Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Organização, Edição Nº 345 - Nov/Dez 2016

Empresas e locais de trabalho - Potencialidades, confiança, determinação

por O Militante

(Sobre o Encontro de Quadros da Organização Regional de Lisboa – a acção do Partido nas empresas e locais de trabalho, realizado em 21 de Maio de 2016)

Várias são as resoluções do Partido que priorizam a organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, para o reforço da organização partidária.

Também a Direcção da Organização Regional de Lisboa na sua VIII Assembleia, realizada em 18 de Abril de 2015, decidiu que a acção e organização do Partido nas empresas e locais de trabalho deviam estar no centro da acção política.

As orientações

Na VIII Assembleia foram definidas como orientações:

  • Realizar uma profunda discussão em toda a ORL sobre a importância da organização do Partido nas empresas e locais de trabalho, identificar as tarefas daí resultantes e decidir sobre as medidas de direcção para as concretizar, tendo por base as necessidades actuais para o reforço orgânico do Partido e das organizações de massas, mas também o futuro do Partido, da sua natureza de classe e da luta;

  • Recrutar nos próximos quatro anos (até à próxima assembleia) 1000 novos militantes, a organizar nas células de empresa;

  • Concretizar uma linha específica de recrutamento de delegados sindicais, pela importância que assumem para a renovação e rejuvenescimento do Movimento Sindical Unitário, fazer controlo de execução e enquadrar na actividade do Partido os novos militantes;

  • Sensibilizar os militantes para a sindicalização e a participação nas ORT;

  • Persistir na orientação de organizar prioritariamente os militantes nos organismos de local de trabalho;

  • Concluir o contacto individual com os militantes do Partido no âmbito da acção de contactos e enquadrá-los nas tarefas tendo em conta a manifestação da sua vontade e disponibilidade;

  • Continuar a fazer o levantamento e a transferência de quadros das freguesias que reforcem, efectivamente, os Organismos de Direcção dos sectores e as células de empresa;

  • Reforçar as células existentes e adequar o seu funcionamento às condições concretas das empresas e dos camaradas;

  • Constituir organismos adaptados ao trabalho por turnos, utilizar os locais, os horários e o tempo de reunião mais adequados, criar núcleos de camaradas por ramo de actividade ou de camaradas dispersos mas que desenvolvem a actividade profissional na mesma área geográfica;

  • Criar novas células, onde haja pelo menos três militantes, manter a ligação regular aos militantes que estão isolados nas suas empresas, podendo organizá-los em célula de várias empresas;

  • Promover iniciativas de convívio, de debate, entre outras, com trabalhadores não militantes que facilitem um melhor conhecimento do Partido, da sua organização e das suas propostas;

  • Alargar de forma substancial o número de empresas onde os trabalhadores tenham acesso à avaliação e análise que o Partido faz dos problemas concretos do seu local de trabalho, apontando o caminho da luta para a sua resolução e dando a conhecer as propostas e o seu projecto libertador e emancipador;

  • Definir com mais rigor quais as empresas com mais de 1000 trabalhadores ou consideradas estratégicas em cada uma das organizações para aí investir quadros, meios e disponibilidades;

  • Discutir e definir nas Comissões de Freguesia, particularmente naquelas que têm melhores condições, onde podem intervir no reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho, através de distribuições regulares de informação e propaganda, recrutamento, contribuindo para a constituição de novas células;

  • Encontrar as formas adequadas para que os camaradas reformados, organizados nos sectores profissionais, se envolvam no trabalho de criação de novas células;

  • Realizar um Encontro anual para balanço do trabalho realizado e das decisões tomadas.

O balanço

Em 21 de Maio realizámos o Encontro anual que tínhamos decidido, onde fizemos um balanço ao trabalho. Concluímos que:

  • Avançámos no recrutamento – 117 novos camaradas em 2015 e 41 até final de Maio de 2016 nas empresas e locais de trabalho; na realização de Assembleias das organizações dos principais sectores – Função Pública, Bancários, Transportes, Saúde;

  • Responsabilizámos cerca de 50 novos camaradas por trabalho de direcção e temos mais 58 camaradas a receber quotas;

  • Participámos nas eleições para vários organismos representativos dos trabalhadores;

  • Demos um contributo importante para o êxito da Campanha Nacional de Fundos;

  • Demos resposta à situação política com a participação em duas campanhas eleitorais e na luta pela derrota do Governo PSD/CDS-PP.

Neste nosso trabalho temos sempre de ter presente que há razões objectivas que determinam e limitam a nossa acção: a destruição de milhares de postos de trabalho, a falta de liberdade em muitas empresas com o aumento da repressão, a intimidação, a ameaça e as represálias, a desregulação dos horários de trabalho, a generalização da precariedade e do trabalho sem direitos, a utilização de métodos e práticas sem regras com a generalização de ilegalidades.

No entanto os avanços não podem esconder as insuficiências que se centram fundamentalmente na criação de novas células de empresa, no recrutamento que não está ao nível das possibilidades e das exigências, e na venda do Avante!

A direcção correcta

Feito o ponto da situação que medidas tomar para avançar?

Em primeiro lugar, cuidar das células de empresas que temos, melhorando o trabalho colectivo e em que a reunião regular e a definição de tarefas para cada membro da célula é essencial.

Em segundo lugar, temos de destacar mais quadros que reforcem os organismos de direcção, se responsabilizem pela criação de novas células.

Em terceiro lugar, criar novas células. Se temos contacto(s), a tarefa central é recrutar para formar célula. Se não temos contacto há que definir um plano de trabalho de contacto com os trabalhadores até conseguirmos uma «ponta», um contacto que nos leve ao objectivo central – criar a célula.

Nesta linha de criação de novas células há sempre um elemento presente e essencial, o recrutamento.

Temos como objectivo para 2016 recrutar 250 novos camaradas e estamos muito aquém. Da avaliação que fazemos há falta de discussão, há subestimação desta tarefa e tem-nos faltado determinação, ousadia.

O envolvimento neste objectivo é de todos os membros do Partido mas tem de começar em todos aqueles que têm uma ligação regular aos trabalhadores

Discutir, fazer o levantamento de nomes, definir quem fala com quem e fazer controlo de execução regular é o caminho. Devemos estar atentos a manifestações de sectarismo, a células com pouca ligação aos trabalhadores e a camaradas que colocam uma exigência sem sentido para se ser membro do Partido. Se um trabalhador tem uma conduta correcta, se é prestigiado é bem vindo ao Partido. É aqui no nosso seio que se vai formar como quadro do Partido.

Como se dizia na Resolução Política da VIII Assembleia da ORL: «São grandes as potencialidades para reforçar o Partido no plano orgânico, político e ideológico assim como para o alargamento do seu prestígio junto de milhares de trabalhadores».

A vida mostra-nos que este trabalho é difícil e complexo. Exige disponibilidade, muita determinação, tentar e voltar a tentar, sem desistências, até conseguir o objectivo que perseguimos.