Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Efeméride, Edição Nº 343 - Jul/Ago 2016

Campanha Nacional de divulgação do Avante!

por Manuel Rodrigues

Na sua reunião de 8 de Novembro de 2015, o Comité Central decidiu, entre as medidas e tarefas imediatas do Partido, a comemoração do 85.º aniversário do Avante! no quadro de uma campanha nacional de divulgação do órgão central do PCP.

A campanha, em desenvolvimento até Março de 2017, insere-se numa acção mais geral de reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e de todos os trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, na defesa dos interesses de classe dos trabalhadores, no reforço da sua organização, unidade e luta, e intervenção no plano institucional.

É, assim, uma campanha que se insere na concretização dum elemento central da identidade do Partido, como partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Dirige-se também aos reformados, aos micro, pequenos e médios empresários e agricultores, aos intelectuais e quadros técnicos, às mulheres e aos jovens e, de um modo geral, às classes e camadas antimonopolistas a quem dá voz e cujos interesses e direitos defende como nenhum outro jornal.

A campanha procura elevar a valorização do Avante! e promover a sua divulgação e venda por forma a alargar o prestígio e a influência social e política do Partido e reforçar a sua organização, unidade e coesão.

De facto, o Avante! desempenha um papel indispensável à acção do PCP, na divulgação das suas orientações e análises, nos planos nacional e internacional, na sua ligação às massas, como meio de contacto com os seus militantes e amigos (contribuindo para a sua formação ideológica e preparação para a batalha das ideias) e na divulgação da informação e esclarecimento sobre a luta dos trabalhadores e do povo. Um papel cuja importância a sua história bem atesta.

Elementos da História do Avante!

O Avante! nasceu no dia 15 de Fevereiro de 1931 (na sequência da reorganização do PCP de 1929, que, com Bento Gonçalves como Secretário-geral, fizera do PCP um Partido de novo tipo, preparado para enfrentar, na clandestinidade, a longa e negra noite fascista). Exactamente 10 anos depois da fundação do PCP.

Entre 1931 e 1941, o Avante! teve uma vida irregular ditada por momentos de grandes tiragens (chegaram a distribuir-se mais de 10 000 exemplares), inconstante na periodicidade: ora semanal, ora quinzenal ou mensal e com momentos de interrupção. Mas, a partir de 1941, com a reorganização do PCP de 1940-41, que viria a criar as condições para a transformação do PCP num grande partido nacional, no grande partido da resistência e da unidade antifascista, na vanguarda revolucionária da classe operária, o Avante! estabilizou a sua publicação, de tal modo que, de Agosto de 1941 a 25 de Abril de 1974 foi publicado ininterruptamente, sempre composto, impresso e distribuído no interior do País, assim se afirmando como o jornal comunista que, a nível mundial, mais tempo resistiu com êxito à clandestinidade – 43 anos.

O regime fascista e os seus algozes quando aplicavam duros golpes na organização e nas tipografias clandestinas do Partido exultavam e, tal como algumas aves agoirentas actuais, lá vinha o anúncio do fim do Avante! e do fim do Partido. Mas o Avante! voltava sempre, porque continuava a haver Partido.

E valeu a pena a reorganização do PCP e as medidas tomadas. De 1943 a 1946 foi tal o reforço do PCP que os seus militantes aumentaram seis vezes, as organizações locais cinco vezes e a tiragem do Avante!, quatro vezes, reforço que se traduziu, com o apelo e a organização do PCP, no desencadear das grandes lutas travadas nesta década, as maiores greves e manifestações que o fascismo enfrentara até então.

Um êxito só possível pela dedicação e a coragem ilimitadas dos seus construtores, muitas vezes pagas com a prisão, a tortura e a morte, como foi o caso da camarada Maria Machado e dos camaradas José Moreira, José Dias Coelho e Joaquim Rafael.

O primeiro número do Avante! após o 25 de Abril foi publicado no dia 17 de Maio de 1974. Na primeira página podia ler-se «Os comunistas no Governo provisório», um expressivo exemplo da liberdade de informação acabada de conquistar.

