Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 330 - Mai/Jun 2014

25 de Maio - Uma importante batalha eleitoral

por Revista o Militante

Este número de O Militante sai a escassas três semanas das eleições para o Parlamento Europeu mas aspira, mesmo assim, dar a sua contribuição para que a CDU alcance o bom resultado a que a sua intransigente defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo dá direito, e que é da maior importância para dar mais força à luta por uma alternativa patriótica e de esquerda que inverta o rumo de exploração e deliberado empobrecimento do povo e promova uma política de progresso social e de soberania nacional assente nos valores de Abril e na Constituição que os consagra.

A batalha que temos por diante não é fácil. Confrontamo-nos com uma avassaladora campanha de desinformação e manipulação ideológica, alimentada por poderosos meios de comunicação em que pontifica uma corte de mercenários e de figurões dos partidos do chamado «arco da governação» e onde a voz do PCP é discriminada e silenciada e se difundem em permanência sentimentos de conformismo e desesperança que a ocultação da alternativa proposta pelo PCP e pela CDU ajuda a alimentar. E isto sem esquecer os múltiplos canais de influência sobre o eleitorado que resultam de laços de dependência económica e do abuso de poder pela classe dominante.

A resposta a uma tal situação só pode ser uma. Tirar partido da superioridade do PCP e da CDU no plano político, da organização e da militância. Potenciar os meios de propaganda disponíveis, do cartaz e folheto à internet; assegurar a maior participação possível em comícios, arruadas, sessões de esclarecimento; programar a campanha dos candidatos, mandatários e activistas de modo a que haja contacto directo e diálogo com os trabalhadores de todas as empresas e locais de trabalho que consideramos prioritários. Não deve subestimar-se a frente mediática, nomeadamente nos órgãos de comunicação regional e local. E o papel de candidatos e mandatários é, evidentemente, fundamental. Mas a campanha da CDU tem de assentar fundamentalmente num autêntico «trabalho de formiguinha» dos membros do Partido junto das massas e deve mobilizar toda a organização.

A campanha da CDU não é uma campanha para «especialistas em questões europeias» como por vezes possa pensar-se. É uma campanha envolvendo todo o Partido, voltada para a explicação das razões por que é da maior importância política fortalecer a votação na CDU, e como esse fortalecimento, em ligação com a luta de massas, pode pesar favoravelmente na viragem que se impõe na situação nacional. O artigo do camarada João Ferreira, o primeiro candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, constitui uma contribuição valiosa para o esclarecimento das motivações e das linhas de intervenção da CDU para a campanha eleitoral.

São muito sólidos os motivos para partir com confiança para a batalha de 25 de Maio. A possibilidade de um forte progresso eleitoral da CDU está inscrita no próprio quadro social e político português. Por um lado a vida deu e dá razão às análises e prevenções feitas pelo PCP ao longo do tempo quanto às nefastas consequências para Portugal da sua adesão à CEE/União Europeia e o facto disso ser ostensivamente escondido pela comunicação social dominante não altera esta verdade em que temos de insistir na nossa campanha de esclarecimento. Essa é uma distinção fundamental em relação ao PS, PSD e CDS, que, tal como em relação ao nefasto Tratado Orçamental, estiveram sempre juntos na construção da UE do grande capital e das grandes potências. Por outro lado o programa eleitoral da CDU dá voz às lutas que, em praticamente todos os sectores de actividade e envolvendo todas as classe e camadas antimonopolistas, têm tido lugar de Norte a Sul do país. Trata-se agora de trabalhar com afinco e convicção para levar a luta até ao voto, sem desconhecer como é difícil conseguir que a influência social do Partido e seus aliados tenha correspondência directa no plano eleitoral.

É por isso necessário cuidar o trabalho de direcção, encarando de modo articulado todas as tarefas e frentes de trabalho e potenciando o mais possível a organização partidária. Nesse sentido é importante que, no quadro da acção decidida na reunião do Comité Central de Dezembro – Resolução «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte» – se realize o maior número possível de contactos com os membros do Partido a tempo de os sensibilizar para darem o seu activo contributo à campanha para as eleições para o Parlamento Europeu. Este é um aspecto que não deveremos descurar, tendo presente que, a par da entrega do novo cartão do Partido, o objectivo é reforçar o colectivo partidário e, nomeadamente, elevar a responsabilização e militância dos membros do PCP, aperfeiçoar a sua integração orgânica, aumentar as cotizações e as receitas do Partido. Uma tarefa exigente mas da qual o Partido colherá belos frutos, sobretudo se ela for, como tem de ser, impregnada de confiança em que os membros do Partido que por um qualquer motivo estão deficientemente inseridos na estrutura ou com menor envolvimento nas tarefas partidárias, se devidamente organizados e motivados podem dar à luta muito mais de si.

A construção do PCP é uma tarefa permanente de todos e de cada um dos seus militantes, defendendo e afirmando a natureza de classe do Partido, procurando sem descanso recrutar para as suas fileiras os trabalhadores mais honestos, corajosos e destacados nas lutas, dotando-o de uma base financeira sólida que sustente a sua actividade e garanta a sua independência. Um partido mais forte é condição necessária para corresponder sempre melhor às exigências da luta das mais amplas massas, por sua vez factor fundamental para a derrota da deriva anti-social, anti-democrática e de submissão ao imperialismo que está a infernizar a vida dos portugueses e a destruir o país. As Assembleias de Organização das Organizações Regionais de Aveiro, Viana do Castelo e Vila Real, para além de dezenas de assembleias de organizações concelhias, sectoriais e de base, representam, além de afirmação de princípios de funcionamento democrático, passos significativos na renovação e reforço das organizações partidárias respectivas, a que é necessário juntar a realização com êxito do 10.º Congresso da JCP.

Neste número de O Militante continua a ser dada particular atenção ao 40.º Aniversário do 25 de Abril, com artigos sobre os direitos dos trabalhadores, sobre o papel dos militares e a aliança Povo-MFA, sobre a Constituição da República e o seu grande valor para a actualidade da luta do povo português. Fechamos a redacção em vésperas do 25 de Abril e do 1.º de Maio, que, na sequência das importantes lutas e acções de massas que têm tido lugar – da juventude, dos trabalhadores da Função Pública, das Forças de Segurança, das Forças Armadas, dos Agricultores, dos Reformados e outras –, serão certamente grandes jornadas de confraternização e de luta popular e pesarão no desenvolvimento para diante da luta por uma política e um governo patriótico e de esquerda que vemos inserida na luta por uma democracia avançada tendo no horizonte um Portugal socialista e comunista. Uma luta que não pode parar e que acabará por triunfar. Seja quais forem os obstáculos serão as massas populares, tal como na Revolução de Abril, a ditar a última palavra. O mais importante é jamais desistir, é confiar, é persistir.