Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 339 - Nov/Dez 2015

Reforçar o Partido, tarefa fundamental

por Revista o Militante

Após as eleições para a Assembleia da República de 4 de Outubro, é indispensável ter presente a situação do País e as grandes tarefas que se colocam.

As eleições significaram uma grande derrota do PSD e do CDS-PP e um resultado positivo da CDU. Criaram-se novas e melhores condições para o desenvolvimento da intervenção política e da luta dos trabalhadores. A situação exige iniciativa e acção, tendo em vista as importantes questões do momento mas, acima de tudo, as questões estratégicas.

Entre as várias tarefas que se colocam destaca-se como tarefa central o reforço do Partido, a que desde já é necessário dar andamento.

O Comité Central apontou a realização de uma campanha com objectivos específicos de concretização da Resolução «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte», a desenvolver até final de 2016. É neste quadro que se situam as orientações para o reforço do Partido.

Importa fazer a avaliação da situação da organização partidária, no quadro da resposta às tarefas dos últimos tempos, das importantes acções de massas levadas a cabo, da Festa do Avante!, da campanha das eleições legislativas, entre outras. Tarefas desta dimensão e intensidade são um importante elemento de avaliação de forças, insuficiências e potencialidades. Afere-se a capacidade de direcção, testam-se e revelam-se quadros, apura-se a militância, verifica-se a integração e aproveitamento das capacidades dos novos militantes, considera-se o grau de intervenção da organização nas empresas e locais de trabalho, bem como em outras linhas de trabalho de massas e de alargamento unitário. Trata-se de fazer uma avaliação que permita a caracterização da realidade, o apuramento de experiências, a retirada de ilações e conclusões, como instrumento numa acção que visa confirmar linhas de força, ultrapassar e vencer insuficiências e obstáculos, aproveitar as grandes potencialidades existentes.

A partir deste apuramento da situação da organização e face às exigências que se colocam, é necessário avançar na definição e calendarização da campanha com objectivos específicos de reforço do Partido a desenvolver até final de 2016. Uma discussão de objectivos nas organizações do Partido que deve envolver a decisão sobre formas, prazos e metas de concretização das direcções prioritárias apontadas, em articulação com as tarefas políticas definidas para os próximos meses.

De todas as prioridades destaca-se o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Trata-se de uma direcção prioritária decorrente da natureza de classe do Partido, indispensável para a sua organização actual e futura, e essencial no contributo para o esclarecimento, a elevação da consciência de classe, a organização, unidade e luta da classe operária e dos trabalhadores. Sendo uma tarefa permanente, assume-se, na situação actual, a necessidade de promover uma grande concentração de esforços na seu desenvolvimento até final de 2016. Uma concentração de esforços na acção em defesa dos interesses de classe dos trabalhadores, na acção reivindicativa, na luta organizada e no fortalecimento do movimento sindical unitário e das organizações dos trabalhadores em geral, que é indissociável do objectivo central de reforço da estrutura orgânica do Partido. Objectivo a alcançar com a criação de novas células de empresa, sector e local de trabalho e o reforço das existentes, o recrutamento de novos militantes com metas amplas nos vários sectores e empresas e a sua integração, a iniciativa política e a intensificação e alargamento da propaganda. Um trabalho que exige uma grande atenção dos organismos de direcção e o destacamento de quadros com características e dedicação essencial a este trabalho de organização.

Paralelamente, é de particular importância, dar atenção ao funcionamento regular dos organismos com membros do Partido que intervêm no movimento sindical unitário e nas organizações dos trabalhadores em geral.

Ao mesmo tempo coloca-se a necessidade de prosseguir o desenvolvimento de linhas de estruturação para o trabalho de massas em diversas áreas, nomeadamente na organização dos militantes reformados e pensionistas, na área da cultura e junto dos intelectuais e quadros técnicos, no trabalho junto da juventude e do reforço da JCP, no trabalho junto dos micro, pequenos e médios empresários, dos pequenos e médios agricultores e de outras camadas, sectores sociais e áreas de intervenção específicas.

A elevação da militância, base da força do Partido, é outra linha prioritária a desenvolver, assegurando a integração dos novos militantes, designadamente dos que aderiram ao Partido na campanha de recrutamento finalizada em Abril deste ano, a finalização da acção de contactos com os membros do Partido nas organizações onde não esteja terminada, o aproveitamento da capacidade militante de inscritos no Partido não integrados, por ausência de contacto em acções anteriores, e ainda o contacto com muitos jovens que foram membros da JCP e que agora é preciso integrar e responsabilizar nas organizações do Partido.

A situação existente, bem evidenciada nas condições de silenciamento e discriminação de grandes meios de comunicação social em que se travou a última campanha eleitoral, ou na violenta histeria anticomunista que se seguiu às eleições, mostra a necessidade do reforço das estruturas e do trabalho de propaganda em todos os planos e aos vários níveis, designadamente o desenvolvimento de medidas no âmbito das comunicações electrónicas.

Neste âmbito assume significativa importância a imprensa do Partido e a sua divulgação. A realização de uma campanha nacional de difusão do Avante!, com o objectivo de aumentar a sua venda, alargando o número de difusores, seleccionando novos compradores regulares a contactar, promovendo mais acções públicas de venda, discutindo nas organizações as metas a alcançar e as medidas necessárias para as concretizar, constitui uma importante tarefa.

Nesta acção de reforço do Partido assume particular relevo a adopção de medidas que garantam a independência financeira do Partido, designadamente no plano do pagamento regular das quotizações e do aumento do seu valor, o que, constituindo uma responsabilidade regular de cada militante, implica garantir um número de camaradas suficiente para garantir a cobrança regular das quotas. Aspecto igualmente relevante é o trabalho para garantir o êxito da campanha nacional de fundos «Mais espaço, mais Festa. Futuro com Abril».

Entre os vários aspectos que convergem para um Partido mais forte inscreve-se a adopção de medidas de direcção, a responsabilização de quadros, a assumpção de tarefas regulares, a promoção da adesão de novos militantes e o prosseguimento da sua integração e responsabilização, elementos fundamentais que determinam o reforço do Partido e da sua capacidade de intervenção.

Consideradas as necessidades e exigências, apontadas as orientações, é hora de pôr mãos à obra.

Olhando para o País e o mundo, salienta-se e afirma-se a importância fundamental do reforço do Partido Comunista Português com a sua identidade inconfundível. Um reforço indispensável para desenvolver com êxito a luta pela defesa dos interesses da classe operária, dos trabalhadores e do povo, pela democracia, a soberania e a independência nacionais, pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, tendo no horizonte uma sociedade livre da exploração e da opressão, a sociedade socialista.