Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 338 - Set/Out 2015

Mais a marchar pela Alternativa!

por Francisca Goulart

Sem descurar a completa máquina formadora de opiniões, que através dos meios de comunicação social e de outras instituições opera; sem descurar a desonestidade intelectual daqueles que pintam um Portugal antagónico da realidade; sem descurar a pressão e chantagem feita ao povo, registamos de forma consciente a disponibilidade que existe por parte da juventude para conhecer o projecto e as soluções que apresentamos.

A Marcha «A Força do Povo» é um bom exemplo desta disponibilidade. Foi uma jornada construída a partir da acumulação de conhecimentos e de forças, pelas mãos dos militantes do PCP, da JCP, do PEV e da Ecolojovem, mas também de muitos outros democratas, construída mesmo antes de ser convocada pois nasce da profunda força que são os trabalhadores e o povo que lutam. Uma marcha que se prolonga e prolongará na palavra de militantes, amigos, democratas, marcha que continua na acção da JCP, na demonstração da confiança que temos na juventude, mas que serve também para reflectir sobre os obstáculos e dificuldades, mas também sobre os atrasos na elevação da consciência política de alguns jovens.

Se estão à vista as nefastas consequências de mais de 39 anos de política de direita, se está à vista um Governo que termina o mandato continuando o massacre sobre o povo e o país, se são claros os autores desta política e de quem beneficia com ela, nem sondagens, nem mentiras, nem mesmo a bipolarização nas eleições através da comunicação social, permite que se esconda a derrota da política de direita e deste Governo PSD/CDS.

Dizem que «arrumaram a casa»: é preciso responsabilizar o PSD e o CDS por terem arrumado Portugal à medida dos banqueiros e grandes empresários, agudizando a acumulação da riqueza por parte dos grandes monopólios e do grande capital, e é preciso responsabilizar o PS pelo seu acordo profundo com este rumo político, assim como por ser também o seu primeiro promotor quando foi Governo.

Por muitas vezes que o PSD e o CDS, com a empenhada colaboração do Presidente da República, repitam que «o país está melhor», ou que «está a recuperar», a realidade vivida pela juventude e pelo povo português desmente tal ideia. Veja-se não só que esta política impede um real desenvolvimento do país, assim como condena os jovens e os trabalhadores ao desemprego, à precariedade, impedindo o acesso a direitos fundamentais, pondo em causa a dignidade humana, degradando ou limitando o acesso à alimentação, à saúde, à educação, à habitação, electricidade, água.

Cada reivindicação marcha para a alternativa

Contrariar os obstáculos que detectamos é neste momento essencial. Permitir que seja no seio da organização que os jovens procuram e encontram respostas para os seus problemas e aspirações é garantir que somos um instrumento de esclarecimento e inevitavelmente de libertação.

Acompanhar, combatendo sentimentos que são difundidos para fomentar a resignação e a alienação, é um trabalho determinante que precisamos de continuar a desenvolver, seja na batalha eleitoral actual, seja no dia a seguir às eleições. «Não percebo de política»; «não me interesso»; «não vale a pena lutar/votar» – são respostas de alguns jovens atingidos pela desesperança e por uma impotência a que querem condenar a juventude.

Mas os sonhos, aspirações e reivindicações não faltam, pois logo também ouvimos a juventude dizer-nos: «a alternativa é precisa e essa necessidade torna-a possível»1, e, por isso, nós completamos dizendo que se torna incontornável.

E não esqueçamos que foram mais de 300 os que na preparação da Marcha deram o seu apoio e deixaram o seu contacto. Precisamos, por isso, de convidar a participar, com audácia, mais jovens que como nós precisam da alternativa, precisam de aumentos salariais, do fim das propinas, do fim das taxas moderadoras na saúde, de acesso à cultura. Em contacto intenso, dinamizando conversas entre amigos e desconhecidos, criando espaços de discussão política e esclarecimento, integrando no esclarecimento a necessidade de tomar partido: militar, intervir na empresa e na escola, participar em associações estudantis, sindicalizar-se e ser activo, participar no movimento associativo, fazendo nascer na unidade a capacidade vitoriosa da luta organizada e consequente.

A organização é um instrumento para isto, não substitui a própria acção transformadora e organizativa das massas mas procura aprofundá-la e capacitá-la de horizontes mais amplos, ou seja, permitir que a acção reivindicativa tenha não só em conta as necessidades imediatas mas a superação deste sistema económico por uma formação económica e social superior, de forma a garantir o exercício efectivo do poder pelos trabalhadores e de efectuar as transformações profundas que consagrem numa sociedade as aspirações e direitos da classe trabalhadora e da juventude.

Neste quadro, as reivindicações mais imediatas e as lutas por questões concretas estão integradas na defesa dos valores de Abril e da Constituição da República Portuguesa, e encontram resposta no programa da política alternativa patriótica e de esquerda.

Estas alavancas abrem caminho ao que o PCP e a JCP afirmam no seu programa, um programa cujo conteúdo é porque e para que os trabalhadores se libertem da exploração, da opressão e desigualdades, construindo uma sociedade em que o desenvolvimento das forças produtivas, o progresso científico e tecnológico e o aprofundamento da democracia económica, social, política e cultural são princípios fundamentais para garantir os direitos ao povo.

Fazer confluir a luta e o reforço orgânico na batalha eleitoral

A JCP, no âmbito da Juventude CDU, já desenvolve um trabalho político de esclarecimento e de mobilização que assenta sobretudo em três aspectos fundamentais:

o esclarecimento através do contacto directo, dando a conhecer as propostas e soluções, não esquecendo a qualidade da intervenção de cada militante e amigo no seu meio, o alargamento por força do exemplo da influência pela razão, coragem e luta de cada um na sua empresa e escola;

o reforço da organização e da luta procurando que cada vez mais jovens assumam a responsabilidade perante o povo e o país de, organizados, serem construtores da alternativa;

a mobilização para o voto nunca desligado da consciência de que o desenvolvimento da luta determina não só as condições para a batalha eleitoral como as reais vitórias que garantem ao povo a concretização dos seus direitos e a conquista de uma vida melhor.