Nos dias e meses que se seguiram até à formação do I Governo Constitucional, o Avante! foi a voz das massas conquistando as liberdades, obrigando à libertação dos presos políticos, exigindo o fim da guerra colonial, batendo-se pela Reforma Agrária, pelas nacionalizações e o controlo operário, reclamando direitos; foi a voz da aliança Povo-MFA, continuou a ser o órgão central do PCP, o Partido da luta contra o fascismo mas também o Partido das conquistas revolucionárias, colocando os primeiros tijolos do novo edifício de uma democracia avançada, política, económica, social e cultural, que a Constituição da República de 1976, de que este ano comemoramos o 40.º aniversário, viria a consagrar.

Com o início da contra-revolução, de liquidação das conquistas de Abril e de recomposição do capitalismo monopolista, de ataques brutais aos direitos dos trabalhadores, do povo e do País, de graves limitações e comprometimento da soberania e independência nacionais, o Avante! torna-se o porta-voz da resistência, das lutas dos trabalhadores e do povo contra a política de direita.

Hoje, como sempre, é nas páginas do Avante!, o órgão central do PCP, que se dá expressão à luta dos trabalhadores e do povo pela defesa, reposição e conquista de direitos, pela ruptura com a política de direita, por uma alternativa patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada vinculada aos valores de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

O Avante! é também, orgulhosamente, o jornal que deu o nome à Festa, «festa de Abril, do povo e da juventude, (…) a maior e mais importante realização político-cultural e de massas do nosso país e constitui uma grande demonstração da capacidade de realização dos comunistas e do seu Partido e uma poderosa afirmação dos seus valores e projecto» (da intervenção de Álvaro Cunhal no comício da primeira Festa do Avante!, em 1976).

Medidas a tomar

A campanha é prioritariamente dirigida às organizações do Partido e enquadra-se na acção com vista à sua afirmação e reforço orgânico «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte».

Estabelecendo como objectivo o aumento da venda semanal em 20% e tendo como referência o número de exemplares da primeira semana de Outubro de 2015, o desenvolvimento da campanha nacional de divulgação do Avante! passa, entre outras, pelas seguintes linhas de trabalho:

- responsabilização de quadros nas Organizações Regionais pelo Avante!;

- criação de estruturas estáveis de divulgação do Avante! nas Organizações Regionais (comissões nos diversos organismos, colectivos de difusores, etc.);

- criação de linhas de direcção da divulgação junto dos militantes e, em particular, junto dos novos militantes, procurando desenvolver hábitos de aquisição e leitura regular do Avante!;

- concretização da venda a todos os militantes que manifestaram a vontade de adquirir o Avante! no âmbito da acção de contacto com os membros do Partido;

- levantamento de camaradas e amigos a contactar para a compra semanal do Avante!, responsabilizando camaradas pelo contacto;

- responsabilização de camaradas pela distribuição domiciliária;

- aumento da rede de distribuição (com a reactivação e a criação de novas ADEs) e venda e promoção pública com bancas e outras acções de rua;

- promoção, divulgação e venda regular nas empresas e locais de trabalho (em articulação com as estruturas locais do Partido – células de empresa, etc.);

- promoção de iniciativas regulares para discutir a imprensa partidária (debates, colóquios, reuniões de quadros, etc.);

- cumprimento dos compromissos com a Editorial «Avante!»;

- alargamento da rede comercial, em articulação com a Editora.

Desenvolvimentos da campanha

A campanha nacional de divulgação do Avante! inclui um vasto conjunto de iniciativas já realizadas, planificadas ou a planificar pelas organizações regionais para reflectir/debater/promover/divulgar/elevar a venda do Avante! e em que sobressaem pelo seu significado e importância a reunião de quadros promovida pela Organização Regional de Lisboa (13 de Fevereiro), com a participação do Secretário-geral do PCP, a realização de um diversificado conjunto de iniciativas pelas organizações regionais e a publicação de alguns números especiais com venda especial.

