Proletários de todos os países: UNI-VOS! PCP - Reflexão e Prática

Juventude, Edição Nº 352 - Jan/Fev 2018

19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes - A juventude do mundo aspira à Paz

por Luís Silva

Realizou-se de 14 a 22 de Outubro o 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE) em Sochi, na Rússia, sob o lema «Pela Paz, a solidariedade e a justiça social, lutamos contra o imperialismo! Honrando o nosso passado, construímos o futuro».

1. Um Festival construído pela juventude

O FMJE, lançado pela Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), é um importante momento de afirmação da luta pela paz e pelos direitos da juventude, contra o imperialismo, tendo a presente edição assinalado de forma especial os 70 anos do movimento dos Festivais e a sua história e o Centenário da Revolução de Outubro.

O 19.º FMJE constituiu uma importante demonstração de unidade da juventude em torno daqueles valores, no quadro da difícil correlação de forças no plano mundial em que o imperialismo expressa a sua natureza predadora e agressiva. Realizando-se na Rússia, passados 100 anos da Revolução de Outubro, tal facto traduziu-se num factor de entusiasmo e mobilização para muitas organizações e jovens. A luta pela Paz e pelos direitos da juventude e contra o imperialismo teve expressão nas sucessivas edições dos FMJE e também no 19.º FMJE, nos muitos milhares de jovens participantes. Jovens que vieram ao Festival pelas organizações da FMJD, num processo que começa meses antes nos Comités Nacionais Preparatórios (CNP) e envolve centenas de outras organizações juvenis em todo o mundo, que estão na frente das lutas aí travadas.

O CNP Português, constituído a partir da iniciativa da JCP enquanto organização membro da FMJD, foi composto por mais de 30 organizações do movimento sindical, associações de estudantes, associações e colectividades de base local, do plano cultural, organizações de defesa da Paz e da solidariedade que, na sua acção e iniciativa, assumem em comum a luta pela Paz, tendo dado acordo ao apelo lançado pela FMJD de mobilização para o 19.º FMJE. Esta ampla unidade é uma das grandes qualidades e potencialidades do FMJE. Foi o CNP que dinamizou no nosso país actividades de divulgação e afirmação do FMJE e dos seus valores junto da juventude portuguesa, de que são exemplo a mostra de vídeos em escolas, «Curt'à Paz»; a realização de jogos desportivos; a pintura de murais; a presença do CNP em vários festivais e festas da juventude, como o Festival Liberdade e a Festa da Juventude de Moura; e o Acampamento pela Paz, que juntou em Julho deste ano, em Évora, centenas de jovens de todo o país. A JCP, para além de integrar na sua acção esta iniciativa, realizou na Cidade da Juventude debates sobre o 19.º FMJE nas edições de 2016 e 2017 da Festa do Avante!, destacando-se ainda o Acampamento Internacional «Avante! Por um mundo de Paz», realizado em Setembro de 2016.

Para além da dinamização de iniciativas e actividades no plano nacional, o CNP português participou nas reuniões preparatórias internacionais e recebeu a reunião regional preparatória, em Setembro de 2016, na Quinta da Atalaia, as quais foram determinantes para a aprovação de questões fundamentais, como o programa do 19.º FMJE.

2. Um grande Festival!

O 19.º FMJE foi um espaço alegre, dinâmico, ligado às massas juvenis. Muitas foram as discussões ligadas à vida da juventude e sobre os seus direitos, como a educação, o trabalho, a igualdade, o desporto, o ambiente, a cultura, a saúde, o acesso à água, assim como debates sobre temas como o papel histórico da URSS e os seus impactos, conquistas e actualidade; o movimento e história dos Festivais; a luta contra o ascenso do fascismo, do racismo, xenofobia e anti-comunismo; os reflexos junto da juventude da ofensiva ideológica e da comunicação social dominante; o combate ao militarismo e ao armamento; instrumentos do imperialismo como a UE, FMI e a NATO, ou o TTIP, TPP e CETA; a história e papel do movimento estudantil e dos trabalhadores; a agressividade do imperialismo sobre países e continentes e a sua luta pela paz, soberania, independência e auto-determinação; entre outros.