É preciso demonstrar a importância destas eleições, contrariar deturpações ou ilusões. Estas eleições não tratam da eleição do primeiro-ministro. Nas eleições legislativas serão eleitos 230 deputados, e só depois disso se encontrará, a partir da composição do Parlamento, um governo. Mais deputados da CDU significa mais voz à luta dos trabalhadores, do povo e da juventude, mais força para uma verdadeira alternativa.

É preciso afirmar que as propostas nascem do conhecimento da realidade, da auscultação do povo e da juventude, desaguam num projecto completo que se propõe resolver problemas do actual sistema, garantindo a distribuição da riqueza e a melhoria das condições de vida do povo.

Por tudo isto é preciso afirmar que o nosso projecto e a política alternativa patriótica e de esquerda são o culminar das vontade e necessidades de um povo e de um país, pela sua independência e soberania, pelo pleno emprego, pelos direitos sociais, pela democracia, atalhando as necessárias medidas para a libertação das amarras que advêm da União Europeia e dos seus tratados, assim como da promiscuidade entre poder económico e político.

Contra a deturpação de posições e da realidade, contra o silenciamento da nossa acção e da acção dos trabalhadores e da juventude, contra as «inevitabilidades» e pressão nós faremos o trabalho de sempre, de honestidade na palavra e na acção, de gente séria que quer os valores de Abril no futuro de Portugal, com um projecto que é das pessoas e das lutas que travam e travaram. Nós sabemos que a juventude quer o presente e o futuro que lhe pertence, de direitos e felicidade, por isso reafirmamos com confiança: Queremos o que é nosso!

Ruptura e alternativa

A juventude contribui para a ruptura com a política de direita quando os estudantes de uma escola conquistam mais professores ou funcionários, ou obras na escola, quando conquistam cantinas públicas em Instituições de Ensino Superior, quando se impede a aplicação de mais taxas e emolumentos, quando os trabalhadores de uma empresa conquistam aumentos salariais, melhores condições de trabalho, a passagem de trabalhadores com vínculos precários a efectivos, quando se impede o encerramento de um centro de saúde, ou de um posto dos correios.

A ruptura com a política de direita fica mais próxima a partir destas lutas concretas, alterando a correlação de forças, elevando a consciência política de sectores da população e da juventude, sobretudo da classe trabalhadora. A acumulação de forças a partir destas lutas, a integração das reivindicações num projecto que dê resposta em todas as frentes às necessidades do povo e da juventude, na luta política, é factor indispensável à consciência e preparação das massas para construir a alternativa patriótica e de esquerda.

A construção duma ampla frente social de luta que efective políticas que sirvam os trabalhadores e a juventude faz-se também durante a batalha eleitoral, mas é certo que continuará e deverá crescer a seguir às eleições, e é com confiança que dizemos que no dia 5 de Outubro continuaremos mobilizados e a mobilizar pela alternativa que é necessária.

A juventude, uma importante força motriz

Considerar a camada social que é a juventude no quadro actual, as condições objectivas a que está sujeita, a ofensiva mas também o potencial de acção e de elevação de consciência política, parece-nos uma tarefa fundamental.

Sabemos sem sombra de dúvida que há novos preconceitos, há campanhas que promovem o individualismo e a competição, que promovem o capitalismo como fim da história, e a sociedade dividida em classes como um conto ultrapassado. Sabemos que há investimento para que todos sejam «empreendedores» e para que encontrem no «voluntariado» uma solução, sem conceber uma saída que dignifique a vida humana, a existência e emancipação da juventude. Mas sabemos também que há muitos preconceitos que também foram ultrapassados, há reconhecimento de que é a JCP que defende os direitos da juventude, que há luta e organização, que há projecto e por isso há futuro.

Investir nesta frente de trabalho, a partir da JCP, a partir das organizações de trabalhadores, a partir das organizações estudantis e outras organizações juvenis, significa não só alargar a influência sobre a juventude como sobretudo fornecer-lhe os instrumentos para fortalecer a luta pelas suas reivindicações próprias, pela democracia e o desenvolvimento social. Linhas de trabalho específicas dirigidas pela juventude nos vários sectores onde esta camada se integra são fundamentais para a unidade da juventude e para a elevação da sua consciência.

Existem, portanto, muitos jovens para continuar a esclarecer e a mobilizar, procurando contrariar o refluxo que se tem vivido, por mais organização e luta, combate à ignorância e resignação, combate a divisões no seio de estudantes e jovens trabalhadores, combate à precariedade e concepções que ilibam os jovens trabalhadores da sua luta, combate às concepções sobre o sistema educativo que se sustentam numa perspectiva oportunista e egoísta sobre a vida e a sociedade, incluindo ainda o combate à abstenção também em processos eleitorais.

Ganhar mais jovens para o nosso projecto e ideal, investir na formação dos jovens que na luta e nesta batalha eleitoral se tornaram construtores da alternativa e naqueles que dão e darão o passo de aderir à JCP é uma tarefa fundamental. Multiplicar estes construtores, comunistas ou democratas, jovens consequentes e abnegados no movimento estudantil e no movimento sindical, com ligação à luta e à nossa organização, é determinante para avançar na construção da verdadeira alternativa.

Notas

(1) Estudante de uma escola de Barcelos que fez esta afirmação numa acção de contacto para a Marcha A Força do Povo.