A campanha terá um outro momento forte na Festa do Avante! e contará com elementos específicos de afirmação (folheto, cartaz e outros materiais).

Nesta campanha, que vai envolver todas as organizações do Partido, temos que procurar respostas concretas para questões como: sendo o Avante! um instrumento fundamental na vida do Partido e para a intervenção esclarecida de cada um dos seus militantes e amigos, que fazer na nossa organização para fazer chegar o Avante! a muitos mais militantes? Como fazê-lo chegar, de modo particular, aos novos militantes? Como divulgar o Avante! junto dos trabalhadores e do povo, nas empresas, locais de trabalho e nas ruas? Como promover a divulgação do Avante!, aumentando o seu prestígio e influência social e política, e o prestígio e a influência social e política do Partido? Que fazer para melhorar o Avante!, para o tornar mais acessível e atractivo aos trabalhadores e aos reformados, mas também aos micro, pequenos e médios empresários e agricultores, aos intelectuais e quadros técnicos, às mulheres e aos jovens? Que contributo pode dar cada militante e a organização para o melhorar, para promover a sua divulgação, a sua venda e a sua leitura regulares?

Uma coisa é certa: o reforço do Avante! significará sempre reforço do Partido e sem reforço do Partido é impensável o reforço do Avante!.

É possível aumentar a venda do Avante!

O Avante! é o órgão central do PCP. E, como tal, é o jornal que veicula a informação e o esclarecimento de que os trabalhadores e o povo precisam, num quadro em que os órgãos da comunicação social dominante são ferramentas controladas e orientadas pelo grande capital para promover e defender os interesses dos grupos económicos e financeiros; para veicular e servir de suporte à ideologia dominante; para atacar os valores de Abril; para silenciar, denegrir, deturpar ou desvalorizar os interesses e as lutas dos trabalhadores e do povo; para desvalorizar o trabalho e os trabalhadores; para silenciar e deturpar a acção dos comunistas e o ideal e projecto por que lutam; para banalizar a própria vida humana; para manipular e mentir; para silenciar e deturpar a luta dos povos contra o imperialismo, pelo progresso, a paz e a cooperação; para silenciar a profunda crise que o sistema capitalista enfrenta; para criminalizar a luta (e os lutadores) e a resistência.

O Avante! repõe a verdade que as televisões não mostram, que as rádios não falam, que os jornais não escrevem; afronta a poderosa ofensiva ideológica anticomunista em curso (carregada de ódios, mentiras e calúnias); esclarece sobre a actividade, as análises, as propostas, os objectivos, a orientação do Partido, no seu combate organizado de todos os dias com os trabalhadores e com o povo.

A par da intensificação da actividade (em todas as áreas de intervenção) a difusão da imprensa partidária – do Avante! e de O Militante – é, pois, uma tarefa partidária da maior importância, que contribui para o reforço do Partido.

Em oitenta e cinco anos de vida, o Avante! desempenha um papel ímpar no quadro da imprensa portuguesa. Honrou a função para que foi criado. É dignamente a voz de uma causa, a causa da emancipação social dos trabalhadores e do povo português. É um jornal de classe, a classe operária, dos trabalhadores, patriótico sem deixar de ser internacionalista.

Nós temos visto que cada pequeno avanço, cada pequena conquista conseguida, cada medida alcançada a favor dos trabalhadores e do povo, por mais limitada que seja, tem pela frente uma mobilização brutal de meios – uma barragem brutal de desinformação – contra os trabalhadores, contra os sindicatos, contra o nosso Partido e a sua luta pela defesa, reposição e conquista de direitos.

Incomoda-os sobretudo que o Partido Comunista Português com a sua história exaltante, o seu projecto e ideal, profundamente ligado aos trabalhadores e ao povo, se bata, sejam quais forem as circunstâncias, por uma alternativa patriótica e de esquerda, componente indissociável da sua luta por uma democracia avançada vinculada aos valores de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

Uma luta de fundo que exige um permanente combate ideológico em que o Avante! tem um papel insubstituível e determinante a desempenhar.