Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 333 - Nov/Dez 2014

Confiança

por Revista o Militante

A luta popular de massas é «o motor da revolução» e é nela que o PCP concentra atenção e energias. Ao mesmo tempo o PCP sempre valorizou a luta no plano eleitoral, vendo a conquista de posições no plano institucional como um importante instrumento de defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo e da sua luta libertadora. Como partido revolucionário, o objectivo central da luta do PCP é a conquista do poder pela classe operária e seus aliados. É isso que fundamentalmente distingue um partido revolucionário que se propõe construir uma nova sociedade de um partido reformista que se contenta com a participação na gestão do sistema capitalista. Entretanto, enquanto um tal momento não chega, o PCP está pronto para assumir todas as responsabilidades que o povo português lhe queira atribuir, sem qualquer «receio» de ver afectada a independência de classe e a natureza revolucionária do Partido. Na sua luta nas empresas e na rua ou nas instituições democráticas, os comunistas portugueses regem-se pelos mesmos princípios e praticam a mesma orientação. Desde a sua participação nos Governos Provisórios da Revolução de Abril aos dias de hoje esse sempre foi e continuará a ser o seu comportamento, na certeza de que, como sempre afirmámos e afirmamos, não há alternativa sem o PCP e muito menos contra o PCP.

Vem isto a propósito da dura luta em que o PCP está empenhado pela ruptura com 38 anos de politica de direita, ruptura cada vez mais urgente e necessária tendo em vista o rasto de empobrecimento e destruição criado pela política do Governo PSD/CDS (que o Orçamento de Estado para 2015 prossegue) e da acção nacional «A força do povo, por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda» lançada pelo Partido em 28 de Setembro e cuja importância a reunião do Comité Central de 19 de Outubro sublinhou.

No quadro dos seis eixos centrais da alternativa em que tem insistido, o PCP avança agora com propostas concretas e integradas em relação à renegociação da dívida, à preparação do país para a saída do Euro, ao controlo público do sector financeiro visando libertar Portugal de três graves constrangimentos que bloqueiam o seu desenvolvimento soberano. O conjunto de iniciativas que decorrem até 13 de Dezembro visam projectar e aprofundar estas e outras propostas, e mostrar que, ao contrário do que pretende a classe dominante – que perante o isolamento e desgaste do Governo de Coelho/Portas vê, sem surpresa, uma vez mais no PS a possibilidade de prosseguir a sua política de exploração e saque do património público –, o PCP é portador de soluções para os problemas do povo e do país. O escandaloso silenciamento das propostas do PCP mostra bem onde dói ao grande capital e o seu medo que elas possam constituir, no quadro da luta central em defesa da Constituição da República e do regime democrático que consagra, elemento mobilizador de forças sociais e aglutinador de democratas e patriotas capaz de derrotar e inverter o desastroso rumo actual da política nacional.

A luta pela alternativa é complexa, difícil e eventualmente demorada. Há que construí-la pelo desenvolvimento da luta de massas, pelo reforço da cooperação de democratas e patriotas, pelo reforço do Partido. Sempre atentos às prioridades, é necessário intensificar a acção em todas as frentes. A começar pelas empresas e locais de trabalho, onde o embate de classe é mais agudo e decisivo, e por toda a parte onde o povo português está confrontado com o ataque sistemático a conquistas e direitos que ainda têm o doce sabor de Abril. Nesse sentido é importante valorizar as mobilizações que têm tido lugar em torno dos problemas da Escola Pública, do Serviço Nacional de Saúde ou dos Tribunais e em particular as lutas do sector dos transportes, metalurgia, química, têxteis, hotelaria, dos trabalhadores da administração pública central e local, dos professores, auxiliares e enfermeiros. A acção de luta de 13 de Novembro e e a Marcha Nacional de 21 a 25 de Novembro decididas pela CGTP-IN revestem-se de grande importância e contarão com o empenho dos comunistas.

Na situação nacional e internacional que vivemos, muito perigosa mas simultaneamente rica de potencialidades de transformação progressista e revolucionária, o mais importante é não perder o «norte», não fraquejar nos ideais e no projecto que orientam e justificam o próprio Partido e manter viva a confiançana possibilidade de os alcançar, sempre com a classe operária, sempre com as massas. A decisão do Partido de adquirir a Quinta do Cabo para garantir «mais e melhor Festa» é expressão dessa confiança, como o é o apoio e entusiasmo com que foi acolhida desde o seu anúncio na Festa do «Avante!» pelo colectivo partidário. Apoio e entusiasmo a que é agora necessário dar expressão prática com a Campanha Nacional de Fundos, sem hesitações nem atrasos na recolha de contribuições e na assumpção de compromissos. E fazê-lo em articulação com a acção de reforço do Partido «Mais organização, mais intervenção, maior influência – Um PCP mais forte» de modo a concluí-la no fundamental até ao fim do ano.

Confiança que tem as suas raízes mais fundas no proletariado e no seu papel histórico na superação revolucionária do capitalismo, mas também na comprovação prática de que, num processo irregular e acidentado, a evolução mundial é no sentido do progresso social e do socialismo. A partir da Revolução de Outubro, toda a História o confirma. A chamada «queda do muro de Berlim» há 25 anos e tudo o que se lhe seguiu, com a anexação capitalista da RDA e as derrotas do socialismo na URSS e restantes países do Leste da Europa, não põe em causa esta realidade. Pelo contrário. As dramáticas consequências da contra-revolução para os povos respectivos e para o mundo, confirmando as análises do XIII Congresso do PCP, tornam ainda mais evidente que, apesar de atrasos, erros e deformações contrários à natureza do socialismo que era necessário superar, o novo sistema social em construção na URSS e noutros países conseguiu demonstrar a sua inegável superioridade e exercer uma influência determinante nos grandes avanços revolucionários do século XX.

As derrotas do socialismo não significaram o «fim da História» nem o «fim da luta de classes». Por toda a parte prossegue a luta libertadora dos trabalhadores e dos povos. 25 anos passados sobre os dramáticos acontecimentos que levaram à destruição do primeiro Estado alemão pacífico e antifascista, ao contrário das promessas de liberdade, progresso e paz e de um capitalismo pujante e «humanizado», o que temos é o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, é o agravamento das injustiças e desigualdades sociais, é a intensificação da exploração do trabalho e a recolonização planetária, é o avanço do fascismo, é a multiplicação das guerras de agressão imperialista e a trágica devastação de vastas regiões do mundo.

É uma evidência que a URSS e o sistema mundial do socialismo fazem falta ao mundo e que o projecto comunista, renovado e enriquecido com as lições da experiência, é de uma flagrante necessidade e actualidade. Percorrendo caminhos necessariamente diversificados, ele é o futuro de todos os povos. É esta perspectiva confiante que anima a intervenção quotodiana dos comunistas portugueses e o empenho que sempre temos de pôr na realização das nossas tarefas imediatas, sempre com os olhos postos no Programa do Partido de uma democracia avançada, parte integrante e indissociável da luta pelo socialismo e o comunismo.