Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 342 - Mai/Jun 2016

Mais JCP, mais Luta – Avante com Abril!

por André Martelo

Para sobreviver o sistema capitalista tem necessidade, ainda mais num quadro de agudização de uma das suas crises cíclicas, de desenvolver políticas e linhas de pensamento que visem perpetuar o seu domínio. Neste âmbito, são movidos meios colossais e aprofundadas linhas que, não sendo novas, têm elementos novos, nomeadamente com o desenvolvimento da tecnologia.

O capitalismo procura tudo dominar e com a sua violenta ofensiva ideológica entranha-se nas massas para gerar no seu seio contradições e potenciar sentimentos e atitudes contrários aos seus interesses. A juventude, pelo seu potencial transformador, é um alvo preferencial, o que agrava as suas condições de vida em todos os domínios e, consequentemente, as condições para se organizar e lutar.

Não haver trabalho com direitos, educação para todos, acesso à cultura, ao associativismo, à saúde ou à habitação. A exploração, o desemprego, a precariedade, a emigração, a miséria e a fome. Não ter tempo, ter horários desregulados e cada vez mais jovens a trabalhar e estudar. Não ter mobilidade com os serviços transportes públicos cada vez mais degradados. A desertificação de partes enormes do território.

A ofensiva ideológica dirigida à juventude com o voluntariado, a caridade, o empreendedorismo, o individualismo, o egoísmo, as ilusões e divisões cuidadosamente propagandeadas a servirem os propósitos do domínio capitalista. Gigantescas campanhas e meios de alienação das massas juvenis fomentando o pensamento acrítico, das televisões às drogas, da música aos jogos de computador.

O ataque à liberdade e à democracia, ao direito de falar, de ter acesso livre à informação, de reunir, de se associar e organizar, de protestar e lutar. A tentativa de impor o medo e a repressão como norma, degradando o regime democrático emanado de Abril.

O ataque aos trabalhadores e aos seus direitos democráticos, como o direito a ser sindicalizado, à greve ou de realizar plenários. A persistência em incutir uma infinidade de ideias, tais como: «cuidado com o que dizes, lá fora estão muitos que ficam com o teu trabalho por menos», ou «é melhor não te sindicalizares que isso de lutar não vale a pena e ainda arranjas problemas», ou em ouvirmos em tantos locais de trabalho: «não posso falar com vocês porque estou a ser filmado», ou simplesmente sentirmos o medo nos olhos ou nos silêncios de tantos trabalhadores. Mais de quatro décadas depois de Abril a democracia não entra em muitos locais de trabalho.

Nas escolas o ambiente não é melhor. «Nesta escola a política não entra»; «Aqui é proibido distribuir propaganda, reunir e fazer manifestações». Atacam-se as Associações de Estudantes e o direito de realizar reuniões gerais de alunos. O próprio regime de faltas, que cada vez mais se assemelha com o mercado de trabalho em particular nas vias profissionalizantes, limita a participação dos estudantes na luta e associativismo. Mais grave ainda é quando o problema não são as faltas, mas sim a necessidade de concluir os estudos o mais rápido possível e com as melhores notas, numa visão cada vez mais generalizada de que a educação é um meio de subsistência e não um direito fundamental.

Fruto desta realidade, da qual se dão aqui alguns elementos para análise, observa-se com frequência nos jovens sentimentos de desistência, resignação, desânimo, medo, desorientação, falta de perspectiva, raiva, desespero, marginalização, desconfiança e tantos outros sentimentos que dificultam a elevação da sua consciência política e tomada de posição e acção no meio em que se inserem. Contudo, é possível constatar que todos estes sentimentos «negativos» tantas vezes convivem com sentimentos «positivos» de confiança na luta e organização, ânimo, combatividade, coragem, perspectiva de que é possível mudar e até haver prontidão em agir. O mesmo jovem em dias diferentes, ou mesmo no decurso de uma conversa, pode baloiçar entre todos estes sentimentos. Aqui os jovens comunistas têm o difícil e minucioso papel de ganhar mais e mais jovens para sentimentos «positivos» que trarão mais luta e organização, de animar e dar perspectiva, de ter ferramentas para a juventude ser capaz de alterar sentimentos e acções que são contrários aos seus interesses.

