Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Partido, Edição Nº 335 - Mar/Abr 2015

Dias Lourenço, revolucionário para quem a luta era uma felicidade

por Domingos Abrantes

O modo convicto como o camarada António Dias Lourenço entendia a sua condição de comunista revolucionário, expresso na afirmação de que «estar neste combate é uma felicidade», traduz numa só frase o balanço de toda uma vida de plena entrega à causa da liberdade, do socialismo e do comunismo. Uma causa a que aderiu ainda muito jovem e a que se entrega com inabalável confiança, abnegação e alegria transbordante, apesar dos enormes sacrifícios e situações dolorosas que teve de suportar pela sua opção comunista: clandestinidade, prisões, torturas brutais, longos anos de separação dos filhos, a prisão da filha Ivone e a trágica morte de um filho pequeno quando se encontrava preso.

Dias Lourenço, embora tenha usado variadíssimos pseudónimos na sua actividade clandestina, foi com o de «João» que exerceu as suas responsabilidades como destacado dirigente do Partido, cuja vida ao longo de oito décadas se confunde com a história do Partido, com a luta da classe operária portuguesa contra o fascismo, pela liberdade, pela construção de um Portugal democrático.

A acção revolucionária de Dias Lourenço como militante comunista percorre três períodos distintos, mas todos eles marcantes na vida do Partido: o período dos anos 30 do século passado, iniciado com a reorganização de 1929 (já sob a ditadura fascista e o PCP ilegalizado) com vistas à transformação do PCP no verdadeiro partido político da classe operária, a criação de um aparelho clandestino sem o que não seria possível encabeçar a resistência ao fascismo, anos em que, por acção do Partido, a teoria marxista se torna a ideologia dominante no movimento operário português; o período da reorganização de 40/41 até ao derrubamento do fascismo em 1974, um período em que, com fluxos e refluxos, o Partido supera a profunda crise em que estava mergulhado, alarga a sua ligação à classe operária e transforma-se num grande partido nacional, vanguarda da resistência ao fascismo e da luta da classe operária portuguesa, força determinante na criação das condições para o derrubamento do fascismo; finalmente, o período exaltante da Revolução de Abril, da revolução democrática e nacional, conquista maior na longa história de luta do PCP.

Dias Lourenço interveio de forma relevante nesta longa caminhada, enriquecendo a nossa história colectiva de sucessivas gerações de homens, mulheres e jovens que, com enorme dedicação, tornaram possível a construção do PCP. Ao evocarmos a sua vida militante por ocasião do centenário do seu nascimento, honramos a sua memória projectando o seu exemplo na nossa luta presente.

Dias Lourenço nasceu em Vila Franca de Xira no dia 25 de Março de 1915 no seio de uma família operária (a mãe era costureira e o pai ferreiro) empenhada em actividades associativas, culturais e no movimento operário militante. O pai, presidente do Sindicato da Construção Civil, que na altura integra os trabalhadores ferreiros, teve papel activo na defesa dos trabalhadores e do sindicalismo livre. Da sua mãe sabe-se da participação em acções de protesto de mulheres contra a repressão. Dias Lourenço dizia que a primeira manifestação em que participou foi aos 4 anos no colo da mãe, quando esta participava numa dessas acções.

Filho de operários, operário devia ser, tal era a lógica de então. Aos 13 anos começa a trabalhar na OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronaútico), em Alverca, onde inicia a profissão de torneiro-frezador, profissão que continua a exercer na Soda Póvoa (Póvoa de St.ª Iria) – para onde foi trabalhar depois de ter sido despedido da OGMA, acusado de fomentar acções reivindicativas. Trabalhou nestas duas empresas durante 14 anos, tornando-se um operário altamente especializado, admirado pelas suas capacidades profissionais e pelas inovações tecnológicas que introduz no torno.

Em 1931, com apenas 16 anos, ingressa no PCP, assumindo a responsabilidade de criar e acompanhar a célula do Partido na OGMA. Posteriormente integra a célula da Soda Póvoa, o Comité Local de Vila Franca de Xira e o Comité Regional do Ribatejo, do qual (com Alves Redol e Carlos Pato) se torna responsável.

