Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 341 - Mar/Abr 2016

Uma acrescida exigência na acção para um PCP mais forte

por Revista o Militante

A situação actual coloca ao Partido Comunista Português uma acrescida exigência quanto à sua análise, à sua intervenção e ao seu reforço.

A situação internacional e a situação europeia são complexas. A situação nacional é condicionada pelo domínio do grande capital e pela submissão aos condicionamentos externos resultantes do euro e de outros instrumentos da União Europeia.

Entretanto, entrámos numa nova fase da vida política nacional, com uma nova correlação de forças na Assembleia da República que, apresentando limitações desde logo pela natureza do PS, que constitui o Governo, abre ao mesmo tempo melhores condições para o desenvolvimento da luta e para a resposta a problemas imediatos dos trabalhadores e do povo.

Nesta situação é desenvolvida uma grande operação ideológica com os centros de decisão do grande capital nacional e transnacional a recorrerem ao anticomunismo, desenvolvendo campanhas contra o Partido e o ideal comunista. Discriminam e silenciam, insistem na ideia de que não há alternativa à política de direita, ao agravamento da exploração e ao empobrecimento. Uma intensa luta em que, mesmo face a pequenos avanços, o grande capital, o PSD e o CDS-PP tudo fazem para os comprometer.

A luta quotidiana pela defesa, reposição e conquista de direitos está profundamente associada à necessidade da ruptura com a política de direita e à concretização de uma política patriótica e de esquerda, de uma política de libertação nacional e do domínio do grande capital.

A situação impõe uma resposta táctica adequada, coloca a importância do Programa do Partido e exige a afirmação dos seus objectivos essenciais.

O reforço do Partido, para que esteja em melhores condições de travar as batalhas políticas que se lhe apresentam, e preparado para agir e cumprir o seu papel sejam quais forem as condições em que tenha que vir a intervir, é uma grande tarefa que se coloca, associando a iniciativa e a acção política, o desenvolvimento da luta e o fortalecimento dos movimentos de massas ao desenvolvimento da acção com objectivos específicos de concretização da Resolução «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte», até final de 2016. Um reforço do Partido que se concretiza com a aplicação integrada de várias direcções de trabalho.

A necessidade do fortalecimento da capacidade de direcção com o reforço dos organismos de direcção aos vários níveis, promovendo a responsabilidade individual e o trabalho colectivo, bem como a assumpção de responsabilidades e tarefas regulares por mais quadros, que é essencial para a elevação da capacidade de intervenção do Partido.

O estímulo à militância e o aproveitamento da disponibilidade dos membros do Partido, elementos decisivos da força dum partido como o nosso.

O recrutamento de novos militantes, designadamente operários e outros trabalhadores, jovens, mulheres, todos aqueles que podem com a sua força e capacidade contribuir para um PCP mais forte, ao mesmo tempo que é preciso assegurar a integração dos novos militantes na vida do Partido, concretizando a atribuição de um organismo e de uma tarefa.

A finalização da acção de contacto com os membros do Partido nas organizações onde não está completada, envolvendo os quadros aos vários níveis e tomando medidas específicas, e a preparação do alargamento dos contactos a outras situações de membros do Partido, ou membros da JCP que passam ao Partido e que ainda não estão integrados.

A formação política e ideológica, seja com a participação em cursos, seja com o estudo dos materiais do Partido, indispensável para que os membros do Partido estejam preparados para resistir e intervir na intensa luta ideológica com que são confrontados.

O reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, com a criação e o reforço de células, a dinamização da luta, o reforço das organizações dos trabalhadores e a concretização da campanha nacional do Partido «Mais direitos, mais futuro. Não à precariedade», fazendo de 2016 um ano de particular atenção a tudo o que se relaciona com a organização, a unidade e a luta dos trabalhadores, a defesa dos seus interesses de classe, a afirmação da força da classe operária e de todos os trabalhadores.

A estruturação do Partido para a intervenção junto de outras camadas e sectores específicos, nomeadamente dos reformados e pensionistas, dos micro, pequenos e médios empresários, dos pequenos e médios agricultores, de reforço do trabalho da juventude e do apoio à JCP.

O fortalecimento e alargamento das estruturas e da iniciativa para o trabalho de propaganda em geral e quanto às comunicações electrónicas. A concretização da campanha nacional de divulgação do «Avante!», que já se iniciou com o objectivo de promover a sua venda e leitura, com a dinamização de contactos para novos compradores, o alargamento da rede de distribuição, bancas e outras iniciativas de venda regular e acções especiais de venda.

As medidas para garantir a independência financeira do Partido com destaque para as quotizações e a Campanha Nacional de Fundos «Mais terreno, mais festa. Futuro com Abril».

Impõe-se dar particular atenção às quotizações, ao seu pagamento e recebimento regular, completando a estrutura para o seu recebimento com mais camaradas, elevando o valor das quotas tendo como referência 1% do rendimento mensal.

É indispensável promover a dinamização da fase final da Campanha Nacional de Fundos, que termina no final do próximo mês de Abril, que se apresenta como uma prioridade, garantindo os meios financeiros para o pagamento da Quinta do Cabo e para os investimentos necessários à preparação da integração do terreno no espaço da Festa. O pagamento dos compromissos assumidos e o seu controlo, o contacto com os membros do Partido que ainda não contribuíram e um grande alargamento de contactos com milhares de amigos do Partido e participantes da Festa do Avante para a sua contribuição, são algumas das direcções de trabalho que se colocam.

A Festa do Avante deste ano assume-se como uma importante realização para ampliar a influência do Partido, que na sua preparação e realização exige um rigoroso trabalho de organização, de propaganda e divulgação, de venda da Entrada Permanente, ao mesmo tempo que contribui para o reforço da organização, com o envolvimento e responsabilização de membros do Partido, e para o alargamento da participação envolvendo muitas outras pessoas.

No trabalho do Partido, neste ano, coloca-se de forma destacada a preparação do XX Congresso, que se realiza a 2, 3 e 4 de Dezembro.

O processo de preparação do Congresso exige a máxima participação do colectivo partidário, a contribuição de cada membro do Partido, a discussão em cada organismo e organização, garantindo uma ampla base de análise da realidade e de contribuição para o acerto das orientações. Um processo de preparação do Congresso que é em si uma grande oportunidade para o reforço do Partido e da sua influência.

Na actual situação, quando se assinala o 95.º aniversário do Partido, com a sua história heróica, a sua intervenção e o seu papel na actualidade e o sentido duma confiante acção futura, sempre com os trabalhadores e o povo, em toda a actividade do Partido, na preparação e realização do Congresso, é questão essencial, a afirmação da identidade do Partido, do seu Programa «Uma Democracia Avançada – Os Valores de Abril no Futuro de Portugal», do ideal e projecto comunista, de uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, o socialismo e o comunismo.