Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 330 - Mai/Jun 2014

10.º Congresso da JCP - A luta continua!

por Débora Santos

A noite que antecedeu o Congresso foi de azáfama e de alegria. Realizavam-se por todo país os últimos contactos e escreviam-se as últimas intervenções. Foi uma noite de convívio em vários centros de trabalho, fazendo jus ao colectivo e à vida da JCP. Conviveram e pernoitaram, garantindo que ninguém resistiria à alvorada e todos chegariam em boa hora.

Chegados ao 10.º Congresso da JCP, logo soou a Internacional. Estávamos prontos para dar início aos trabalhos!

O Congresso – órgão máximo da JCP – representará sempre um importante momento de discussão colectiva, que acarreta obrigatoriamente um ponto de chegada mas também um pontapé de saída. O processo de preparação do Congresso teve o seu ponto alto nos dias 5 e 6 de Abril, momento em que se espelhou todo o trabalho realizado anteriormente.

Estávamos em Agosto de 2013 quando a Direcção Nacional da JCP marcou o seu 10.º Congresso. Daí para a frente reforçámos a organização e contribuímos para o fortalecimento da luta nas várias frentes.

Para muitos jovens a construção do Congresso significou o primeiro contacto com a participação democrática. Toda a ofensiva política e ideológica tenta branquear a história e falsificar a realidade. Tenta empurrar-nos para ideias de inevitabilidade e de individualismo. Atacam os direitos de Abril e, na escola, querem fazer-nos crer que o comunismo é atroz; que o centralismo de democrático é uma ditadura onde impera um chefe; que a luta de massas é coisa do passado, etc. Obviamente, todas estas ideias foram contrariadas pela prática. Para quem lá esteve, e nos conhece, é óbvio: todos deram opinião; as conclusões são consequência da discussão colectiva; a luta existe e vai continuar a reforçar-se!

Quantas e quantas intervenções referiram coisas como estas: eramos dois e agora somos sete; tínhamos amianto na escola e conseguimos que fosse retirado; faltavam funcionários e, porque lutamos, conseguimos que fossem repostos; o director chamou-nos e ameaçou-nos para que não houvesse luta, mas os estudantes resistiram e lutaram!

A ampla discussão, dentro e fora da organização, concretizou-se em centenas de reuniões de colectivos e debates abertos à participação de jovens amigos, embora ainda não inscritos a JCP.

Realizaram-se encontros e plenários das organizações regionais de Beja, de Évora, de Setúbal, de Lisboa, Santarém, Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto. O 10.º Congresso da JCP chegou a Portugal continental e também às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Toda a discussão, assim como as propostas de alteração, enriqueceram a Resolução Política, que constitui uma importante ferramenta para a nossa intervenção.

A preparação, afirmação e divulgação do 10.º Congresso foram fundamentais para o reforço da JCP. Foram dezenas de milhares de contactos e mais de 700 recrutamentos nas escolas do ensino secundário, do ensino superior, do ensino profissional, nas empresas e nas ruas.

A democracia interna que nos caracteriza esteve sempre presente na discussão e eleição da Direcção Nacional da JCP. Um processo rigoroso e profundamente democrático, que teve início com o levantamento de centenas de nomes, seguido do processo de auscultação nos colectivos e organismos da JCP. A Direcção Nacional da JCP é consequência da reflexão de toda a organização e está ligada aos vários sectores da juventude, incorporando diversas realidades. Estudantes – secundário, superior, profissional; trabalhadores; dirigentes associativos estudantis; jovens dirigentes sindicais; dirigentes de associações e colectividades; trabalhadores-estudantes. Uma Direcção Nacional composta por militantes de norte a sul de Portugal continental e também das Regiões Autónomas.

A capacidade de análise, reflexão e acção da JCP deixa claro que existem centenas e centenas de jovens militantes capazes de dar o melhor de si para transformar a sociedade.

As palavras de ordem, gritadas a plenos pulmões, no desfile do 10.º Congresso da JCP, pelas ruas de Lisboa, reforçaram as ideias e tarefas colocadas: «Está na hora, está na hora, do Governo ir embora!»; Abril de novo, com a força do povo!»; «E quem não salta é do Governo!»; «Queremos trabalhar, não queremos emigrar»; «Juventude comunista contra a guerra imperialista!»; «A luta continua!». Esta consciência e esta combatividade são preciosas para a JCP – a organização revolucionária da juventude portuguesa.