Em 1934 intervém na jornada do 18 de Janeiro contra a fascização dos sindicatos, chegando a ser preso por algumas horas devido a denúncia anónima.

A organização partidária no Baixo Ribatejo (zona com importantes núcleos fabris e concentração operária), ao tornar-se a mais significativa organização operária do Partido vai ter papel central na reorganização de 40/41 pela sólida ligação que permitiu estabelecer com a classe operária, pelo papel de vanguarda que tem no surto grevista no começo dos anos 40 e pelo elevado número de destacados e corajosos quadros que proporcionou ao aparelho clandestino.

Esta organização, e em particular a de Vila Franca, vai igualmente desempenhar papel central no reforço da ligação do Partido a meios intelectuais. É a partir de um grupo de operários, empregados e intelectuais que ali leva a cabo uma intensa actividade político-cultural que, primeiro, em meados dos anos 30 com os «Convívios no Tejo», e depois, em 40/41, com os «Passeios no Tejo», se vão estreitando os laços entre operários e destacadas figuras da intelectualidade, como Álvaro Cunhal, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol, Lopes Graça e tantos outros. «Passeios» de que Dias Lourenço foi o principal organizador e que irão dar lugar ao movimento neorealista, que vem a desempenhar importante papel na difusão da cultura portuguesa e na mobilização da intelectualidade progressista para a luta contra o fascismo.

Dias Lourenço era o que se poderia chamar de «operário intelectual», fazendo parte de uma geração de operários que considerava a formação cultural um dever de quem se propõe construir uma nova sociedade, um meio de aperfeiçoar as suas capacidades humanas e intelectuais, uma arma para um melhor conhecimento da realidade e, consequentemente, potenciadora de uma maior e mais consciente intervenção social e força libertadora ligada à acção política prática.

Dias Lourenço, a par da actividade partidária e do trabalho profissional, desenvolveu intensa actividade político-cultural nas colectividades, em cursos de formação para operários, a quem deu aulas de Esperanto. Colabora em jornais como O Diabo, O Sol Nascente, O Mensageiro do Ribatejo e a República. Naturalmente que o essencial da sua produção escrita se encontra na imprensa do PCP e em particular no Avante!, para o qual escreveu durante 22 anos e de forma intensa no período revolucionário.

Escreveu poemas, novelas, contos e reportagens. Prefaciou variadíssimos livros. Pintava e desenhava.

Frequentou a Universidade Popular Portuguesa de 1931 a 1940, onde conviveu com destacados intelectuais e se interessou por várias áreas do saber. Das aulas com Bento Jesus Caraça – camarada e amigo – ganhou o gosto pelo estudo da matemática, para a qual revelava grande aptidão.

Durante os longos anos de prisão dedicou-se ao estudo de problemas económicos, da estrutura da sociedade portuguesa, da estrutura agrária, dos monopólios, etc., trabalhos fixados em centenas de fichas.

Em 1995 publicou o livro Vila Franca. Um Concelho no País e, em 1997, Alentejo – Legenda e Esperança, livros que, para além da contribuição para o conhecimento da realidade sócio-económica das respectivas regiões, dão a conhecer o processo de formação das organizações dos trabalhadores, das suas lutas, da organização do PCP e o porquê daquelas regiões se tornarem baluartes na resistência ao fascismo.

Já muito próximo do fim da vida, em 2004, publicou o livro Saudades... Não têm conto! Cartas da Prisão para o meu filho Toino, uma compilação de postais ilustrados com desenhos e pequenas histórias, que durante sete anos, semana após semana, envia ao filho. Para além do seu valor estético e literário, o livro é um hino de ternura, de humanismo, de preocupação de um pai que, embora limitado no contacto com o filho, procura contribuir para a sua formação através das histórias que lhe envia. Um livro que nos remete para uma realidade pouco salientada e que foi a separação dos filhos por homens e mulheres que pagaram um pesado tributo ao optar pela condição de revolucionário profissional para que o povo português pudesse viver em liberdade.

