Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 329 - Mar/Abr 2014

Com Abril reforçar a CDU

por Revista o Militante

Na sua reunião de 15 e 16 de Dezembro o Comité Central do PCP aprovou uma resolução sobre o 40.º aniversário da Revolução de Abril para cuja implementação O Militante procurará dar a sua contribuição própria.

Nesse sentido O Militante publicará ao longo do ano artigos que ajudem ao conhecimento da verdade, combatam mentiras e deturpações, contrariem simplificações redutoras, armem para o debate de ideias e projectem para a actualidade as experiências e ensinamentos que o processo da Revolução portuguesa encerra.

Não duvidamos que a passagem dos 40 anos da Revolução de Abril será aproveitada (está já a sê-lo) para grandes operações de diversão política e ideológica em que a História é escrita e reescrita ao sabor dos interesses da classe dominante, não apenas para impor a sua visão em relação àquele que foi um dos maiores acontecimentos da História de Portugal mas para influenciar a actual marcha dos acontecimentos.

Branqueando o fascismo e escamoteando a sua natureza de classe, apagando a acção criadora da classe operária e das massas populares, ignorando ou caluniando o decisivo papel do PCP, tentando transformar o que correspondeu a uma necessidade histórica num acidente de percurso que poderia ter sido evitado, apoucando quanto de avanço progressista e libertador significam transformações revolucionárias como as nacionalizações, o controle operário e a reforma agrária – com tudo isto o que pretendem académicos e escribas encartados é roubar perspectivas, desvalorizar o papel da organização e mobilização das massas, animar sentimentos de fatalismo e impotência, dificultar a alternativa, até porque a alternativa por que lutamos é inseparável da Revolução de Abril das sua conquistas, experiências e valores.

Aqueles que viveram a Revolução de Abril e saborearam os seus frutos têm uma particular responsabilidade na divulgação do que realmente foi a Revolução e do que ela representou para os trabalhadores, as mulheres, a juventude, os camponeses, os reformados, as diferentes classes e camadas antimonopolistas da população. Quarenta anos é muito tempo. E fazendo o mal e a caramunha, os adversários de Abril estão a tentar responsabilizar a própria Revolução e os seus avanços libertadores pela dramática situação do país. A batalha da informação e a luta das ideias assumem assim uma crucial importância, particularmente junto das jovens gerações que, com a vitalidade e generosidade que lhe são próprias, são chamadas a estar na dianteira de qualquer viragem no sentido da liberdade, do progresso social e do socialismo.

É sobretudo para as novas gerações que deve ser dirigida a nossa atenção, procurando as formas adequadas de despertar o seu interesse e conseguir o seu envolvimento. A experiência mostra que quando isso acontece e vamos ao encontro das inquietações e interrogações dos nossos interlocutores, os resultados são invariavelmente positivos. A questão é como chegar o mais longe possível, na Escola, no local de trabalho, nos mais variados espaços de convívio frequentados pelos jovens.

O PCP tem um sólido património de análises e reflexões que todos os quadros e activistas do Partido devem dominar com segurança para a sua intervenção no quadro das mais variadas iniciativas, partidárias ou unitárias, em torno do 40.º aniversário da Revolução de Abril. Independentemente dos materiais de apoio que sejam editados, há obras que é particularmente oportuno revisitar e estudar como é o caso de «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril, (A contra-revolução confessa-se)» escrita pelo camarada Álvaro Cunhal em resposta à grande campanha de mentiras que teve lugar por ocasião do 25.º aniversário da Revolução. De grande valor e oportunidade é também «A Revolução Portuguesa. O Passado e o Futuro», que constituiu o Relatório elaborado pelo camarada Álvaro Cunhal para o VIII Congresso do PCP em 11/14 de Novembro de 1976, um momento de encruzilhada do processo revolucionário português. Aqui estão sintetizados, com grande rigor e mestria, os traços fundamentais da situação antes, durante e depois do período revolucionário de 1974/75. De referir ainda, pelo lugar cimeiro que ocupa na elaboração do Partido e na contribuição para o acerto da sua linha política, o histórico «Rumo à Vitória».

Neste número de O Militante publicam-se alguns artigos directamente relacionados com o 40.º aniversário. O artigo «Conquistas de Abril, “filhas” da acção revolucionária» põe em evidência o papel determinante da classe operária e da massas populares, em aliança com o MFA, nas grandes realizações e conquistas da Revolução. Por seu lado, o artigo «Uma revolução na Revolução. O 25 de Abril e os direitos das mulheres», ao mesmo tempo que assinala o 8 de Março, mostra uma realidade que nunca é demais sublinhar: quanto a Revolução de Abril representou de libertador e autenticamente revolucionário em relação à mulher portuguesa, ou seja, em relação a mais de 50% da população e a uma força social sem cuja luta e intervenção corajosa e criadora (o que nem sempre é devidamente valorizado) Abril não teria sido possível. É realmente impressionante o acervo de avanços e conquistas em matéria de direitos das mulheres. A estes, outros artigos se seguirão. As observações e sugestões dos leitores de O Militante contribuirão seguramente para a sua programação.

Outros artigos publicados neste número – sobre o Partido quando se assinala o seu 93.º aniversário e as tarefas de reforço da organização partidária, de que é peça particularmente importante a acção de contacto com todos os membros do Partido; sobre um primeiro balanço das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal e a sua grande projecção nacional; sobre problemas da juventude em vésperas da realização do 10.º Congresso da JCP; sobre a situação económica do país e aspectos da luta ideológica que lhe estão associados; sobre a União Europeia e as graves consequências para Portugal da sua integração neste bloco imperialista; sobre o actualíssimo fenómeno da imigração; sobre o poder local e experiências de participação popular; sobre a situação nos EUA – contém significativas contribuições para o enriquecimento das análises do Partido, como é nomeadamente o caso de «Questões a responder no 10.º Congresso da JCP», centrado numa temática da maior actualidade e importância. Deve chamar-se ainda a atenção para o artigo «Movimento comunista e revolucionário internacional. Questões de actualidade na luta ideológica» que, na sequência do Dossier sobre o 15.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários publicado no número de Janeiro, representa uma nova contribuição para o esclarecimento da posição do PCP sobre sérias divergências surgidas no movimento comunista e revolucionário internacional e sobre o modo como intervém para as ultrapassar e para fortalecer a unidade e a acção comum ou convergente entre os partidos comunistas e entre estes e as restantes forças anti-imperialistas e revolucionárias.

Em 25 de Maio terão lugar eleições para o Parlamento Europeu. Deve sublinhar-se a importância desta batalha eleitoral. A par do desenvolvimento da luta de massas e das tarefas de reforço do Partido é necessário preparar todo o colectivo partidário para uma grande batalha política de massas. O reforço da CDU nestas eleições é da maior importância para a derrota da política de direita e a construção da alternativa patriótica e de esquerda por que lutamos.

Entramos num novo ano carregado de perigos, mas também de grandes potencialidades, tanto no plano nacional como no plano internacional, onde o aprofundamento da crise capitalista e o perigo de uma regressão social de dimensão civilizacional, coexistem com a intensificação da resistência e da luta dos trabalhadores e dos povos e a real possibilidade de desenvolvimentos progressistas e revolucionários. O papel que a História reservou aos comunistas é extraordinariamente difícil mas exaltante. Que 2004 seja um ano em que os valores de Abril aprofundam ainda mais as suas raízes no dia-a-dia da luta do povo português.