Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 338 - Set/Out 2015

CDU, o voto necessário

por Revista o Militante

A redacção de «O Militante» saúda a nossa grande Festa do «Avante!», festa da amizade, da fraternidade, da luta, da confiança num Portugal com futuro.

Saudamos os comunistas, os amigos e simpatizantes do Partido, os fiéis eleitores da CDU, os muitos milhares de portugueses, e em particular os jovens e as mulheres que, não sendo comunistas, erguem connosco e tornam sua esta Festa ímpar de confraternização, alegria e amor à vida.

Uma Festa que pensa já no ano seguinte quando – após a campanha nacional de fundos para a compra da Quinta do Cabo, que tem sido um assinalável êxito mas a que há que dar um novo impulso – se vai espraiar para o novo espaço tornando-se ainda mais ampla e mais bela.

Uma Festa que se realiza num quadro político particularmente exigente, em véspera das Eleições Legislativas de 4 de Outubro e que, por isso mesmo, constituirá objectivamente a grande arrancada para a campanha eleitoral da CDU, que tem de ser e será certamente uma grande campanha política de massas, dinâmica e confiante. Com o contacto directo com os portugueses por toda a parte onde vivem e trabalham, divulgando as propostas do Partido e da CDU num diálogo vivo dirigido ao seu sentir e à sua inteligência, será possível levar a luta até ao voto, alargar o apoio à CDU, eleger mais deputados, dar um vigoroso contributo para a derrota da política de direita, que pela mão do PS, PSD e CDS, há décadas governa Portugal, e alcançar a viragem que se impõe no curso da vida nacional.

O que está em jogo nestas eleições é a escolha entre a continuidade de uma política contrária aos ideais e valores de Abril e da Constituição da República Portuguesa, de ataque a direitos e conquistas dos trabalhadores, ruína económica, empobrecimento da democracia e submissão nacional, com os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, ou a ruptura decidida com tal política e a afirmação de uma alternativa patriótica e de esquerda centrada na promoção dos interesses e aspirações da classe operária e demais classes e camadas antimonopolistas, no desenvolvimento económico, na afirmação da soberania e da independência nacional.

A batalha eleitoral que temos diante de nós será muito exigente. Basta ver o que nestes últimos meses tem acontecido em matéria de tentativa de condicionamento e manipulação da opinião pública tanto da parte do Governo, abertamente apoiado pelo Presidente da República, – mentindo descaradamente sobre o estado da economia e a situação social e procurando transformar em «salvadora» a política de agressão social e de ruína económica que realizou –, como da parte do PS – sacudindo as responsabilidades dos seus governos, iludindo os problemas centrais do país e procurando disfarçar o seu acordo com o PSD e o CDS nas grandes questões estruturantes. A tentativa de escamotear o que realmente está em causa nas eleições e fomentar a bipolarização com o falso argumento de que «para correr com eles» seria necessário votar no PS, tem de ser firmemente combatida.

Bem sabemos que a batalha é difícil para os comunistas e seus aliados. Do outro lado da barreira temos o uso e o abuso do poder do Estado, o poder do dinheiro, o poder dos grandes órgãos de comunicação social dominados pelo grande capital que silenciam e discriminam a voz do PCP e da CDU. Mas contra tudo isso temos as armas da nossa organização militante e a superioridade de propostas que correspondem inteiramente aos interesses dos trabalhadores e do povo e às necessidades de desenvolvimento do país.

Nas linhas de propaganda para induzir no eleitorado a ideia de que «não há alternativa» às políticas de direita e de submissão aos ditames da União Europeia e do FMI, aparece a exploração da evolução da situação na Grécia. O facto de seis meses depois a vontade de mudança corajosamente manifestada pelo povo grego nas eleições de 25 de Janeiro ter sido, para já, frustrada com a assinatura de um novo programa de resgate, constituiria a demonstração de que não há alternativa ao garrote da dívida, ao colete de forças do Euro e do processo de integração capitalista europeu, à política de violenta exploração e rapina imposta pelo grande capital e pelas grandes potências.

Porém o que a experiência grega mostra é precisamente o contrário. Não é à direita assumida e à social-democracia que a evolução da dramática situação grega dá razão, é ao PCP e a quantos como ele (e são cada vez mais numerosos) consideram que o caminho do desenvolvimento e da soberania de Portugal passa necessariamente pela ruptura com os constrangimentos externos, exigindo desde já a renegociação da dívida (nos seus montantes, prazos e juros) e o estudo e preparação de Portugal para a saída do Euro.

Nas batalhas mais imediatas que temos diante de nós e nas quais é necessário concentrar grandes energias, há duas coisas fundamentais que têm de estar sempre presentes.

A primeira, respeita aos objectivos da nossa luta, àquilo que constitui o cimento principal deste nosso grande colectivo e que distingue radicalmente o PCP de todos os outros partidos: o ideal e o projecto comunista. O elo entre as tarefas e os objectivos imediatos da nossa intervenção social e política e os nossos objectivos programáticos nunca se pode quebrar. Como a experiência internacional mostra, o enfraquecimento e a perda da perspectiva revolucionária são mortais para um partido comunista.

A segunda, são as tarefas de organização. Elas devem estar presentes em todos os momentos e em todas as frentes da nossa intervenção militante. Sabemos que não é fácil combinar o trabalho de organização com a intervenção social e política em geral muito absorvente de atenção e energias. É mesmo muito frequente, nomeadamente em períodos eleitorais, descurar e mesmo «deixar cair» as tarefas de organização e de reforço do Partido. A orientação e decisões visando desenvolver de forma integrada as diferentes tarefas do Partido e dar permanente atenção ao reforço de organização, têm tido resultados positivos no estilo de trabalho partidário mas é necessário não afrouxar. E a campanha eleitoral, quando se alargam muitíssimo os contactos e se estreita a ligação com as massas, cria condições muito favoráveis ao recrutamento e ao reforço do Partido. Há que aproveitá-las judiciosamente dando uma particular atenção ao enraizamento do PCP nas empresas e locais de trabalho.

A construção do Partido é uma tarefa permanente e necessariamente criativa e que, por isso mesmo, não dispensa, antes valoriza, a rica experiência e reflexão acumulada pelo colectivo partidário. Neste sentido, a obra do camarada Álvaro Cunhal, O Partido com Paredes de Vidro, cuja primeira edição tem precisamente trinta anos, é um instrumento de trabalho de grande valor. Escrita em 1985 e enriquecida, posteriormente, com um prefácio do autor (6.ª edição, Fevereiro de 2002), esta obra de Álvaro Cunhal é simultaneamente um documento do Partido, pois o seu conteúdo foi aprovado pela Comissão Política. Ele fala-nos do Partido que somos e queremos ser nas suas diferentes facetas, que vão desde a caracterização da identidade comunista do PCP, ao estilo de trabalho, à política de quadros, ao internacionalismo. É um trabalho que, escrito antes das derrotas do socialismo, contém observações em relação a desvios do ideal socialista e a fenómenos de degenerescência que conduziram ao desastre. Com várias reedições da editorial «Avante!» conheceu um forte impacto no movimento comunista e revolucionário internacional tendo sido traduzido em várias línguas.

O Partido com Paredes de Vidro é uma obra de referência indispensável para quem queira conhecer o PCP, quem são, o que pensam e o que propõem os comunistas portugueses. Mas é sobretudo uma obra de estudo obrigatório para todos os membros do Partido, e uma fonte de inspiração e confiança para a intervenção revolucionária dos comunistas aqui e agora.