Pesado tributo que Dias Lourenço pagou ao não poder acompanhar o filho na doença e ao ser atingido pelo mais duro golpe que um pai pode sofrer: a perda de um filho em condições dramáticas, dor bem expressa no título do livro: Saudades... Não têm conto!.

Em 1942 torna-se funcionário do Partido e passa à clandestinidade. Assume a responsabilidade de diversas organizações em diferentes zonas do país e, simultaneamente, por tipografias clandestinas e aparelho de distribuição da imprensa do Partido. Em 1948 é responsável pela publicação de O Camponês e, de 1957 até à sua prisão em 1962, do Avante!, e novamente, já com o Avante! legal, de 1974 a 1991. O Avante!, que foi durante várias décadas o difusor das orientações do Partido, instrumento indispensável na organização e na luta dos trabalhadores, na denúncia do regime fascista, que ganha raízes nas massas populares, torna-se depois do 25 de Abril no verdadeiro jornal da e na Revolução.

Desde muito jovem que Dias Lourenço participa nas lutas reivindicativas da classe operária. Mas é depois da grande viragem na luta de massas resultante da reorganização do Partido nos anos 40/41, e já como funcionário do Partido e seu dirigente, que a sua acção e intervenção se tornam indissociáveis de grandes acções da classe operária.

Está ligado ao redespertar da luta do proletariado agrícola nos anos 42, 43 e 44, resultante do significativo reforço da organização partidária no Alentejo, de que era responsável. Nas greves de Julho-Agosto de 1943 e nas greves de 8 e 9 de Maio de 1944 integra os respectivos Comités Dirigentes. Integrado na Direcção Regional de Lisboa assume particulares responsabilidades na organização das greves da Indústria Naval de 1947 e como membro do Secretariado do Comité Central nas greves de 1957 e 1958, bem como na grandiosa jornada do 1.º de Maio de 1962 e na luta pela conquista das 8 horas nos campos do Sul, nesse mesmo ano.

Em 1945, no período de grandes progressos na construção da unidade antifascista por acção do PCP, Dias Lourenço representa o Partido no Conselho Nacional do MUNAF.

Em representação do Partido participa em importantes iniciativas internacionais, tendo chefiado a delegação do PCP à Conferência Internacional de Partidos Comunistas e Operários, realizada em Moscovo em 1957.

Dias Lourenço ocupou durante dezenas de anos as mais altas responsabilidades no Partido. Em 1943, no III Congresso (I ilegal) é eleito membro do Comité Central, no qual se mantém durante 53 anos, até 1996. Foi membro do Secretariado do Comité Central de 1957 a 1962 e da Comissão Política em 1956 e de 1974 a 1988.

Dias Lourenço foi preso duas vezes, respectivamente em 1949 e 1962. De ambas as vezes foi longa e brutalmente torturado, não sendo tortura menor que as torturas físicas a chantagem com seus dois filhos ainda bebés, presos com o pai e a mãe quando da segunda prisão. Essas duras provas face ao inimigo enfrentou-as com enorme coragem.

Na prisão Dias Lourenço mantém sempre um espírito combativo e corajoso face aos carcereiros e empenho no estudo da possibilidade de fugir.

Fugir das cadeias fascistas requeria apurado trabalho de organização, persistência no estudo das fragilidades do sistema de segurança prisional, engenho na procura das melhores condições para contorná-las, rigorosa disciplina e respeito pelas normas conspirativas, tanto mais que se tratava de trabalhar nas «barbas» do inimigo. Exigia a determinação de recomeçar sem desanimar perante tentativas falhadas, que eram bem mais frequentes do que fugas bem sucedidas.

Dias Lourenço era um dos camaradas que se entregava à tarefa de tentar a fuga com entusiasmo e perseverança, com a compreensão muito clara do sentido político e prático da orientação do Partido de que os seus quadros uma vez caídos nas garras da polícia tudo deviam fazer para reocupar o seu posto de combate na luta clandestina, interrompido provisoriamente com a prisão.

