Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 349 - Jul/Ago 2017

Tarefas imediatas, internacionalismo e perspectiva revolucionária

por Revista «O Militante»

Perante a tragédia provocada pelos incêndios no concelho de Pedrógão Grande e numa vasta região do Centro do País, as primeiras palavras desta Abertura são para testemunhar profunda tristeza pela perda de numerosas vidas humanas e exprimir a activa solidariedade do PCP, desde o primeiro momento protagonizada pelo Secretário-geral do Partido, para com as populações atingidas. Simultaneamente, sendo necessária uma séria reflexão sobre as causas estruturais que estão na origem de tão dramáticos acontecimentos, é impossível não apontar desde já as maiores responsabilidades à política de direita de sucessivos governos e às suas opções de fundo em relação à floresta.

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O Partido tem sublinhado que vivemos no plano nacional uma situação particularmente exigente, num quadro internacional em que a contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, inseparável do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, faz pesar grandes perigos sobre o futuro da Humanidade, exigindo a intensificação da luta contra o militarismo e a guerra e em defesa da paz.
A indispensável prioridade às tarefas especificamente nacionais, a concentração de esforços na luta quotidiana em defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos que impedem o desenvolvimento do país e que têm servido ao governo do PS para justificar graves limitações aos direitos laborais e a direitos sociais básicos, não só não é contraditória como exige uma redobrada atenção ao enquadramento internacional da luta do povo português e à solidariedade para com os povos vítimas da ingerência e agressão do imperialismo, nomeadamente com os povos da Síria e da Venezuela bolivariana. Nunca é demais insistir que na identidade do PCP patriotismo e internacionalismo são inseparáveis, são duas faces de uma mesma moeda. Valorizando as múltiplas iniciativas que em Portugal têm tido lugar na frente da paz e da solidariedade e o combate às operações de desinformação e manipulação ideológica do imperialismo, em que a chamada «guerra ao terrorismo» está a ser utilizada para o ataque a direitos e liberdades fundamentais e para intensificar operações imperialistas de agressão, o PCP não poupará esforços para reforçar a unidade do movimento comunista internacional e a frente mundial anti-imperialista.

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Sim, a prioridade vai para a luta em torno de objectivos concretos e imediatos, para levar o mais longe possível a necessária reposição de direitos, salários e rendimentos, pela contratação colectiva, pela eliminação do trabalho precário e sem direitos, por todo um vasto leque de reivindicações populares que têm dado lugar ao crescimento da luta nas empresas e na rua. Nada pode substituir o desenvolvimento da acção popular de massas para o avanço da consciência política dos trabalhadores e do conjunto da sociedade. Qualquer subestimação desta realidade, que exige um judicioso trabalho de organização e muita perseverança política, é profundamente prejudicial. A impaciência não é boa conselheira. Não há proclamações «revolucionárias» que possam substituir com êxito o trabalho de formiguinha, de propaganda e agitação audaciosa, de organização paciente. Ao mesmo tempo é indispensável, como frequentemente temos sublinhado, que a muito exigente dinâmica de intervenção que caracteriza a acção partidária nunca obscureça a perspectiva revolucionária em que tal acção se insere, não faça esquecer os objectivos supremos e a razão de ser do Partido, e que tenhamos sempre, como colectivo e no plano individual de cada militante, a noção clara de onde vimos e para onde queremos ir. 

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É com este espírito que o PCP está a comemorar o Centenário da Revolução de Outubro, com o Comité Central e as Organizações de todo o Partido fazendo um grande esforço para encontrar, no seu exigente calendário de intervenção, espaço e tempo para promover um amplo conjunto de iniciativas que, com o lema «Centenário da Revolução de Outubro, exigência da actualidade e do futuro», visa pôr em evidência aquele que foi o maior acontecimento libertador da história da humanidade, o valor das extraordinárias conquistas e realizações do socialismo na União Soviética, a exigência da superação revolucionária do capitalismo. Realizado no passado dia 17 de Junho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Seminário, que contou com uma intervenção de abertura do Secretário-geral do Partido e reuniu cerca de quatro centenas de participantes e valiosas contribuições de perto de vinte oradores convidados, foi uma valiosa iniciativa que muito contribuirá para a elevação da preparação e o fortalecimento da confiança de todo o Partido para a realização das tarefas que temos por diante. A reedição, entre outras obras alusivas à Revolução de Outubro, de Dez Dias que Abalaram o Mundo de John Reed deve ser aproveitada para divulgar e promover a mais larga leitura possível deste belíssimo e impressionante fresco sobre a conquista do poder, pela primeira vez na história, pelo proletariado.

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O Comité Central na sua reunião de 25 de Junho fez a análise da situação nacional e internacional e aprovou o comunicado que neste número publicamos, e que, no quadro das decisões do XX Congresso, deve constituir a base para a intervenção do colectivo partidário no futuro imediato. Valorizando o que com a actual solução política foi conseguido em matéria de reposição de direitos, salários e rendimentos, o CC sublinha uma vez mais o seu carácter limitado perante as necessidades e expectativas das massas chama a atenção para «a cada vez mais visível convergência em matérias de relevância entre o Governo do PS e o PSD e o CDS», uma «convergência demonstrativa de que quando se trata de interesses marcantes o PS não se desvia daquela que tem sido a sua vinculação de décadas com a política de direita». A intensificação da luta pela ruptura com a política de direita e com os constrangimentos externos e por uma política patriótica e de esquerda, tendo como núcleo a luta de massas, confirma-se como orientação necessária e indispensável para alcançar a alternativa que o progresso económico e social e a soberania do país exige. Sublinhando «a importante dinâmica de luta de massas atingida nos últimos meses, envolvendo centenas de milhar de trabalhadores», o Comité Central, entre as múltiplas tarefas apontadas, destacou particularmente a  Festa do Avante! que terá lugar a 1, 2 e 3 de Setembro e as Eleições Autárquicas. São tarefas da maior importância que devem ser conjugadas com um permanente empenhamento no reforço do Partido.

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Entramos, entrámos já, no período estival, período em que grande parte dos membros do Partido tirarão férias para um merecido e necessário descanso. Mas procuramos que tudo se processe da maneira mais coordenada possível, de modo a assegurar a continuidade de uma dinâmica partidária que não pode parar. A luta de classes não conhece pausas. E as exigências que estão colocadas aos comunistas no plano nacional e internacional são realmente grandes. Mas com sentido de responsabilidade e correctos métodos de organização vamos criar condições para, entre outros objectivos, ter a grande e bela Festa do «Avante! que precisamos e a dinâmica, já em curso, para alcançar nas Autárquicas o resultado eleitoral da CDU de que o País precisa.