Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 338 - Set/Out 2015

O reforço do Partido e a acção eleitoral

por Revista o Militante

1. Na situação em que vivemos, com o actual quadro internacional, europeu e nacional, os perigos que se apresentam e as potencialidades que se abrem, ainda mais se coloca a importância do Partido Comunista Português, com a sua identidade, com o seu papel necessário, indispensável e insubstituível. O seu reforço é tarefa permanente, nas mais diversas circunstâncias, em cada batalha política.

As eleições têm os seus objectivos específicos, as próximas eleições para a Assembleia da República, em 4 de Outubro, têm uma grande importância política, são uma oportunidade, com o reforço da CDU, Coligação Democrática Unitária, PCP-PEV, de contribuir para a derrota da política de direita e abrir o caminho da concretização duma política patriótica e de esquerda. Objectivos que por sua vez são inseparáveis duma intervenção política mais vasta e do estímulo ao desenvolvimento da luta de massas. Também nesta batalha política a questão do reforço do Partido se coloca em toda a sua dimensão.

2. Para o PCP as eleições significam mobilização para o voto mas, significam muito mais do que isso, a sua preparação é considerada como acção de esclarecimento, de afirmação de valores e de projecto alternativo, como uma grande campanha política de massas.

A importância desta batalha política na situação actual, o quadro de silenciamento e descriminação nos grandes meios de comunicação social, as potencialidades que se abrem do reforço da CDU, colocam a necessidade de uma intensa intervenção. Colocam a exigência de contacto directo, de esclarecimento, de mobilização, implicam a utilização da capacidade de direcção e do seu alargamento, o funcionamento e máxima dinamização da organização do Partido e das diversas estruturas que a integram, a mobilização de meios e uma ampla iniciativa de trabalho de massas e alargamento unitário. Exigem a mais ampla mobilização de todas as capacidades da organização do Partido convergindo nessa batalha concreta.

Neste trabalho importa incorporar o aproveitamento de todas as potencialidades que a acção de reforço do Partido propiciou, designadamente a acção de contacto com os membros do Partido para elevação da militância, entrega do cartão e actualização de dados e o êxito da campanha de recrutamento de 2 mil novos militantes «Os valores de Abril no futuro de Portugal» que atingiu e ultrapassou o objectivo fixado, com a adesão ao Partido de 2127 novos militantes.

Beneficia-se das enormes vantagens de contacto, funcionamento e mobilização que resultam da actualização de dados e dos esforços já feitos no aproveitamento das disponibilidades para tarefas manifestadas pelos membros do Partido quando foram contactados. Quanto aos novos militantes, a partir do que já se conseguiu quanto à sua integração na base «um organismo, uma tarefa», é necessário ir mais longe no aproveitamento da sua capacidade militante, em muitos casos são quadros do Partido que podem assumir importantes responsabilidades. No entanto, independentemente do grau de integração mais permanente, face à batalha em curso, é pelo menos necessário assegurar o contacto com cada um para lhe atribuir responsabilidades e tarefas imediatas. Responsabilidades e tarefas no âmbito da campanha eleitoral, seja no plano da propaganda em geral, seja especificamente em linhas de trabalho dirigidas aos trabalhadores e a camadas específicas, seja em outro tipo de tarefas.

A grande campanha política de massas que temos em curso exige muito do trabalho de direcção e, ao mesmo tempo, é uma grande oportunidade e um importante estímulo para o reforço geral do Partido, com reflexos imediatos e futuros.

Em cada batalha no quadro da acção em torno do seu objectivo concreto é necessário ver mais longe e agir de forma a que essa acção contribua para o reforço do Partido.

A campanha eleitoral assim perspectivada pode ter impactos importantes em várias dimensões do reforço do Partido.

Pode permitir reforçar a estruturação para a intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores. Aspecto prioritário com uma acção eleitoral a realizar a partir das estruturas existentes e contribuindo para a sua dinamização e reforço e ao mesmo tempo com medidas especiais de quadros a responsabilizar, grupos de contacto a criar que permitam conhecer situações e problemas, influenciar reivindicações, fixar contactos, alargar influência e base de organização e acção futura.

Pode permitir ir mais longe na acção junto dos jovens em geral, dos jovens trabalhadores e estudantes e na acção junto dos intelectuais e na área da cultura.

Pode permitir ir mais longe no trabalho junto dos reformados, pensionistas e idosos, dos micro, pequenos e médios empresários, dos pequenos e médios agricultores.

Este trabalho contribui para estreitar o contacto das organizações com a realidade em que inserem nas suas diversas dimensões e aprofundar o conhecimento sobre ela.

A acção eleitoral é também uma oportunidade para com audácia promover contactos, intensificar o diálogo, alargar o trabalho político unitário, associando o crescimento do apoio à Coligação Democrática Unitária, composta pelo PCP, o PEV, a ID e muitos cidadãos sem filiação partidária, ao trabalho mais largo de convergência dos democratas e patriotas.

A acção eleitoral, tal como outras batalhas políticas importantes, é ainda uma acção que permite identificar possíveis novos militantes e concretizar conversas para a sua adesão ao Partido e que propicia a revelação de quadros e o seu melhor conhecimento, abrindo as correspondentes possibilidades de responsabilização e de reforço da capacidade de direcção.

Há que ter presente essas potencialidades no trabalho eleitoral em curso.

3. Após 4 de Outubro, fazendo o balanço, é importante confirmar o alargamento da influência e do prestígio do PCP e dos seus aliados, o reforço da sua expressão eleitoral e das suas posições institucionais, mas é particularmente importante confirmar o reforço da organização do Partido, condição decisiva para intervir com êxito na luta que continua.

Uma nova fase de intervenção política e luta se abre e também uma nova fase do trabalho de reforço do Partido com objectivos específicos de concretização da Resolução «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte».

As direcções de trabalho definidas para o reforço do Partido nessa resolução balizam o trabalho. Precisando objectivos, assegurando um forte envolvimento do colectivo partidário há aspectos essenciais que estarão presentes.

As questões de direcção e de quadros, o recrutamento e integração dos novos militantes, o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho com a criação e reforço de células, o recrutamento, o destacamento de quadros, a iniciativa e a acção política e de massas é aspecto central, bem como outras linhas de estruturação para o trabalho de massas. A finalização da acção de contactos, as questões da propaganda e da imprensa, em particular do Avante!, e a independência financeira do Partido devem também estar presentes.

No imediato, na batalha eleitoral, integrando-a nas várias frentes de intervenção e luta, o colectivo partidário é chamado a assumir as suas responsabilidades. E cumpri-las-à para um PCP mais forte ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País, prosseguindo os seus objectivos da ruptura com a política de direita e da alternativa patriótica e de esquerda, da democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal e duma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, a sociedade socialista.