Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 339 - Nov/Dez 2015

Mais força para continuar a luta

por Revista o Militante

No momento em que este texto é escrito está ainda em curso o processo conducente à constituição de um novo governo na sequência das eleições legislativas de 4 de Outubro e o PCP intervém activamente para, de acordo com a vontade claramente expressa pelos portugueses nas urnas, impedir a continuidade do governo PSD/CDS e da criminosa política que tem arruinado o país e comprometido a soberania nacional.

Seja qual for o resultado deste processo complexo, marcado por uma violenta campanha de desinformação e manipulação ideológica com uma carregada marca anti-comunista, das eleições legislativas de 4 de Outubro fica uma aquisição incontornável: uma nova arrumação de forças na Assembleia da República e um novo quadro político, sem dúvida complexo e exigente, mas que cria condições mais favoráveis ao prosseguimento da luta pela necessária ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda que, alicerçada nos valores de Abril, dê solução aos mais urgentes problemas do povo e do país.

Mas para tirar o máximo partido da grande derrota da coligação PSD/CDS e desenvolver uma dinâmica audaciosa e confiante em todas as frentes da luta popular, é necessário insistir muito na valorização dos resultados eleitorais, alcançados, aliás, é importante sublinhá-lo, no contexto de um agudíssimo confronto ideológico em que os grandes meios de comunicação social nunca levaram tão longe o seu propósito de condicionamento e manipulação do eleitorado e discriminação da CDU. Meios de comunicação que, perante a realidade da grande derrota do PSD/CDS e da flagrante condenação popular da sua política, se têm empenhado em dar dos resultados eleitorais uma interpretação que não só favoreça a continuação da política de direita como, diminuindo o alcance do resultado e do papel da CDU, enfraqueça o ânimo, a confiança e a combatividade dos comunistas e de quantos como eles aspiram e lutam por uma viragem de progresso e soberania na vida política nacional.

Se há situação em que é absolutamente necessário conhecer e assimilar bem as análises do Partido e desmontar as manobras da comunicação social, esta que vivemos na sequência das eleições é uma delas. A tendência que surge aqui e ali nas fileiras do próprio Partido para formar opinião na base do que diz a comunicação social é prejudicial à nossa acção e deve ser paciente e firmemente contrariada. A leitura, estudo e discussão colectiva do comunicado do Comité Central do dia 6 de Outubro e demais documentos e tomadas de posição do Partido, nomeadamente através do seu Secretário-geral, é absolutamente indispensável.

Claro que os resultados eleitorais, em particular no que se refere à CDU, são inseparáveis da campanha eleitoral da própria CDU, uma campanha política de massas, de grande proximidade e diálogo com os trabalhadores e as populações, com forte envolvimento de todo o colectivo partidário e maior participação dos candidatos, colocando no centro da intervenção (ao contrário de outros) os grandes problemas do povo e do país, com marcantes acções de massas e onde a simpatia e o interesse pela CDU foi uma constante reconhecida mesmo pelos nossos adversários. Temos razões de satisfação pela elevada militância e criatividade de que deram provas milhares de membros do Partido e da JCP.

Simultaneamente não podemos perder de vista que a derrota da coligação governamental – que perdeu a maioria absoluta e mais de 700 000 votos – e o avanço da CDU – em votos, percentagem e deputados – é fundamentalmente o resultado da intensa luta popular desenvolvida ao longo dos quatro anos do governo reaccionário PSD/CDS, assim como da organização do PCP e dos seus aliados na CDU. É aí que reside fundamentalmente a força e a possibilidade de novos progressos na expressão eleitoral e institucional do Partido, com a consciência de que tal expressão, nas condições de um regime democrático empobrecido, ficará sempre aquém da real influência social e política do Partido, e que é conjugada com a organização e mobilização da classe operária e das massas populares, com a força do povo, que contribuirá para a alternativa patriótica e de esquerda necessária a um Portugal com futuro.

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Analisando os resultados eleitorais e sublinhando a importância da realização de reuniões e plenários em todas as organizações, o Comité Central apontou as tarefas fundamentais do Partido para diante visando o reforço da sua organização e da sua base financeira – nomeadamente concretizando recrutamentos e assegurando rápida integração partidária dos contactos realizados durante a campanha eleitoral –, o fortalecimento do movimento sindical de classe e de outras organizações unitárias, o desenvolvimento do movimento popular de massas, a intervenção política do Partido nomeadamente com iniciativas no plano parlamentar que vão ao encontro dos mais urgentes problemas dos trabalhadores e do povo.

A decisão de apresentação de uma candidatura própria para a presidência da República, protagonizada pelo camarada Edgar Silva, foi recebida com satisfação pelo colectivo partidário, o que se expressou já com clareza em grandes iniciativas com a sua participação, como no acto de apresentação da sua candidatura em 15 de Outubro e, dois dias depois, o Comício do Porto. Trata-se agora de organizar a importante batalha política das eleições Presidenciais, programar o seu desenvolvimento em todas as organizações, desde a recolha das necessárias proposituras até à planificação de todo um conjunto de iniciativas orientadas para dar a conhecer a posição do PCP sobre a função Presidente da República e sobre os problemas do povo e do país que é indispensável resolver de acordo com os valores de Abril e a Constituição da República Portuguesa que os consagra.

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A saída deste número de «O Militante» coincide com o 7 de Novembro, data que celebra o maior acontecimento revolucionário do século XX quando o proletariado russo conduzido pelo partido de Lénine conquistou o poder e, lançando-se audaciosamente na construção da primeira sociedade sem exploradores nem explorados, inaugurou uma nova época na História da Humanidade. É certo que o empreendimento foi derrotado e hoje a URSS já não existe. O sistema capitalista mostrou uma inesperada capacidade de adaptação e passou com violência à ofensiva para recuperar as posições perdidas e dotar-se de poderosos instrumentos políticos, ideológicos e militares com o propósito de esmagar tudo quanto ponha em causa o seu sistema de exploração e opressão. A intensificação da exploração do trabalho e o avanço do fascismo e do militarismo são uma perigosa expressão de uma realidade que mostra como a União Soviética faz falta ao mundo e como, para defender os interesses dos trabalhadores e dos povos e assegurar a paz mundial, é necessário persistir no caminho da Revolução de Outubro.

E persistir com confiança, com a convicção cientificamente fundamentada desde Marx da necessidade histórica da superação revolucionária do capitalismo, certos da superioridade já demonstrada pela nova sociedade na sua primeira expressão prática e de que, aprendendo com as lições da experiência, os trabalhadores com o seu partido de vanguarda, encontrarão os caminhos que conduzirão ao socialismo e ao comunismo.

Vivemos no plano internacional uma situação extraordinariamente perigosa mas que simultaneamente comporta grandes potencialidades libertadoras. Aos duros tempos de resistência e acumulação de forças de hoje suceder-se-ão inevitavelmente tempos de ofensiva e avanço revolucionário. É pela luta concreta, quotidiana, paciente, por objectivos imediatos do interesse das grandes massas e nunca perdendo de vista o projecto comunista que honraremos o exemplo de Outubro.