Os momentos de abertura e encerramento do 19.º FMJE, gigantescas acções de massas, permitiram a afirmação, pela voz do Presidente da FMJD, dos valores e princípios da FMJD e dos FMJE, mesmo num quadro em que o desenho dos mesmos, no seu conjunto, não valorizava a luta pela Paz e contra o imperialismo. Foi também assinalável o combativo desfile de comemoração do Centenário da Revolução de Outubro, com a diversidade de milhares de jovens e das suas lutas e realidades, bem como a sessão de proclamação da Declaração Final, a qual foi fortemente aclamada. Durante três dias o imperialismo «sentou-se» no banco dos réus do Tribunal Anti-imperialista, confrontado com as denúncias concretas dos crimes cometidos contra os povos do mundo, tendo a maior parte dos casos recaído sobre a política da guerra, da ingerência e da exploração impostas pelos EUA, pela UE e pela NATO, a países como a Venezuela, o Brasil, Cuba, Espanha, Palestina, Síria ou Sahara Ocidental, entre outros. No final, o grupo de juízes condenou, simbolicamente, o imperialismo pelos crimes cometidos contra a humanidade e exigiu um mundo de paz, cooperação e solidariedade.

3. Firmeza anti-imperialista

O CNP português foi eleito para o Comité Organizador Internacional (COI) do 19.º FMJE, organismo que dirige a preparação de cada FMJE, tendo a JCP assumido a representação do CNP nessa tarefa. Decisão que se confirmou acertada, pela importância do papel do COI. O seu trabalho, determinação e unidade conseguiu ir superando dificuldades tanto no processo preparatório, como nos próprios dias do FMJE, naturais num Festival desta envergadura, em que a defesa de uma natureza identitária e de valores próprios transversais ao seu património histórico comporta problemas e dificuldades, tanto no plano logístico, como político, quer na relação com as diversas delegações, quer na relação com o país anfitrião. Ora, tanto o papel do COI, como da FMJD e das suas organizações demonstraram que é pela unidade e determinação das organizações que quaisquer problemas que nos sejam apresentados são ultrapassados.

A direcção da FMJD decidiu emitir três comunicados para dar resposta a situações em que decisões do COI não foram respeitadas ou a incidentes que não correspondem à história e valores do Festival. Apesar dos problemas que não foram possíveis de resolver, e que serão analisados pela FMJD em momento próprio, há elementos políticos essenciais a ressalvar: 1) O programa do Festival, aprovado nas reuniões preparatórias internacionais, foi cumprido em condições técnicas excelentes e em geral com participação massiva; 2) Além do programa de debates, a realização do Tribunal Anti-imperialista e a sua sentença, os discursos do Presidente da FMJD, o desfile de comemoração do Centenário da Revolução de Outubro, a troca de experiências nos stands dos diferentes países na Feira da Amizade, bem como a Declaração Final, são elementos que marcam politicamente o Festival e o seu carácter anti-imperialista; 3) Perante os problemas e adversidades, a direcção da FMJD e o COI nunca vacilaram nos princípios anti-imperialistas; 4) A acção do COI e a mobilização dos CNP permitiram isolar e neutralizar quaisquer elementos provocadores; 5) A FMJD teve neste Festival uma grande expressão, na Rússia e a nível mundial, reforçando o seu prestígio, e mais uma vez ficou claro que o Festival só pode ser organizado com um papel central da FMJD e com a sua capacidade de alargamento, mobilização e firmeza de princípios.

O Festival demonstrou uma vez mais que a luta anti-imperialista não se resume à luta contra a guerra, abrangendo também, numa vasta frente, as lutas pelos direitos dos trabalhadores, dos povos, da juventude, na qual todos aqueles que lutam contra qualquer uma das expressões do imperialismo estão incluídos. A frente anti-imperialista é uma frente social de luta, que tem expressão no movimento juvenil em cada país e a nível internacional, e não uma simples aglutinação de partidos ou organizações com determinada inclinação política ou ideológica, como postulam certas concepções oportunistas, que servem tanto a campanhas que visam a descaracterização de espaços como o FMJE, como a campanhas que visam o seu fechamento sectário e dogmático, excluindo todos os que não são comunistas ou todos os que não tenham a mesma linha política.