Não podemos pensar que o contexto em que a juventude vive e se organiza não afecta os jovens comunistas, que são jovens como os outros e sofrem de todos estas ofensivas e entraves. Não podemos incorrer no erro de pensar que os jovens comunistas não são afectados pela precariedade, pelo medo ou pela desorientação e que tudo isso não os condiciona na sua acção.

Aos jovens comunistas acresce um outro obstáculo na sua organização – o anticomunismo, fomentado e disseminado através de variadíssimos meios, da comunicação social dominante aos manuais escolares, das forças da direita a outras ditas de esquerda. Manipulação, deturpação, silenciamento, ou mentira pura e simples. Tudo serve para atacar os comunistas e alimentar o preconceito anticomunista, que não deixa de ter consequências também na juventude.

É este, e não outro, o contexto em que intervêm os jovens comunistas e em que a juventude luta. Mas os obstáculos não nos travam o passo. A intensa luta levada a cabo nos últimos anos pela juventude, nos mais variados sectores, dá-nos energia e confiança na sua força e potencial. É pois com confiança que vemos mais e mais jovens a virem à JCP e a tomarem Partido. Logo, a resposta da juventude, com a JCP como sua vanguarda revolucionária, tem de ser de ânimo e confiança na sua organização, mobilização e luta. É neste quadro que o reforço da JCP se reveste de uma importância decisiva para que a organização seja mais forte e mais ágil, voltada para a intervenção e mais ligada à juventude.

Daí o acerto da aprovação, na reunião da Direcção Nacional da JCP de 20 e 21 de Fevereiro de 2016, da Resolução «Mais JCP, mais Luta, Avante com Abril!», da campanha de reforço de organização – na sua estruturação, elevando a militância e alargando a assunção de responsabilidades, intensificando a sua influência e a intervenção dos seus militantes, criando melhores condições para uma maior, mais profunda e mais intensa acção política junto da juventude.

Reforçar a acção organizada dos jovens comunistas é o objectivo a que nos propomos, retirando dos militantes – força motora da organização – o melhor da sua inteligência, da sua consciência, do seu conhecimento, da sua vontade e dedicação para de forma unida e coesa intervirmos junto da juventude.

Durante a campanha deverão ser discutidas formas criativas de contornar a realidade difícil da juventude em poder organizar-se por forma a aprofundar a discussão e o trabalho colectivo, encontrando espaços de discussão e estimulando a análise e opiniões individuais para enriquecer a discussão e acções colectivas.

O trabalho integrado e a resposta da organização a várias tarefas devem então ser um primeiro aspecto a reforçar. Aqui a definição ou redefinição clara de prioridades em cada organização para o reforço da organização é fundamental na perspectiva da insistência, consolidação do trabalho e na elaboração de linhas de trabalho próprias para cada objectivo. Conscientes das nossas dificuldades e potencialidades, a priorização do trabalho permitirá ir mais longe na profundidade da estruturação e enraizamento da organização nas massas, sabendo à partida que o trabalho da organização junto da juventude, fruto da instabilidade da sua vida e velocidade com que esta se altera, é de constante construir e reconstruir. Hoje existe colectivo naquela escola ou local de trabalho e daqui a poucos meses é possível que desapareça fruto dessa instabilidade.

O estímulo ao recrutamento e enquadramento dos novos militantes, tarefa de todos os militantes, a discussão da sua importância e definição de metas são da maior importância para alargar o número de militantes da JCP. Colocar a cada vez mais jovens o apelo para tomarem Partido e aderirem à JCP é um elemento central desta campanha e neste quadro também é importante a adesão ao PCP de mais militantes da JCP.

Nos últimos anos a JCP tem desenvolvido esforços e linhas de trabalho para que o contacto com a juventude no dia-a-dia seja mais directo, estimulando a conversa, ouvindo, incorporando opiniões e esclarecendo. Mantendo a distribuição massiva de propaganda para chegar a muitos milhares de jovens, esta tarefa tem sido levada a cabo em paralelo com acções de contacto mais prolongado. Em resultado desta linha de trabalho, milhares de jovens têm dado seu contacto (telefónico ou email) com vista a conhecer mais e a participar na vida da JCP. É pois da maior importância manter o contacto com todos estes jovens, marcando conversas para falar sobre a JCP, chamando-os à luta, convidando-os para iniciativas e a aderirem à JCP.

