Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 330 - Mai/Jun 2014

Campanha de contactos - Para um PCP mais forte no distrito de Leiria

por Adelaide Pereira Alves

Na Organização Regional de Leiria, ao discutirmos como concretizar as conclusões do CC «para uma vasta acção de organização, estruturação partidária, elevação da militância, alargamento da assunção de responsabilidades e intensificação da intervenção», concluímos que a acção de contactos com os membros do Partido será um instrumento fundamental para ultrapassarmos as dificuldades que sentimos na ligação dos organismos aos militantes, no seu envolvimento no trabalho partidário, na falta de quadros de direcção, nas debilidades de organização dentro das empresas e locais de trabalho.

Contactar para ter mais Partido organizado a intervir nas empresas e locais de trabalho

Decidimos que nestes contactos que estamos a iniciar com os membros do Partido a prioridade é o reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, reforçar as células que já existem, garantir o seu funcionamento regular e a sua intervenção política e de massas, identificar quais as novas células a criar e a responsabilização individual por este trabalho.

Desta primeira fase já se verificam alguns resultados, embora ainda pequenos. Na Marinha Grande estão a transferir-se camaradas que estando organizados no plano local, estão de acordo em integrar a célula de empresa. Ao nível de empresas decidiu-se dividir em dois grandes grupos: militantes que trabalham na administração pública e no sector privado. Reforçámos o sector de empresas com três camaradas, sendo um responsável pela célula da administração pública, um pelo sector vidreiro e outro pelas células do sector metalúrgico. O objectivo é passar de plenários gerais de militantes em empresas para reuniões de células de empresa ou locais de trabalho.

Depois de chegarem várias fichas actualizadas decidimos que camaradas do secretariado com esta responsabilidade avaliavam o que diziam os camaradas contactados. Encontrámos vários casos de camaradas que trabalhando em empresas, porque não lhes tinha sido colocada a questão, continuavam organizados no local de residência. Decidiu-se contactá-los de novo para saber se estão de acordo em integrar as células dos seus locais de trabalho. Assim como decidimos criar células com os membros do Partido que intervêm nas estruturas sindicais e nas organizações unitárias dos trabalhadores e que estão organizados nos locais de residência.

Também encontrámos camaradas que, sendo reformados, estavam ainda nas células de empresa e estiveram de acordo em integrar as organizações de freguesia ou de bairro, ou mesmo células de reformados.

Contactar para aumentar a militância e a responsabilização

Nas conversas com os quadros que ficaram com contactos para fazer, assumimos que sendo a militância um dever básico de cada membro do Partido, deveríamos, no entanto, ter em conta a realidade da vida dos militantes, as suas características e disponibilidades – tendo sempre presente que a inserção de um militante no trabalho colectivo e o seu acompanhamento transforma muitas vezes indisponibilidades em entusiasmo, confiança e militância.

Interligando este trabalho de contactar todos os militantes também no âmbito da preparação das Assembleias de Organização Regional e Concelhias, temos já alguns resultados no plano da estruturação, como é o caso da Comissão Concelhia de Peniche recentemente eleita, em que na sua primeira reunião todos os camaradas ficaram responsáveis por células de empresa, comissões de freguesia, propaganda, imprensa, autarquias, entre outras, e foi constituído um executivo que acompanhará mais de perto a concretização das medidas.

Na Marinha Grande decidiram na sua maior freguesia, com cerca de 500 militantes, distribuir todas as fichas a contactar por lugares, em alguns casos agrupando vários lugares, e responsabilizaram camaradas por esta tarefa. Da conversa com eles resultou que numa primeira fase iriam actualizar os dados, receber a quota, entregar o cartão e mobilizar para os encontros com a população que estão a realizar com os eleitos da CDU. O que já deu origem a um organismo intermédio onde estão os vários responsáveis pelos colectivos que decidiram criar nesses bairros.

Há também camaradas que aceitaram esta tarefa na perspectiva de que é uma tarefa pontual, dizendo logo que não tinham condições para aceitar a responsabilidade da organização que se pretende constituir. Cabe agora ao organismo de direcção entusiasmar estes camaradas dar-lhes confiança para que continuem com a tarefa. E há bons resultados como um dos camaradas que aceitando fazer os contactos no seu bairro, onde temos várias dezenas de militantes, disse que só iria actualizar dados e entregar os cartões, mas não queria receber quotas. No entanto, após fazer esses contactos, voltou ao Partido para levantar as quotas porque os camaradas lhe pediam para pagar e ele então sempre aceitava ficar também com esta tarefa.