Ele tinha sido um dos principais impulsionadores de uma tentativa de fuga do Forte de Peniche nos finais de 1953, através de um túnel escavado até às muralhas do Forte, fuga abortada já no final por grave erro conspirativo. Mas pela coragem que implicou a escavação do túnel (só um carcereiro teve a coragem de lá penetrar), pelos complexos problemas que foi preciso resolver (introdução na cadeia do material para escavar, protecção da vida dos «mineiros», assegurando o fornecimento de ar na galeria e o seu escoroamento, eliminação do material escavado) e pelo difícil trabalho conspirativo se inscreve justamente no património da luta do PCP contra o fascismo.

Mas nem o esboroar de um sonho tão longamente acalentado e à beira de se concretizar, nem o pesado castigo que se lhe seguiu quebraram a sua moral revolucionária, ou fizeram desmoronar a confiança na possibilidade de fuga, vindo a protagonizar alguns meses depois, na noite de 17 para 18 de Dezembro de 1954, uma das mais audaciosas, espectaculares e corajosas fugas das cadeias fascistas – a célebre fuga do «segredo» do Forte de Peniche.

Os carcereiros nutriam, visivelmente, vincado ódio pelo camarada Dias Lourenço, o que era expresso em toda a espécie de castigos: proibição de receber livros, de ler jornais, de ir ao recreio, de receber visitas, isolamento em cela ou no «segredo», e até espancamentos. Castigos que, no seu conjunto, ultrapassam o espaço de tempo de mais de um ano.

A fúria persecutória dos carcereiros acabou por lhes ser fatal, pois foi a partir de um castigo em que o enviaram para o «segredo» que Dias Lourenço preparou a sua fuga, em condições de completo isolamento e sem poder contar com o apoio exterior, Uma fuga que exigiu enorme coragem, determinação, serenidade e mobilização de energias colossais para enfrentar as condições adversas de um mar gélido e alteroso como acontece no inverno, e no qual esteve muito perto de perder a vida.

Ao conquistar a liberdade, Dias Lourenço não esqueceu os camaradas que continuavam nos cárceres fascistas. É para eles que vai o seu pensamento na mensagem que escreve ao Comité Central: «Neste momento de íntima satisfação o meu pensamento vai para todos os camaradas e antifascistas encerrados nas prisões salazaristas, em especial para o grande patriota e dirigente querido do nosso Partido, o camarada Álvaro Cunhal, e para todos os antigos companheiros da Fortaleza de Peniche», aos quais garantia não poupar «esforços na luta sagrada pela libertação do nosso povo, que o mesmo é dizer pela sua libertação.»

Depois da fuga de Peniche, Dias Lourenço viria a ter papel destacado na organização de duas outras importantes e audaciosas fugas.

No quadro das suas responsabilidades no âmbito do Secretariado do Comité Central – organismo responsável pela organização e coordenação, no exterior, da fuga de Peniche de 3 de Janeiro de 1960, que restituiu à liberdade Álvaro Cunhal e outros destacados quadros do Partido – coube-lhe a importante tarefa de localizar o GNR, convencê-lo a aceitar dar a fuga aos camaradas e no seu acompanhamento em todas as fases preparatórias.

Dias Lourenço integrou igualmente o núcleo de camaradas que organizou a fuga de Portugal de Agostinho Neto e sua família e do patriota guineense e dirigente do PAIGC, Vasco Cabral, em Junho de 1962, fuga que constituiu uma pesada derrota para o governo português e um importante contributo do PCP para o reforço da luta anticolonialista.

Julgado no Tribunal Plenário do Porto no seguimento da segunda fuga, não tendo nenhuma ilusão quanto à natureza dos tribunais fascistas – meros prolongamentos da PIDE –, assume-se perante o tribunal não como réu, mas como acusador, denunciando o regime fascista e seus crimes, defendendo com firmeza e convicção o seu partido e a sua opção comunista.