A FMJD e particularmente o FMJE são, desde o seu começo, espaços para a construção de uma ampla unidade anti-imperialista. Uma unidade que se constrói com base na acção, entre organizações de diferentes âmbitos e características, para combater o inimigo comum, o imperialismo. Uma unidade em que os comunistas são imprescindíveis, mas em que não se pode excluir organizações que, não se afirmando como comunistas ou não afirmando as definições científicas do imperialismo, lutam objectivamente contra o imperialismo nas suas várias expressões nacionais e internacionais. As organizações de juventude comunistas têm dado um grande contributo ao longo de anos para a construção dessa unidade, característica da FMJD e do movimento dos Festivais. Desbaratar esse património com qualquer manifestação sectária de um pólo comunista no quadro do Festival, ou seguindo uma deriva de estreitamento político da FMJD, excluindo os que não são comunistas ou os que não têm a mesma linha política, seria um grave erro político e ideológico.

4. Um Festival marcante para o futuro

A delegação portuguesa juntou cerca de 40 delegados com uma composição heterogénea de estudantes, jovens trabalhadores sindicalistas, dirigentes de associações juvenis, e de outras organizações, membros da JCP e da Ecolojovem, e levou à Rússia uma experiência muito variada e rica sobre a realidade e a luta da juventude portuguesa. Cada um dos delegados recolheu também experiências de lutas e vitórias de outros povos que ajudarão ao reforço da luta no nosso país. A delegação portuguesa contribuiu e enriqueceu a discussão em cada painel onde participou, ouviu e interveio, levando o exemplo de Portugal, as suas lutas e conquistas, mas também toda a situação difícil que enfrenta a juventude portuguesa pelo avolumar de consequências nefastas na sua vida fruto de décadas sucessivas de política de direita, e de submissão ao grande capital, à União Europeia e ao Euro.

Com a certeza que o 19.º Festival deu um importante contributo de reforço do movimento anti-imperialista, é preciso prosseguir esse caminho pois o inimigo é forte e tem meios poderosos de ingerência e sabotagem. Neste contexto, a realização do 19.º FMJE na Rússia, em Outubro de 2017, não será um facto indiferente. Num momento em que os EUA, a UE e a NATO apertam o cerco contra a Federação Russa, através da expansão das fronteiras da NATO para Leste, da instalação de sistemas anti-míssil e da realização de manobras militares junto às fronteiras russas, da imposição de sanções económicas e outras provocações, levantando perigos para a paz mundial, jovens de todo o mundo juntaram-se exactamente aí para afirmar que querem a paz e não a guerra. Num momento em que as mais infames campanhas ideológicas são montadas em todo o mundo para atacar a Revolução de Outubro, a URSS, o socialismo e as suas conquistas, milhares de jovens celebraram e afirmaram este Centenário. Num momento em que o grande capital promove forças fascistas, racistas e xenófobas, jovens de todo o mundo foram à Rússia, em cujo povo perduram os valores e sentimentos da vitória sobre o nazi-fascismo, afirmar a luta pelos seus direitos, contra o fascismo e a guerra. Num momento em que o imperialismo ostenta o seu domínio hegemónico em todo o mundo, a juventude juntou-se para trocar experiências e afirmar que com a luta, com a solidariedade é possível resistir e conquistar.

Com força e confiança avaliamos o 19.º FMJE como uma grande iniciativa de combate ao imperialismo, mas o que se discutiu e construiu não pode ficar fechado em Sochi. É necessária a continuidade da luta em cada país. Os desafios colocados à FMJD e a cada uma das suas organizações são muitos e complexos. Da parte da JCP reafirmamos o nosso compromisso para reforçar a unidade em torno de todos os que combatem o nosso inimigo principal, o imperialismo, tendo como prioridade internacional o reforço da FMJD, como reafirmámos no 11.º Congresso. Todos são chamados a contribuir para esta luta dura, na qual cada uma das iniciativas, reuniões e discussões da FMJD, e em particular reforçando a actividade e articulação na nossa região da Europa e América do Norte, são decisivas para reforçarmos a FMJD e assim estarmos em melhores condições de combater o imperialismo. O futuro constrói-se hoje, com mais e maior ligação às massas juvenis, levando-lhes com a nossa acção diária os valores da FMJD.