Nos contactos já realizados no distrito de Leiria encontrámos ainda diferentes situações: camaradas que não têm tempo nem saúde para uma maior militância, camaradas que podem dar mais ao Partido mas não estão motivados apesar de serem contactados, camaradas que querem ser integrados e não são convocados, camaradas que há anos estão sem cartão do Partido por nunca terem actualizado a sua ficha desde que entraram para o Partido mas que pensam, e nalguns casos nós também pensávamos, que eram militantes com ficha actualizada.

A energia e o ânimo que nos vem destes contactos com os militantes

Importa referir que os contactos que já realizámos também reforçam o ânimo e a energia dos quadros que fazem os contactos, como quando vemos a alegria de alguns camaradas idosos e doentes ao constatarem que o “Partido tinha tido tempo» para ir a casa deles. E fomos falar-lhes da nossa vida colectiva, falar-lhes da importância da sua quota para garantir a vida deste Partido, falar-lhe da responsabilidade do PS, PSD e CDS pela situação gravíssima em que vivem os trabalhadores e o povo, da importância de cada voto na CDU para dar força a uma política patriótica e de esquerda que reponha os valores de Abril no futuro do nosso país. E o resultado foi que mesmo estes camaradas sem tempo e com bastante idade, sentiram que faziam parte do nosso colectivo partidário, falaram das muitas lutas em que participaram, pagaram quotas e alguns deles aceitaram integrar células de reformados ou organismos para outras frentes como aconteceu nas Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça e Óbidos.

No Bombarral na primeira jornada de contactos, divididos por duas equipas, contactámos cerca de 30 militantes, receberam-se centenas de euros de quotas e é com novo alento que vamos para a assembleia da organização constituir colectivos nessas freguesias, havendo já disponibilidade de alguns jovens camaradas para essa responsabilização.

Melhorar o trabalho de direcção. Reforçar o colectivo partidário

No sentido de aumentar a capacidade de direcção vamos realizar a 9.ª Assembleia da Organização Regional de Leiria em Junho e até lá vamos realizar assembleias de várias organizações concelhias. Das já realizadas no mês de Março podemos dizer que a interligação de todo este trabalho potenciou a participação, a disponibilidade, a responsabilização, as quotizações recebidas e até mesmo o recrutamento.

Na preparação destas Assembleias estamos a discutir como ficam enquadrados os membros do Partido nessa freguesia, empresa ou concelho. Quais as células que vamos reactivar ou criar e qual o camarada que fica com essa tarefa – na linha de que a cada responsável do Partido, a todos os níveis, deve corresponder uma tarefa. Quais as freguesias onde vamos eleger um organismo de direcção e onde vamos integrar os vários militantes dessa freguesia.

Deste trabalho das diversas organizações concelhias resultou um levantamento de vários quadros do Partido a responsabilizar na próxima Assembleia da Organização Regional.

A cada organismo de direcção cabe olhar a realidade dos militantes e das organizações que dirige. Analisar os contactos realizados e ver medidas de direcção, estruturação e responsabilização. Podemos dizer que a seguir ao contacto é preciso integrar. Contactar regularmente para as reuniões, distribuir tarefas, responsabilizar, acompanhar.

Em cada reunião do secretariado da Direcção Regional fazemos uma avaliação ao andamento desta importante tarefa porque sabemos que cada militante organizado é que dá força, combatividade e coesão ao nosso colectivo partidário.

Como referia o camarada Álvaro Cunhal na sua obra «O Partido com Paredes de Vidro», «O trabalho colectivo do Partido tem como principais aspectos: a compreensão e a consciência de que a realização com êxito das tarefas do Partido se deve aos esforços conjugados e convergentes de todos os militantes que, directa ou indirectamente, intervêm nessa realização; e a mobilização dos esforços, do trabalho, do apoio de todos os militantes chamados a intervir na realização de qualquer tarefa