Pode dizer-se que o 10.º Congresso da JCP chegou aos quatro cantos do mundo! Camaradas da JCP e do PCP, militantes de organizações comunistas e progressistas de outros países, amigos com quem lutamos e construímos o presente e o futuro. Todos eles de olhos postos no nosso 10.º Congresso – muitos presentes na Faculdade de Medicina Dentária, outros através de transmissão em directo, no site da JCP. Todos a ouvir e a reflectir a nossa discussão. É por isso justo saudar todos os delegados e convidados, mesmo aqueles que não conseguiram estar presentes.

Embora a comunicação social – instrumentalizada – tenha procurado silenciar o Congresso da JCP; embora a Universidade de Lisboa tenha retirado a propaganda política da Cidade Universitária com objectivo de silenciar a expressão: Avante com Abril! – mesmo assim, temos a certeza que ninguém calará os jovens que militam e lutam diariamente. Jovens comunistas e não comunistas que têm cada vez mais, e melhores ferramentas, para defender os seus direitos e aspirações.

É preciso continuar a lutar e alcançar vitórias e a dar-lhes visibilidade junto da juventude. Cada grão na engrenagem desta política governamental é fundamental para defender os nossos direitos. É imperativo mobilizar para lutas concretas e lutas gerais, contribuindo para a construção de uma política patriótica e de esquerda. Precisamos de continuar. Nas escolas, nas empresas, nas ruas, envolvendo todos, consciencializando a juventude e aplicando dia-a-dia a unidade na acção.

São muito difíceis, exigentes e complexas as tarefas a que nos propusemos. Mas o único caminho para alcançar verdadeiras e duradouras transformações sociais é a luta organizada, assente numa perspectiva revolucionária, com objectivos concretos e ligados aos anseios e aspirações das massas juvenis. Objectivos que vamos cumprindo ao reforçar a luta e a organização. Hoje, temos mais militantes, avançamos na formação dos quadros, aumentamos a nossa actividade e intervenção, levamos o Agit a mais jovens, criamos e reactivamos colectivos, construímos iniciativas e realizamos boletins de escola.

Tudo isto é prática natural na vida da JCP. Mas os militantes, os colectivos, as organizações, as regiões, têm características diversas, dificuldades e potencialidades diferentes. Assim, o que é prática num colectivo pode ser uma batalha num outro. E o que é um bom hábito, aqui, pode constituir uma novidade, ali. A verdade é que temos «quebrado barreiras» e avançado.

Foi com base nesta reflexão que, passados poucos dias do Congresso, definimos uma nova campanha de reforço da organização até ao 35.º aniversário da JCP, assim como o objectivo de recrutar duzentos novos militantes para o PCP. Estas medidas são fundamentais para manter e reforçar os passos dados, respondendo criativamente às dificuldades. Cada colectivo que hoje funciona prova que estamos mais fortes: reunimos nos intervalos, às horas de almoço, nas escolas e nas faculdades, dividimos colectivos por incompatibilidade de horários. E apesar de termos menos camaradas a ir aos centros de trabalho, continuamos a aprofundar a nossa discussão colectiva, a reforçar o conhecimento e a intervenção sobre cada realidade. Tudo isto decorre paralelamente ao reforço do trabalho direccionado para o movimento associativo, estudantil e juvenil, assim como para o reforço do movimento sindical.

O Congresso afirmou também, no seu lema «Avante com Abril!», que levaremos tão longe quanto possível o 40.º aniversário do 25 de Abril, potenciando a celebração dos seus valores e transformando as comemorações em luta contra as políticas de direita. É neste contexto que a JCP participará no Acampamento pela Paz, organizado pela Plataforma 40X25, da qual a JCP faz parte, e que juntará em Évora, de 25 a 27 de Julho, centenas de jovens que lutam por um mundo de paz e de solidariedade, contra o imperialismo e pelos direitos da juventude.

A dinamização da campanha eleitoral da CDU, no âmbito das eleições para o Parlamento Europeu, também teve importante destaque no 10.º Congresso da JCP. Foi lá que avançámos com as ideias que agora levamos à juventude. Esta campanha conta com um contributo ímpar da JCP no plano do contacto, do esclarecimento e da mobilização da juventude. Através de um postal de contacto, assente no lema «Leva a Luta até ao Voto», muitos têm sido os novos apoiantes da CDU.

