modo cada vez amplo todas as classes e camadas antimonopolistas, é o caminho da convergência, diálogo e acção comum de todos os democratas e patriotas, é o caminho do reforço das fileiras do Partido e da sua ligação às massas.

Não há soluções que não passem por aqui. Por mais grave que seja a situação, por mais urgente que seja a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas, por maiores que sejam os perigos resultantes do manobrismo do PS e sua férrea vinculação com a política de direita e o Pacto de Agressão, não há outro caminho. Tanto a impaciência como o atentismo só podem contribuir para afastar da viragem necessária. E não há «golpes de asa» que substituam o trabalho sistemático e persistente de organização e de mobilização para a luta.

É neste quadro que temos de levar sempre mais longe a divulgação da alternativa que preconizamos, mostrando que o PCP, sendo justamente reconhecido como a grande força da resistência e da luta popular, é simultaneamente um partido com soluções para os graves problemas do país e está preparado para, a todo o momento, assumir as responsabilidades que o povo português, pelo seu apoio e o seu voto, decidir atribuir-lhe. Um partido de uma só palavra e de uma só cara, que existe para servir e não servir-se, e que, pela sua participação nos governos provisórios, nas autarquias e outras instituições democráticas, mostrou que cumpre o que promete e que a sua posição é rigorosamente a mesma nas instituições democráticas, nas empresas e na rua.

As exigências que se colocam à intervenção do Partido são muito grandes, no plano da luta de massas, como no plano institucional e eleitoral ou da construção do Partido. Para além da nossa intervenção quotidiana em defesa dos interesses dos trabalhadores e restantes classes e camadas antimonopolistas, temos por diante, entre outras tarefas, a preparação da Festa do Avante!, a constituição das listas para as eleições autárquicas e a afirmação da CDU, as comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, tudo iniciativas que vão no sentido de voltar o Partido para fora, propiciar o contacto e o diálogo com milhares e milhares de homens, mulheres e jovens, que, tal como os comunistas, aspiram a uma sociedade mais livre e mais justa, que são objectivamente aliados na luta comum contra o grande capital e as políticas de direita, e que é nosso dever esclarecer acerca dos objectivos revolucionários e os ideais libertadores do PCP. As exposições, colóquios, debates e muitas outras iniciativas que estão a ter lugar por todo o país em torno da vida e da obra do camarada Álvaro Cunhal, constituem uma oportunidade de excepção para ampliar o respeito por este Partido cuja história se confunde com a história do movimento operário e da luta do povo português, e reforçar o seu colectivo militante. Se há uma tarefa que deva estar sempre presente nas preocupações e na intervenção dos membros do PCP, ela é a do reforço da organização partidária, sobretudo nas empresas e locais de trabalho, o recrutamento activo e orientado, a audaciosa responsabilização e promoção de quadros, o aumento (fundamental neste ano de eleições) da recolha das cotizações e demais receitas financeiras, a difusão mais audaciosa do Avante! e de O Militante.

A luta pela alternativa patriótica e de esquerda, que inserimos na nossa luta por uma democracia avançada, que por sua vez é parte integrante inseparável da luta pelo socialismo, exige um Partido cada vez mais forte.