Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Partido, Edição Nº 329 - Mar/Abr 2014

O aniversário e a organização do Partido

por Luísa Araújo

Comemorar o aniversário do Partido é uma grande festa para os comunistas e para os amigos que estão connosco nas batalhas em defesa do Portugal de Abril. É a afirmação do PCP que ao longo de 93 anos se manteve firme, activo e confiante no seu ideal, projecto e intervenção revolucionários para a transformação da sociedade. É recordar a histórica vida que nos reforçou durante décadas e na qual assenta, também, a nossa força e a nossa confiança nas batalhas do presente.

Das décadas da clandestinidade vivida por muitas gerações de camaradas, homens e mulheres, a nossa história é de coragem, abnegação e de heroísmo. Sendo passado no tempo, é presente na força do exemplo e no projecto revolucionário que em cada momento se afirma e nos orienta. Um passado que constituiu uma alavanca determinante da força com que o PCP abraçou as novas tarefas e da confiança que mereceu da classe operária, dos trabalhadores e das massas em geral. É um passado vivido com a convicção da razão e por isso nos trouxe ao 25 de Abril de 1974.

Grande momento de realização do Partido

A Revolução de Abril – o mais alto momento da história do nosso Partido. O camarada Álvaro Cunhal numa reunião de quadros do Partido, por altura do 70.º aniversário afirmou: «A participação na Revolução de Abril e nas transformações políticas, económicas e sociais é o grande momento de realização do nosso Partido na luta por objectivos que propôs e conseguiu em grande parte levar a cabo e é uma experiência que não morre. Este é um ponto importante na história do Partido, para a luta ideológica, para os problemas que hoje estão em discussão no mundo»1

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A nossa história escreve-se na luta e na acção. Afirmamos que a história do PCP é a história de mais de nove décadas do povo português. Em 2014, ao comemorar o 40.º aniversário da Revolução de Abril, esta afirmação ganha mais clareza. As acções do aniversário do Partido terão no seu conteúdo as nossas concepções e análises à Revolução de Abril, às conquistas alcançadas pela intervenção dos trabalhadores e do povo, aos crimes da sua destruição e denúncia dos seus responsáveis, aos direitos que perduram e a resistência em sua defesa, reforçando a coragem, a vontade e a luta para que se mantenham vivos os Valores de Abril e para que estes se projectem, consolidem e desenvolvam no futuro de Portugal.

Com a nossa acção durante e além aniversário do Partido contribuiremos para a informação, consciência e mobilização de novas gerações que não participaram nesta fase da vida do Partido e do País. Contribuiremos, também, para que camaradas e amigos de outras gerações reavivem memórias (eles que intervieram na construção do Portugal de Abril), vençam desilusões e ganhem novas esperanças e forças tão necessárias para se juntarem à luta que travamos contra a política de direita.

Aprofundar a criatividade para ir mais além

A comemoração do aniversário do Partido exige vontade e reflexão para corresponder ao seu significado. Não é rotina de calendário. É para chegar com o seu conteúdo ao maior número possível de camaradas e amigos, aos trabalhadores e ao povo, a partir do envolvimento e direcção dos organismos e dos quadros no âmbito das suas responsabilidades.

Sendo diversas as iniciativas habitualmente realizadas, os almoços, os jantares e convívios constituem a maior parte numa grande maioria das organizações e revestem-se de particular importância pela mobilização e porque em muitos casos são momentos privilegiados, por vezes únicos, da participação de camaradas na acção do Partido. Devemos continuar e alargar de forma cuidada estas experiências a muitas outras organizações, tanto mais quanto for do agrado dos camaradas e criando as condições para a sua participação.

É colocado aos quadros e aos organismos aprofundar a sua criatividade para ir mais além na planificação das comemorações do aniversário. Desde logo com a venda do Avante!, discutindo em concreto a quem o queremos fazer chegar e, a partir daí, definir objectivos, aprofundar formas de os tornar possíveis e distribuir entre os camaradas o trabalho para a sua concretização. Igualmente incluir no plano de trabalho a apresentação dos Centros de Trabalho onde, para dentro e fora do Partido, também desta forma, a data assinalada e valorizada, assim como cuidar dos nossos espaços de propaganda de rua, uma importante expressão pública do PCP que exige permanente atenção.

Sessões de esclarecimento, debates temáticos, memória e valorização de momentos históricos da intervenção e da realização da organização respectiva, iniciativas específicas dirigidas a gerações mais jovens, acções de formação sobre a História, o Programa e os Estatutos do Partido, enfim, como se sublinhou, a vontade e a criatividade dos quadros e dos organismos abrirão o plano de comemorações adequado a cada organização.

Somos o partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses. Assim nos afirmámos em 1921, como nos temos afirmado ao longo de toda a nossa história. As células de empresa e de locais de trabalho e muitos outros organismos onde elas ainda não estão criadas terão que fazer chegar o aniversário a grandes massas de trabalhadores, de forma que conheçam e reconheçam o Partido que sempre tem lutado contra a exploração do homem pelo homem, que sempre tem honrado os seus compromissos em defesa dos direitos e aspirações dos trabalhadores.

Na acção pela derrota do Governo PSD/CDS-PP, e pela recuperação de salários e direitos roubados, devemos afirmar junto dos trabalhadores que todos estes anos de luta do PCP «não são apenas motivo de orgulho para os comunistas. São-no também para todos os trabalhadores. A fundação, a continuidade, o desenvolvimento e a luta do PCP constituem até hoje a maior realização revolucionária da classe operária de Portugal2.

Um aniversário contra o desespero e o conformismo e que leve aos trabalhadores a confiança que o PCP deposita neles e no povo e na sua força organizada para derrotar a política de direita e a concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda.