Já estamos a preparar a Festa do Avante! 2014, que será mais um grande momento de afirmação da JCP e do PCP, de confiança nos valores de Abril, de alegria e de fraternidade, de confiança nas imensas potencialidades do trabalho colectivo e da militância.

No ano em que celebramos o 35.º aniversário da JCP, devemos afirmar o património de 35 anos de intervenção e de muitas lutas. Um património que pertence aos jovens comunistas, ao seu Partido, mas também à juventude portuguesa, e que deve ser utilizado para continuar a afirmar o ideal comunista e para reforçar a organização revolucionária da juventude.

Quando no 10.º Congresso da JCP, Os Ganhões de Castro Verde nos presentearam com o cante alentejano, uma onda de coragem e de fraternidade encheu o nosso Congresso. «Há lobos sem ser na serra», dizia a moda…lembrando a longa noite fascista. Em resposta, levantaram-se os jovens comunistas para gritar: «25 de Abril, sempre!; Fascismo, nunca mais!» E o teor das palavras de ordem ficou bem expresso na moção aprovada, com o título: «Somos filhos da Revolução, filhos de Abril». E é tudo isto que tem sido, e continua a ser, a luta diária da JCP, da juventude portuguesa e do PCP. É tudo isto que tem contribuído para sedimentar a memória colectiva da juventude, a par da elevação da sua consciência política e ideológica. Tudo isto que Abril nos deu, que existe e que continuará a ser defendido!

Moção - 25 de Abril SEMPRE!

Somos filhos da revolução, filhos de Abril. Somos fruto do projecto mais emancipador do nosso povo. Somos fruto das lágrimas, do suor, do sangue, da resistência antifascista. Da luta de gerações de portugueses pela liberdade, pela paz, pelo pão, pelo trabalho, por uma vida digna sem repressão, sem obscurantismo.

Na madrugada de 25 de Abril de 1974 renasceu a esperança e a alegria de viver. Derrubou-se 48 anos de ditadura fascista e abriu-se portas à democracia politica, económica, social e cultural. Derrubámos monopólios e erguemos nacionalizações. Conquistámos o direito ao trabalho digno. A terra a quem a trabalha passou a ser realidade. Conquistámos o direito à habitação, ao desporto, à cultura. Construímos escolas e massificámos o ensino. Os filhos dos operários passaram de aprendizes a estudantes.

Com a força e a luta dos trabalhadores e do povo, os direitos conquistados nas ruas, fábricas e campos passaram a ser a lei fundamental do país. A Constituição da República Portuguesa é ainda hoje uma das mais progressistas e democráticas no mundo.

Os que viviam da exploração da larga maioria do povo nunca deixaram de tentar recuperar as parcelas perdidas e de aniquilar as conquistas da Revolução. A política contra-revolucionária ao serviço dos grandes senhores do capital nos últimos 38 anos de PS, PSD e CDS-PP, dentro e fora dos governos, colocou as nossas vidas e o País no momento mais negro depois da Revolução. O desemprego, a precariedade, o aumento do horário de trabalho, os baixos salários, a privatização dos serviços públicos, o ataque à educação pública, a fome, a miséria, a emigração, o medo, são cenários que Abril derrotou e que perigosamente se voltam a manifestar.

Somos filhos da Revolução, cerca de 60% da população não era nascida ou era criança aquando da madrugada libertadora, mas sabemos o que é Abril, o seu significado, as suas conquistas. Sabemos e defendemos os valores de Abril no futuro de Portugal.

Sabemos que quando lutamos pelo direito à educação pública gratuita e de qualidade estamos a lutar por valores de Abril. Quando lutamos pelo emprego, pelo salário, pelos direitos e contra a precariedade, lutamos por valores de Abril. Quando exigimos cultura, desporto, habitação, lutamos por valores de Abril. Quando afirmamos que queremos trabalhar e viver no nosso País, afirmamos valores de Abril que hão-de projectar-se no futuro de Portugal.

Celebramos os 40 anos da Revolução de Abril! Comemoramos a resistência e a heróica luta de um povo oprimido, reafirmamos que a luta não foi em vão! Cá estamos, os filhos da revolução, prontos para cumprir o papel que nos cabe, o papel de defender a Constituição da República e fazer cumprir e materializar os valores de Abril.