Relativamente aos colectivos de base é importante consolidar os existentes e criar novos na perspectiva de dar passos na estruturação da organização com ideia de que os militantes e os recrutamentos têm que se reflectir em trabalho organizado. É fundamental trabalhar para intensificar a actividade própria dos colectivos, estimular a sua autonomia no trabalho, a sua capacidade realizadora e a ligação à realidade onde intervêm. Aqui a prioridade à intervenção e organização por local de trabalho ou estudo é fundamental para uma organização mais forte.

Reunir regularmente e garantir a discussão e o trabalho colectivos é neste quadro tantas vezes uma tarefa difícil. Conjugar horários desregulados, reunir em pequenos intervalos ou à hora de almoço, em cafés, na paragem do autocarro ou à porta da escola, é uma ginástica difícil de gerir para ter tempo para as discussão de tudo o que há para discutir. Trazer mais jovens aos centros de trabalho do Partido e a iniciativas deve ser uma preocupação, num quadro em que a vida tantas vezes lhes retira as condições para o fazerem. Haverá hoje certamente muitos militantes da JCP que desenvolvem toda a sua actividade dentro da escola ou local de trabalho, muitas vezes conhecendo apenas o camarada responsável por lhes fazer a ligação.

Alargar a assunção de tarefas por mais militantes e o contributo para o trabalho da organização é fundamental para chegarmos mais longe. Reforçar o número de camaradas com tarefas concretas atribuídas aprofunda o trabalho e as acções colectivas, a militância dos próprios e incentiva a militância de outros, responde às necessidades e tarefas da organização, alarga o conhecimento de vontades e disponibilidades de camaradas para desempenharem tarefas e para intervir nas lutas e acções de massas, aumenta o número de quadros da organização.

Tendo em conta a dimensão e o aprofundamento da ofensiva ideológica, assume particular importância os jovens comunistas estarem em condições político-ideológicas de intervirem no plano da batalha das ideias. Assim, a JCP assume desenvolver um plano de formação ideológica para o ano de 2016, sendo que, sem prejuízo daquilo que se assuma no plano colectivo para questões de formação ideológica, é tarefa de cada militante trabalhar para a sua formação individual e ajudar os camaradas que acompanha, nomeadamente pelo estímulo ao estudo e à leitura, a começar pela nossa imprensa partidária, sendo que o estímulo à discussão e ao debate nos colectivos de base e organismos deve estar constantemente presente, sendo certo que a militância diária e a participação na luta são elementos fundamentais na formação de um comunista. Neste contexto de profunda ofensiva ideológica é especialmente importante fazermos ouvir a nossa voz, nomeadamente através da divulgação da propaganda da JCP – desde os boletins de colectivo até aos documentos editados centralmente, sem esquecer os meios digitais – e também do AGIT, o jornal da JCP, estimulando a que mais jovens o leiam, assim como o Avante! e O Militante.

É também essencial reforçar a ligação às massas, não só pela acção individual de cada comunista, mas também através da organização de convívios e outras iniciativas que possam trazer mais jovens ao contacto com a JCP. E ter em conta que, para que uma organização como a nossa se reforce, a recolha financeira é fundamental, assim como o pagamento regular das quotas de cada militante.

A Festa do Avante! tem sido, ao longo dos anos, um espaço privilegiado para o contacto com os milhares de jovens que visitam a Festa que a juventude tornou sua, importância redobrada neste ano em que se assinala a 40.ª Festa do Avante!, assim como a abertura da Quinta do Cabo.

O desenvolvimento da luta da juventude, a elevação da sua consciência política e a unidade do movimento juvenil são tarefas de sempre dos jovens comunista. Neste campo é fundamental ir mais longe no papel de agitadores e organizadores dos jovens comunistas e na sua participação com outros jovens no movimento sindical e associativo estudantil e juvenil, assumindo a construção da unidade da juventude em torno dos seus objectivos e aspirações como tarefa central da sua acção revolucionária.

Em ano do XX Congresso do nosso Partido também as estreitas relações e articulação do trabalho com o Partido e a discussão em torno do Projecto de Resolução Política devem merecer atenção. Certos de que reforçar a organização revolucionária da juventude – a JCP – é reforçar a luta da juventude pelos seus direitos e aspirações e contribuir para o desenvolvimento da luta por uma Democracia Avançada – com os valores de Abril no futuro de Portugal, pela construção em Portugal do socialismo e do comunismo.