A luta travada hoje contra o pacto de agressão das troikas nacional e estrangeira é parte integrante da luta histórica do Partido em defesa da liberdade, da democracia, da independência nacional, da paz e do socialismo. A história de hoje é a luta contra a submissão dos interesses do país e dos portugueses aos interesses do capital estrangeiro.

As lutas travadas com a participação dos comunistas assentam na ligação às massas, questão essencial da vida das organizações do Partido, a ligação aos problemas, sentimentos e anseios dos trabalhadores, das populações, dos reformados, das mulheres, dos jovens. As comemorações do 93.º aniversário saúdam a luta presente, as pequenas e as grandes lutas, a sua diversidade, a dimensão de massas e o alargamento da frente social que levará à derrota deste governo, à derrota da política de direita e dos seus responsáveis ao longo de 37 anos.

Saudamos as vitórias alcançadas não deixando que as dificuldades e dureza das batalhas as façam esquecer.

Em cada momento somos capazes de analisar as situações, definir as prioridades, encontrar e construir as forças e as formas de organização para intervir, lutar e vencer porque temos connosco os trabalhadores e amplas camadas sociais que reconhecem cada vez mais que as análises e as propostas do PCP correspondem às necessidades presentes e futuras do país.

O aniversário do Partido coloca aos quadros e aos organismos a exigência e o esforço que potencie este momento para engrossar as fileiras dos que lutam e confiam, dos que aliam ao descontentamento e à vontade de mudança a consciência de que é necessária e possível a alternativa. Acções recentes confirmam o potencial mobilizador e de vanguarda do Partido e reforçam a convicção de que é possível atrair mais trabalhadores, mais democratas, mais patriotas para o projecto do Partido.

No aniversário afirmamos o Programa do Partido Uma Democracia Avançada, os Valores de Abril no futuro de Portugal, identificamos o seu conteúdo com a luta dos comunistas na actualidade e temos que alargar a confiança das massas de que a concretização do Programa dos comunistas portugueses é do interesse de todos os trabalhadores, dos pequenos e médios agricultores, dos intelectuais, dos quadros técnicos, dos micro, pequenos e médios empresários do comércio, da indústria e dos serviços, dos artesãos e também dos reformados, das pessoas com deficiência, das mulheres e da juventude, como forças sociais com situações, problemas e aspirações e objectivos específicos.

O confronto ideológico de classe é permanente. O inimigo dos trabalhadoras é poderosíssimo e dispõe de meios incalculáveis para organizar e esquematizar as formas e os conteúdos que sirvam os seus interesses e prolonguem o mais possível o sistema que o alimenta. As iniciativas do aniversário, a par da batalha CDU para o Parlamento Europeu, constituem instrumentos de grande importância para levar mais longe a nossa informação e as nossas propostas, essenciais ao esclarecimento, à confiança e à mobilização que se traduzam na escolha política e eleitoral dos trabalhadores e do povo, que dê força à construção de uma política patriótica e de esquerda.

Temos motivos para considerar que este ano as comemorações do aniversário do Partido se revestirão de importância especial. Para além de coincidir com o 40.º aniversário da Revolução de Abril e com as Eleições para o Parlamento Europeu, as organizações têm consigo, por um lado, a intensa e muito positiva experiência das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, com a diversidade de programação e a sua receptividade que ultrapassou o quadro partidário e, por outro lado, a coincidência com a acção de reforço orgânico – decidida pelo Comité Central 3, no quadro da concretização das orientações do XIX Congresso – Mais Organização, Mais Intervenção, Maior Influência – Um PCP mais forte. Estas linhas de trabalho estarão presentes na decisão e na preparação do plano de iniciativas de aniversário dado que o reforço orgânico é tarefa prioritária das organizações e de certo, levarão à disponibilidade de mais camaradas, particularmente na elevação da sua militância e na disponibilidade para o contacto e desenvolver tarefas junto de outros membros do Partido.

O aniversário do Partido exige organização e método de trabalho. Procuremos fazer da sua realização um momento especial de aprofundamento do nosso funcionamento, promovendo-o em ligação com os militantes e as massas e com o maior número possível de organizações a reflectir, decidir e a realizar as suas iniciativas. Sem deixar de prestar o apoio necessário, permitir que sejam cada vez mais camaradas a assumir tarefas e responsabilidade, transmitindo a confiança de que a sua formação como quadros do Partido é primeiro que tudo através da actividade, da intervenção e da luta e a força de um comunista está na sua integração na organização e no trabalho colectivo.

Este é, também, espaço de saudação a milhares de camaradas que organizam, promovem e alargam as comemorações do nosso aniversário, tornando o Partido mais forte para as batalhas que temos que enfrentar.

No 93.º aniversário recordamos palavras do camarada Álvaro Cunhal «O PCP confirma no presente todo o seu glorioso passado. Passado e presente creditam a sua futura acção.

O balanço do passado, a actividade presente e a previsão do futuro definem a importância, o papel e o valor do PCP. O passado é a prova, o presente o testemunho, o futuro a confiança»4.

Notas:

(1) Duas Intervenções Numa Reunião de Quadros, Edições «Avante!», Lisboa, 1996.

(2) Da Resolução do Comité Central do 50.º aniversário transcrita na obra de Álvaro Cunhal O Partido com Paredes de Vidro, Edições «Avante!», 6.ª ed., Fevereiro de 2002.

(3) Reunião do Comité Central de 15 e 16 de Dezembro de 2013.

(4) Álvaro Cunhal, O Partido com Paredes de Vidro, ed. cit.