Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Abertura, Edição Nº 351 - Nov/Dez 2017

Confiança!

por Revista «O Militante»

Porquê esta palavra de ordem para título da Abertura deste número de «O Militante» se confiança não é coisa que falte aos comunistas portugueses e se mesmo nas mais complexas e difíceis situações, mesmo perante os mais inesperados e duros reveses, o colectivo partidário soube sempre encontrar forças para seguir em frente e recuperar de desaires sofridos?

Pela razão muito simples de que saímos de uma batalha eleitoral em que os resultados alcançados pela CDU estiveram aquém do que esperávamos e merecíamos pelo trabalho ímpar realizado pelos nossos eleitos no poder local, pela decisiva contribuição do PCP para a recuperação de direitos e rendimentos, que se traduziu numa, embora insuficiente, melhoria das condições de vida dos portugueses e, em geral, também pela campanha eleitoral realizada e o ambiente de simpatia que sentimos por toda a parte em relação à CDU. Nada mais natural por isso que a primeira reacção de muitos camaradas e amigos aos resultados da CDU tenha sido de tristeza, tanto mais quando uma interpretação catastrofista desses resultados pela comunicação social dominante – a mesma que apagou a campanha da CDU e se empenhou em animar preconceitos anticomunistas – é intencionalmente orientada para alimentar o desânimo nas fileiras do Partido e dos seus aliados.

Claro que a uma primeira reacção emotiva sucedeu o que sempre sucede no Partido em situações semelhantes: a preparação das tarefas do dia seguinte pois a luta não para, e não são resultados eleitorais, positivos ou negativos, que condicionam a linha política e a dinâmica da intervenção partidária ao serviço dos trabalhadores e do povo.

Nas actuais circunstâncias pós-eleitorais a palavra de ordem de «Confiança» não é apenas um justo incitamento fraternal, e seguramente que não é um vulgar encorajamento voluntarista. Não, esta consigna corresponde a uma realidade concreta que lhe dá corpo, uma realidade que o Secretário-geral do Partido logo na noite do dia 1 de Outubro e o Comité Central, dois dias depois, sublinharam.

A CDU conserva no essencial a sua expressão eleitoral, recolhe mais de 500 000 votos para as Assembleias Municipais, confirma-se como a principal força de esquerda no poder local democrático. É certo que perdeu a maioria nalguns municípios emblemáticos, mas poderá recuperá-la no futuro como já anteriormente aconteceu e, sobretudo, a campanha política de massas realizada revelou potencialidades de alargamento da influência organizada do PCP e dos seus aliados.

Não há motivos para desânimo. O que há é a necessidade de proceder em todas as organizações à avaliação dos resultados e dos factores locais que os determinaram, assim como do peso de factores nacionais, factores que vão da discriminação na comunicação nacional a campanhas anticomunistas, nomeadamente em torno de questões internacionais, à utilização pelo PS da sua posição de partido do governo. Uma avaliação que se quer objectiva. Nem tudo está mal quando perdemos nem está tudo bem quando ganhamos. Uma avaliação com espírito crítico e autocrítico em relação ao trabalho autárquico realizado, ao Partido, à campanha eleitoral, mesmo sabendo que o seu peso nos resultados é muito relativo e que o que é decisivo é o trabalho do dia a dia e a sua estreita ligação com os trabalhadores e as populações. Uma avaliação voltada para diante, para a iniciativa política, para a acção de massas, para o fortalecimento do Partido. Durante a campanha semeámos muito e é agora altura de colher, de trazer ao Partido muitos amigos que estiveram ao nosso lado com dedicação e entusiasmo a bater-se pelo projecto de «Trabalho, Honestidade, Competência» da CDU e que devem continuar ao nosso lado na luta para levar o mais longe possível a reposição de direitos e rendimentos e por uma política patriótica e de esquerda que, rompendo com a política de direita e os constrangimentos externos que continuam a determinar os aspectos estruturantes da política do Governo do PS, assegure um Portugal com futuro.

Sim, confiança!

Confiança no Partido rejeitando a instrumentalização que alguns estão a fazer dos resultados eleitorais para pôr em causa a linha política e programática do PCP.

Confiança na classe operária e nas massas populares e na força da sua luta organizada e persistente como factor decisivo para a viragem que se impõe na vida nacional. As lutas que estão em desenvolvimento em múltiplos sectores profissionais contam com a intervenção e o apoio dos comunistas cabendo aqui sublinhar a importância da Manifestação Nacional convocada pela CGTP para o próximo dia 18 de Novembro em Lisboa.

Confiança na possibilidade de consolidar a força de que dispomos e de recuperar posições momentaneamente perdidas no poder local democrático, colocando como sempre a dedicação dos eleitos comunistas ao serviço dos interesses das populações e lutando para que da tragédia que incendiou o país se extraiam finalmente todas as consequências com a implementação das medidas que se impõem de ordenamento e prevenção da floresta e adequação dos dispositivos de combate.

Confiança no nosso ideal e projecto comunista, prosseguindo o programa das comemorações do Centenário da Revolução de Outubro, o maior acontecimento libertador da história da Humanidade, fazendo do Comício de 7 de Novembro no Coliseu dos Recreios de Lisboa, uma grande iniciativa de massas e de afirmação na actualidade e necessidade do socialismo.

No quadro político actual – perturbado pelo drama dos incêndios que, tornando urgente o socorro das populações e a implementação de medidas indispensáveis para a defesa da floresta e das populações rurais, está a ser cinicamente instrumentalizado para objectivos políticos e partidários, precisamente por aqueles que tendo-se revezado nas cadeiras do poder não só não tomaram as medidas há muito apontadas como indispensáveis para a defesa da floresta e das populações rurais, como desmantelaram estruturas básicas do Estado – avulta a discussão do Orçamento de Estado que será adoptado em votação final global em 28 de Novembro Como tornou público desde o momento da sua apresentação pelo governo do PS, o PCP continuará a bater-se por propostas de alteração que consideramos justas e realistas e dando voz às reivindicações populares. E continuará a sublinhar os limites de um Orçamento que não rompe com os interesses do grande capital e com os constrangimentos do Euro e da União Europeia, defeito congénito de que é expressão o previsto superavit do saldo primário de 5000 milhões de Euros que irá para pagar juros da dívida. Batendo-se para levar o mais longe possível a reposição de direitos e rendimentos roubados o PCP, cujo único compromisso que tem é com os trabalhadores e o povo, prosseguirá a luta por uma política patriótica e de esquerda, a única que aponta para a resolução dos graves problemas estruturais do país que de modo algum a positiva situação de recuperação económica resolve, para o desenvolvimento económico e a defesa da soberania e independência do país.

Uma das nossas mais difíceis tarefas não reside tanto na articulação dos nossos objectivos concretos voltados para a resolução dos mais imediatos e urgentes problemas dos trabalhadores e do povo (sem o que alienaríamos a natureza de classe do Partido) como em conseguir que as grandes massas adquiram a firme consciência de que só com as rupturas que propomos e só dando mais força ao PCP, incluindo no plano eleitoral, será possível um Portugal mais próspero, mais democrático, realmente soberano. Esta é uma tarefa que temos de prosseguir com determinação e confiança. Intensificando a iniciativa política, reforçando as nossas estruturas de informação e propaganda e, sobretudo estreitando sempre mais a ligação do partido com a classe operária e as massas, a começar pelas empresas e locais de trabalho e pelas estruturas unitárias do movimento popular.