Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 324 - Mai/Jun 2013

O trabalho em unidade – factor fundamental para a elevação da luta no Ensino Superior

por Sofia Lisboa

Ser comunista e pertencer à Juventude Comunista Portuguesa não se limita a querermos uma sociedade diferente desta em que vivemos, mas sobretudo concretizarmos as nossas ideias com a nossa acção. Significa agirmos pelos nossos ideais, significa irmos à conversa, mobilizarmos outros jovens, alargarmos e fortalecermos a nossa organização. A JCP é mais forte quanto mais forte for a luta, nomeadamente a luta dos estudantes pelo direito à Educação e por um Ensino Superior democrático, gratuito e de qualidade para todos.

Mas para a luta ser forte, para ser consequente, para trazer vitórias, os jovens comunistas têm que, nas suas escolas, fazer unidade na acção, unidade em torno de objectivos. Dificilmente construiremos a unidade se nos afastarmos dos problemas concretos, daquilo que afecta os nossos colegas no seu dia-a-dia. Esses problemas são os nossos problemas também. E é falando da falta de condições das infraestruturas da faculdade, dos problemas pedagógicos do curso, ou de outros problemas concretos, que chegamos às razões de fundo: o desinvestimento no Ensino Superior Público, a elitização do Ensino, a destruição do direito à educação que nos é garantido na Constituição. Vivemos actualmente um momento histórico no que diz respeito aos ataques aos direitos dos estudantes e ao Ensino Superior. Estes são ataques que pretendem transformar o acesso ao Ensino Superior num privilégio, num luxo para aqueles que podem pagar. A unidade tem que ter este elemento à cabeça, porque são muitos mais aqueles que querem um Ensino Superior para todos do que aqueles que o querem destruir.

Trabalhar em unidade não é fácil, e por vezes temos muitas dúvidas. É por isso importante começarmos por pensar que a conquista do Ensino Superior democrático não será feita pela JCP sozinha, mas também nunca será feita sem a JCP e sem a intervenção determinada dos estudantes comunistas. O papel da JCP no que diz respeito à denúncia dos ataques que têm sido feitos ao Ensino Superior nas últimas décadas tem sido fundamental. Conseguimos facilmente imaginar como seria o Ensino Superior sem a intervenção dos comunistas na luta e isso deve ser razão de orgulho para todos e factor de motivação para o futuro. Mas é também evidente que se apenas estivesse a JCP na rua a destruição dos direitos dos estudantes seria inevitável.

A JCP não tem interesse em fechar-se nos centros de trabalho e só discutir os problemas entre camaradas. Isso não é do interesse da JCP, porque não é do interesse dos estudantes. É na unidade, na unidade em torno do corte do passe, em torno de uma melhor Acção Social Escolar, em torno de mais recursos para a Biblioteca, que se conquistam vitórias e que se reúnem forças para todas as outras lutas. Só em unidade é que podemos ter um movimento estudantil forte e que seja capaz de responder aos ataques que têm sido feitos.

O nosso trabalho em unidade deve desenvolver-se de uma forma dinâmica, explorando os mais variados espaços de participação estudantil, sejam as AE’s, sejam os núcleos de curso, comissões de residentes, espaços informais de discussão e luta, com uma acção orientada para a defesa dos direitos dos estudantes e para que haja uma participação generalizada destes na luta.

A organização do Ensino Superior da JCP é composta por estudantes que não sentem mais os problemas por serem comunistas. Mas por serem comunistas têm a obrigação de não ficarem calados, de falar com todos os colegas que sofrem dos mesmos problemas e com eles definir linhas de trabalho, definir formas de luta. A unidade é isso mesmo, e sem fazermos unidade não estamos a fazer o trabalho como deve ser.

Não podemos, naturalmente, esquecer que a existência da JCP é fundamental para o sucesso da luta e é importante fortalecer a nossa organização. Fazer unidade não significa pormos a JCP em segundo plano ou tentarmos esconder o facto de fazermos parte desta organização. Pelo contrário, temos que levar a JCP aos nossos colegas, mostrar-lhes como funcionamos e o que é que defendemos para que mais facilmente se possam identificar connosco e juntarem-se a nós.

Não são raras as vezes que, particularmente em escolas do Ensino Superior, membros de outras juventudes partidárias procuram «cozinhar» alianças partidárias no quadro de eleições para as Associações de Estudantes. Há mesmo quem chegue a propor reuniões «bilaterais» entre militantes de diferentes organizações para a concertação de posições e/ou para criação de listas ou movimentos ditos «progressistas», «contra a direita» ou «de esquerda».

Não temos dúvidas que noutros partidos isso ocorre, e que, por vezes, a concertação até é entre facções de diferentes organizações, que têm os olhos no poder e no que dele podem utilizar para o seu proveito e não para a luta pelos interesses dos estudantes.

Na JCP (e no PCP) a nossa concepção é totalmente diferente. Para nós, unidade não é «coligação», «aliança», «junção de siglas», etc. Para nós a unidade faz-se na luta, independentemente da filiação partidária de cada um, e, sobretudo, com aqueles que não têm partido (a esmagadora maioria dos estudantes). A luta pela resolução dos problemas dos estudantes (dos mais específicos e locais, aos mais gerais) não é «de esquerda» nem «de direita», é a única resposta aos anseios dos estudantes e, por isso, nele podem e devem participar todos aqueles que, de forma honesta e comprometida, queiram ver os seus problemas resolvidos. Tal como no resto das esferas da vida, a unidade não se faz quando chega esta ou aquela eleição e muito menos com acordos de gabinete, porque ela não existe para servir qualquer partido, mas apenas os estudantes.

Ao contrário dos que defendem e praticam a política de direita, os movimentos, associações ou outros espaços em que participam militantes da JCP não são «correias de transmissão» das nossas orientações, eles têm vida, discussão e actividade próprias. Se muitas vezes esses movimentos se identificam com as propostas da JCP é apenas porque estas são as mais avançadas para o Ensino Superior, mas se eles fossem meras extensões da nossa organização não haveria necessidade nem empenho (como há) na afirmação da JCP nas escolas e faculdades, no trabalho colectivo e no recrutamento.

Para o reforço da luta é necessário o reforço da JCP. Mas a JCP só terá mais militantes e activistas se conseguir mostrar aos jovens que tem a razão do seu lado. Para isto, o trabalho em unidade, tendo como pilar fundamental uma discussão franca e aberta entre todos, é um instrumento precioso para a luta e a construção da alternativa.