Tendo-lhe o juiz perguntado se depois da fuga de Peniche tinha reingressado no PCP, Dias Lourenço chama a atenção da impropriedade do uso da palavra reingresso porquanto – disse – «só reingressa quem sai» e ele tinha-se sempre mantido membro do PCP, acrescentando que se orgulhava «de ter abraçado a causa do comunismo desde os alvores da juventude e de manter a honrosa condição de comunista», qualidade que esperava «conservar até ao último alento da vida».

E para que não restassem dúvidas de que a pesada sentença que o esperava não o intimidava, Dias Lourenço assume firmemente a sua qualidade de comunista: «Tenho-me esforçado sempre por manter-me fiel aos superiores princípios que norteiam o Partido Comunista. Para mim não concebo outra vida que não seja dar tudo ao meu Partido e aos seus grandes ideais».

Como tantos outros militantes comunistas, Dias Lourenço deu o melhor da sua vida pelo derrubamento do fascismo, pela conquista da liberdade.

Finalmente, no dia 26 de Abril de 1974, quando somava já 17 anos nas cadeias fascistas, dos quais os últimos 12 anos seguidos, e a PIDE se preparava para o manter preso por muitos mais anos, e quando já estava em andamento nova tentativa de fuga, desta vez do Hospital Prisão de Caxias, o derrubamento do fascismo pelo qual tanto lutou abriu-lhe as portas da prisão, bem como a todos os antifascistas que se encontravam presos.

Retoma de imediato a actividade partidária, empenhando-se entusiasticamente nas tarefas da Revolução, na organização do Partido, nas batalhas políticas e ideológicas.

No dia 30 de Abril participa activamente na manifestação de recepção a Álvaro Cunhal, no aeroporto de Lisboa. Integra a delegação oficial do PCP que seguidamente é recebida pela Junta de Salvação Nacional. E na noite desse mesmo dia participa na reunião unitária preparatória da jornada do 1.º de Maio, na qual se bate com firmeza contra a tentativa de forças esquerdistas para impedir o PCP de intervir no 1.º de Maio.

Em Maio de 1974 assume a responsabilidade de Director do Avante! legal, tarefa que acumula com a responsabilidade pela Direcção Regional das Beiras do Partido. Participa em centenas de comícios e sessões de esclarecimento sobre as orientações do Partido, os seus objectivos, a sua história, as tarefas da Revolução, a denúncia do fascismo, percorrendo o país de norte a sul. Participa em colóquios e debates. Realiza numerosos contactos com sectores democráticos. Bate-se pela aliança Povo-MFA. Foi deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e deputado à Assembleia da República de 1976 a 1987.

Realizou um trabalho imenso e sem paralelo, nomeadamente junto da juventude, nas escolas e nas visitas ao Forte de Peniche, esclarecendo o que representou o regime fascista e o seu sistema prisional, que a conquista da liberdade implicou enormes sacrifícios para milhares de antifascistas. Um trabalho que era um apelo à reflexão das jovens gerações e um alerta para a necessidade da luta contra o ressurgimento de tempos de má memória.

Dias Lourenço era um camarada que facilmente criava amizades. Um camarada cuja actividade partidária era imbuída de um grande humanismo, de solicitude pela vida dos quadros e dos amigos.

Até ao fim da vida procurou ser útil ao Partido, inteirar-se sobre a vida política e o pulsar da vida do Partido. Manifesta particular interesse pelo trabalho com a juventude, com quem gostava de conviver e na qual via o futuro do Partido, alegrando-se ao «ver toda essa gente nova que vem ao Partido, para pegar na bandeira e andar para a frente».

Dias Lourenço deixou-nos no dia 7 de Agosto de 2010, com a idade de 95 anos e 79 de militância comunista, mas perdurará o seu exemplo de coragem, de abnegação e de entrega ao Partido, de luta pela emancipação dos trabalhadores, pelo socialismo e o comunismo. Perdurará o exemplo do camarada que não concebia outra vida que não fosse dar tudo ao Partido e aos seus grandes ideais.

Até sempre camarada «João»!