Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 346 - Jan/Fev 2017

Levar à prática o XX Congresso - Comemorar o 100.º aniversário da Revolução de Outubro

por Revista o Militante

Iniciamos um novo ano com uma arma preciosa para o desenvolvimento da luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do país, por uma viragem patriótica e de esquerda na vida política nacional, pelo realização do nosso Programa de uma democracia avançada, etapa actual da luta pelo socialismo e o comunismo no nosso país.

Essa arma são as orientações e decisões do XX Congresso do Partido de 2, 3 e 4 de Dezembro passado, uma arma de que devemos procurar tirar todo o partido, a começar pelo estudo da Resolução Política significativamente aprovada por unanimidade e, não menos importante, levando a todo o colectivo partidário e a todos os amigos, simpatizantes e aliados do PCP o que o Congresso representou de coesão, militância e confiança nos princípios, valores e ideais dos comunistas portugueses. Neste sentido é necessário dar particular atenção às tarefas apontadas pelo Comité Central na sua reunião de 17 de Dezembro.

Do Congresso saímos mais fortes e em melhores condições para travar as complexas batalhas que temos diante de nós, para afirmar com ainda maior convicção a justeza da linha política e programática do PCP e ganhar para elas um número crescente de portugueses, assim como para vencer atrasos e dificuldades no caminho do necessário reforço do Partido. Um partido mais forte, mais enraizado nas empresas e locais de trabalho, mais ligado às populações, mais influente nas instituições democráticas, é indispensável para a alteração da correlação de forças que, assente na iniciativa e mobilização das massas populares, possibilitará não apenas prosseguir a recuperação de direitos e rendimentos que a actual solução política tem permitido, mas romper com a política de direita e os constrangimentos do Euro e da União Europeia que continuam a estrangular o desenvolvimento do país. A renegociação da dívida externa, que o próprio governo já admite mas pela qual recusa combater colocando o país a reboque das grandes potências, é uma exigência cada vez mais evidente.

A componente internacionalista do XX Congresso deve também ser valorizada. Para o PCP patriotismo e internacionalismo são inseparáveis e a presença de um tão elevado número de delegações estrangeiras, sendo uma preciosa manifestação de solidariedade para com o nosso Partido é, simultaneamente, uma contribuição para um melhor conhecimento e unidade dos partidos comunistas e destes com outras forças revolucionárias e progressistas. Numa situação internacional tão instável e perigosa o estreitamento dos laços de amizade, solidariedade e acção comum de todas as forças anti-imperialistas adquire uma decisiva importância e o PCP orgulha-se da sua contribuição para esse objectivo.

Este novo ano será o do Centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro, acontecimento do maior alcance histórico que o PCP, como é sublinhado pela Resolução aprovada no XX Congresso, irá assinalar com a dignidade e importância que merece. Neste número de O Militante publicam-se os dois primeiros artigos relativos à efeméride: um relativo à Revolução de Fevereiro de 1917, lembrando o seu lugar no processo que conduziu à Revolução de Outubro e o criativo desenvolvimento por Lénine da teoria da revolução na época do imperialismo; outro sobre a libertação do campo de concentração de Auschwitz pelo Exército Vermelho, para que se não esqueça quer a natureza terrorista do nazismo, quer a decisiva contribuição da União Soviética para salvar a Humanidade da barbárie nazi-fascista.

O que o PCP deve à Revolução de Outubro e ao empreendimento da sociedade socialista a que deu lugar, é muitíssimo. Desde a fundação do Partido que, sendo obra da classe operária portuguesa, nasceu sob a influência da extraordinária repercussão internacional da revolução russa, até à Revolução de Abril que beneficiou do clima internacional favorável resultante da existência da URSS e da sua política de paz e de solidariedade internacionalista, sem esquecer o apoio que os antifascistas e o povo português, antes e depois do derrubamento do fascismo, sempre receberam dos comunistas e do povo soviético.

Bastaria esta ligação com a luta libertadora dos trabalhadores e do povo português, para que o PCP dedicasse ao centenário da Revolução de Outubro a maior atenção. Mas as razões são bem mais profundas. Pelo significado histórico universal da Revolução de Outubro. Pelo impacto internacional que de imediato teve no ascenso dos movimentos operário e nacional libertador. Pelo exemplo de realizações sociais e culturais pioneiras da nova sociedade. Pelo papel da URSS nas grandes transformações revolucionárias do século XX, nas conquistas da classe operária dos países capitalistas, na derrocada dos impérios coloniais, na derrota do nazi-fascismo, na contenção do imperialismo e na defesa da paz mundial.

Assinalando o aniversário da Revolução de Outubro, não ignoramos os atrasos, erros e deformações que, entrando em contradição com os valores e o ideal comunistas, conduziram às derrotas do socialismo na viragem dos anos oitenta e à violenta contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo. Mas essa realidade não põe em causa o conteúdo da época actual inaugurada pela Revolução de Outubro, nem o sentido da evolução histórica no caminho da liberdade, do progresso social, do socialismo e do comunismo. Perante o previsível relançamento de recorrentes campanhas anti-comunistas, o PCP empenhar-se-à em defender a verdade histórica pondo em relevo a extraordinária dimensão da Revolução de Outubro que, com o empreendimento de uma sociedade nova a que deu lugar, marca uma viragem na história da humanidade, em que aspirações milenares a uma sociedade de liberdade e igualdade social conheceram pela primeira vez realização prática. Uma revolução e um empreendimento que não só confirmaram a viabilidade do socialismo como a imensa superioridade do novo sistema económico e social em relação ao capitalismo. Uma revolução e um empreendimento que mostram que, ao contrário do que afirmavam os arautos do «fim da História», o século XX não foi o século da «morte do comunismo», mas, como sublinhou o camarada Álvaro Cunhal, «o século em que o comunismo nasceu como empreendimento concreto da construção de uma sociedade nova liberta da exploração».

Comemoraremos a Revolução de Outubro recordando Lénine e os seus companheiros do partido bolchevique, a sua extraordinária coragem e audácia revolucionária, a sua inspirada criatividade teórica e prática. Mas fazemo-lo voltados não para o passado, mas para o presente e o futuro da nossa luta, colhendo nela experiências e ensinamentos para os exigentes desafios e duros combates que nos estão colocados. E em particular – sabendo que o caminho da emancipação nacional e social é irregular e acidentado, feito de avanços e recuos, de vitórias e derrotas – para nunca perder de vista de onde vimos e para onde queremos ir. O triunfo do ideal e do projecto comunistas está inscrito nas próprias contradições do capitalismo mas a sua superação exige a intervenção revolucionária da classe operária e das massas populares com o seu partido político de vanguarda, o partido comunista. E na epopeia da Revolução de Outubro e do empreendimento socialista a que deu lugar podemos encontrar inspiração e forças para persistir nas tarefas do dia-a-dia visando o alargamento das fileiras do Partido, o aumento da iniciativa e militância dos seus membros e o reforço da sua influência social e política, objectivo central apontado pelo nosso XX Congresso.